Quarta, 17 De Abril De 2024
       
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João Ventura?


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Publicado em 15 de março de 2024
Por Jornal Do Dia Se


Como acompanhante, não há melhor.(Divulgação)

Rian Santos
 
A equipe de comunicação a serviço da Prefeitura de Aracaju foi às ruas, a fim de colher aplausos para a programação do aniversário da capital sergipana. Ninguém mencionou o único artista nativo convidado para bater os parabéns, ninguém lembrou de João Ventura.
Cantor, compositor, excelente instrumentista, João Ventura jamais esteve entre os artistas de meu verdadeiro apreço. Mas o descaso com o seu nome entristece, derivado não de seus próprios méritos. Mas da ausência de políticas voltadas para os papocos da aldeia.
Músicos de formação erudita e profissionais tarimbados, operários do banquinho e violão, consultados pela coluna, em off, têm a mesma opinião. João Ventura é, sim, um instrumentista competente. Mas ainda nos deve um trabalho mais consistente, antes de ser aceito no primeiro time da música Serigy. 
Ninguém precisa me lembrar dos marcos que pontuam a ascensão do dito cujo. Eu estava na plateia do teatro Atheneu quando o aspirante a músico, apenas um menino, conquistou o Sescanção com ‘Samba de cacique’, em 2007. Não foi merecido. Também lembro de sua colaboração fundamental em uma apresentação mais ou menos informal do amigo Silas, anos mais tarde, no extinto espaço mantido por Paulo Lobo em um anexo de sua casa, muito antes de o anfitrião virar bolsominion. Ninguém estava lá para ouvir o piano, mas este foi o principal esteio do show.
João Ventura conquistou a admiração de Toquinho e até de Madona, artistas consagrados, aplaudidos nos quatro cantos do mundo, com quem já se apresentou. Estrelas não são de jogar pérolas aos porcos. Se fizeram questão de elogiar o sergipano, vislumbraram talento genuíno. Como acompanhante, eu concordo, não há melhor.
Ocorre que, contra todas as aparências, é fácil encontrar instrumentistas de mãos cheias em qualquer esquina de Aracaju. Para o músico de gênio, entretanto, a reprodução das notas marcadas na pauta não basta. O saxofonista Luiz Americano, por exemplo, não seria lembrado até hoje se não tivesse escrito os choros gravados por Raphael Rabello. Só a verdadeira beleza transcende.
Sergipe é terra de Ismar Barreto, Nino Karvan, Pedrinho Mendonça, Saulo Ferreira, Julio Rego, Guga Montalvão, Ricardo Vieira. Todos estes não apenas cantam e tocam, como colocam a própria alma na ponta da unha. Para mim, perto dos aqui citados, até prova em sentido contrário, digo e repito, João Ventura não passa de uma promessa ainda em vias de justificar os aplausos apressados da inteligência (pouca) da aldeia.
Isso posto, também por tudo o que aqui já foi mencionado, apenas um dado justifica o divórcio que serve de mote para as breves observações aqui apresentadas: o poder público local, o governo de Sergipe mais a Prefeitura de Aracaju, falha não apenas com João Ventura. Mas com toda a sensibilidade Serigy.
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