Débora Zampier
Agência Brasil
Brasília – A defesa do ex-deputado federal João Magno (PT-SP), um dos 38 réus no processo do mensalão, admitiu ontem, no Supremo Tribunal Federal (STF), que o político recebeu dinheiro do esquema de Marcos Valério, mas negou que o ex-deputado soubesse da origem ilegal da quantia ou que tenha aplicado os valores criminosamente.
Magno é acusado quatro vezes do crime de lavagem de dinheiro no processo do mensalão. Segundo o Ministério Público, o político usou assessores para receber dinheiro nos bancos Rural e BMG e tentou dissimular o destino e a aplicação da quantia.
A defesa do político, dividida na tribuna pelos advogados Sebastião Reis e Wellington Valente, destacou que a ajuda de R$ 360 mil foi negociada por Magno diretamente com o então tesoureiro nacional do PT, Delúbio Soares. O socorro financeiro era destinado a quitar dívidas das campanhas para deputado federal em 2002 e para os gastos da pré-campanha para prefeito de Ipatinga (MG), em 2004.
"Quando [Magno] recebeu dinheiro em 2003, não tinha nada de estranho ou errado que pudesse fazê-lo desconfiar da origem do dinheiro que foi destinado por seu partido político. Fez o que deveria ter feito, pediu ajuda à tesouraria nacional, e Delúbio se comprometeu a ajudar, porque o PT nacional tinha prioridades e Ipatinga era prioridade em Minas Gerais", explicou Reis.


