Jovem se entrega e confessa que disparou para matar o professor

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Depois de uma semana de expectativa e revolta, está detido o adolescente de 17 anos que disparou cinco tiros de revólver contra o professor Carlos Cristian de Almeida Gomes, 33 anos, na noite do último dia 12, dentro da Escola Estadual Olga Barreto, no conjunto Eduardo Gomes, em São Cristóvão (Grande Aracaju). Por volta das 10h de ontem e acompanhado por um advogado, o menor se apresentou à polícia na sede do Departamento de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP), bairro Santos Dumont (zona norte da capital). Ele é um aluno da própria escola que cursa a 8ª série da modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Segundo informações extraoficiais, o adolescente saiu de São Cristóvão logo após o crime e teria passado a semana em Ilha das Flores, em casa de parentes. A decisão de se entregar, contudo, teria sido motivada pelas buscas feitas pela polícia e por algumas ameaças que o acusado vinha sofrendo de pessoas revoltadas com a tentativa de homicídio. A defesa, por sua vez, afirma que o adolescente se rendeu por estar arrependido do que fez. O advogado do adolescente, Claudionor Gonçalves, afirmou que a atitude de seu cliente foi "uma desgraça momentânea", motivada por um possível surto psicótico, "que pode acontecer com qualquer pessoa".

A diretora do DHPP, delegada Thereza Simony Nunes Silva, também demonstrou esta surpresa, ao destacar que a atitude do rapaz não condiz com o perfil de jovem trabalhador e estudioso traçado por colegas, parentes e até mesmo pela instituição de ensino onde estuda. "Levantamos a ficha do adolescente e descobrimos que ele não tem passagem pela polícia, tem poucos amigos, não tem envolvimento com drogas, tem bom relacionamento com colegas de classe e trabalha regularmente na construção civil. Para nós foi uma surpresa verificar essas informações", destacou.

De acordo com a delegada, o próprio estudante confessou que queria, na verdade, matar o professor, por causa da nota obtida pelo aluno em uma prova de Biologia, aplicada cinco dias antes do crime a partir de uma revisão dada em sala de aula. O baixo resultado gerou um atrito entre professor e acusado.  "Ocorre que o estudante achava que as questões que seriam abordadas na prova seriam idênticas a que ele estudou na revisão. Como as questões da prova foram diferentes, o adolescente se sentiu prejudicado e não fez o teste. Na segunda-feira, dia 11, ele voltou a procurar o professor e pediu nova oportunidade, que foi negada. Ele também foi a direção do colégio e foi informado que o professor tem autonomia para realização dos testes", explicou Thereza, descrevendo ainda que o estudante disse ter sentido "raiva e frustração" pelo professor – e desta forma, decidido cometer o crime.

Ainda de acordo com a delegada, o aluno chegou a faltar à aula e, no sábado anterior ao crime, comprou um revólver na "Feira das Trocas", situada atualmente em um descampado junto ao Centro Administrativo (zona oeste). Ao depor, o acusado admitiu que pagou R$ 550,00 pela arma, com o dinheiro que recebera em alguns bicos como pedreiro. Devidamente armado, ele foi à escola no último dia 12 para insistir que o professor Christian revisasse a prova. A vítima não cedeu e o adolescente então abriu fogo.  "Neste dia, ele foi ao colégio já para matar o professor, pois nem o material escolar ele levou. Na sala de professores, ele sacou o revólver e desferiu cinco tiros contra Christian e depois fugiu. A vítima ficou consciente e passou o nome do autor e o motivo do crime para os colegas e os socorristas", disse Thereza.

Socorrido por um bombeiro civil e uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), o professor foi internado no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) e passou por uma cirurgia. Ferido no tórax e no rosto, ele continua na UTI da unidade e, segundo médicos e familiares, vem obtendo algumas melhoras em seu quadro de saúde, apesar de inspirar ainda mais cuidados. O revólver usado no crime não foi encontrado pela polícia e, conforme o depoimento do adolescente, foi jogado em um canal próximo à escola durante a fuga.

O inquérito policial será concluído nos próximos 10 dias e será remetido ao juiz da Comarca de São Cristóvão, que autorizou a apreensão provisória do menor pelos próximos 45 dias. Antes da conclusão, a delegada pretende ouvir o porteiro da Olga Barreto, alguns professores, alunos e o próprio professor Christian, caso sua saúde permita. O adolescente foi encaminhado à Delegacia Especial de Proteção a Criança e Adolescente (Depca) e será levado hoje para a Unidade Socioeducativa de Internação Provisória (Usip).

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