Kátia Azevedo
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A transferência da conta única do Banco do Estado de Sergipe (Banese) para a Caixa Econômica Federal determinada pela Prefeitura de Aracaju não é a única perda que a instituição financeira sofrerá, como foi anunciado pela gestão municipal.
Segundo informações que constam no edital Nº 3230, do Diário Oficial do Município de Aracaju, através do qual foi publicada a medida, apenas as transações do Imposto predial territorial urbano (IPTU) e Imposto Sobre Serviços (ISS) são mantidas no Banese, ficando grande parte das transações financeiras centralizadas pela Caixa Econômica Federal.
O documento detalha que a contratação da nova instituição financeira será responsável não somente pela gestão dos pagamentos dos salários dos servidores municipais como também pela movimentação de recursos financeiros, arrecadação dos tributos municipais, pagamentos a fornecedores, aplicações financeiras, além das movimentações financeiras com sua Conta Única, centralização dos fundos do poder executivo municipal, o Fundo de Participação de Municípios (FPM) e Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) e Fundo Nacional de Saúde (FNS).
Na avaliação do Sindicato dos Bancários de Sergipe (SEEB/SE), o esvaziamento de serviços provocado com a transferência de gestão de recursos coloca o Banese em sério risco de sobrevivência.
Diante da situação, o SEEB/SE vem mobilizando a imprensa para esclarecer a opinião pública sobre as reais perdas que o Banese enfrentará com a mudança. A direção do sindicato chama a atenção que as perdas serão enormes com a queda de movimentação financeira envolvendo a arrecadação de tributos e pagamentos a fornecedores. Ainda conforme os bancários, o processo foi feito sem transparência, sem licitação pública. No ano passado, a desembargadora Iolanda Santos Guimarães determinou a suspensão do leilão da conta única do município do Banese. O leilão estava previsto para o dia 21 de outubro.
A direção do SEEB comentou o contrato negociado com a Caixa Econômica Federal. "Trata-se de uma feijoada requentada, é o mesmo objeto do leilão suspenso em 2013", definiu o presidente do SEEB/SE, José Souza.
Na manhã da última segunda-feira, a direção do sindicato discutiu o assunto durante uma audiência com o superintendente da Caixa Econômica Federal, Anacleto Grosbelli, com o objetivo de buscar esclarecimentos sobre a transação comercial que levou a Caixa a adquirir o negócio.
O SEEB/SE defende a permanência das contas do Estado e Municípios sergipanos no Banese, lembrando que o banco é o único estadual do Nordeste que resistiu à onda de privatização no governo de Fernando Henrique Cardoso.
Além de problemas administrativos a serem enfrentados pelo Banese, o sindicato dos bancários também alerta para outros impactos, a exemplo da sobrecarga de trabalho para os funcionários da agência que vai assumir a gerência dos serviços e o aumento das filas nas agências da Caixa Econômica Federal.


