Jovem trans é morta a tiros no bairro Industrial

Adolescente trans morre baleada na cabeça em plena Orlinha. Foto: Reprodução/Instagram

Gabriel Damásio

A Polícia Civil investiga a morte da adolescente Gabi Mattos, 17 anos, que era mulher trans. Ela morreu na madrugada do último sábado, após ser atingida por um tiro na cabeça, próximo a um restaurante na Orlinha do Bairro Industrial, zona norte de Aracaju. O crime aconteceu por volta das 4h, em uma festa de jovens que se concentravam na Avenida General Calazans. Segundo as primeiras informações relatadas à polícia, dois homens que estavam no local se desentenderam, começaram a brigar e sacaram suas armas um contra o outro, iniciando um tiroteio.
Conforme esta versão, um dos disparos acertou Gabi, que não estava envolvida na briga e morreu na hora. A hipótese de “bala perdida” é considerada a mais provável nas investigações da Polícia Civil. No entanto, outras testemunhas contestam tal possibilidade. Segundo a vereadora Linda Brasil (PSOL), que é ativista dos direitos das transexuais, a outra versão relatada por essas testemunhas aponta que Gabi teria sido perseguida por dois homens em uma moto preta, e que um deles correu atrás da vítima, atirando na cabeça dela assim que a alcançou. “É realmente muito estranho que, em um suposto tiroteio, só ela tenha sido alvejada e logo na cabeça”, estranhou a parlamentar.
Linda apontou ainda que uma câmera de segurança da Polícia Militar estava presente no local, mas não estaria em funcionamento. Para a vereadora, a morte da adolescente enquadra-se como um crime de transfobia, que é a perseguição e aversão aos transexuais. “Queremos a investigação e apuração dos fatos, bem como a solução não só desse caso, mas também do caso Natasha Santos, travesti negra de 16 anos, que mesmo pouco mais de um ano após o seu assassinato transfóbico na Coroa do Meio, teve sua investigação concluída sem definir autoria, mesmo tendo imagens das câmeras de segurança”, lembrou ela.
Os atiradores fugiram do local e não foram localizados pela Polícia Militar, que fez buscas pela região logo após o crime. O caso já começou a ser investigado por equipes do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Compartilhe esta notícia