Gabriel Damásio
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A Polícia Civil deflagrou ontem a ‘Operação Ostentação’, que investiga a ação de um grupo envolvido em golpes com uso de cartões de crédito clonados. Ao todo, oito delegados e mais de 80 agentes de várias unidades, lideradas pelo Departamento de Defraudações e Combate à Pirataria (DDCP), foram mobilizados para cumprir 14 mandados de prisão, sendo sete temporários e outros sete preventivos. Entre o final da madrugada e o começo da manhã, 13 investigados foram presos em suas residências e levados para a sede do DDCP, no centro da capital. Todos são acusados pelos crimes de estelionato e associação criminosa. O único investigado que não foi preso permanecia foragido até o fechamento desta edição.
Outros 26 mandados de busca e apreensão foram expedidos pela Justiça, mas nem todos precisaram ser cumpridos. As buscas aconteceram nos bairros Atalaia, Industrial, Conjunto JK, Sol Nascente e Orlando Dantas (em Aracaju), além das cidades de Boquim (Centro-Sul), Pedrinhas (Agreste) e Paripiranga (BA). Em uma das casas visitadas, os policiais apreenderam um drone e uma escopeta calibre 12 não-registrada. Nas outras, foram recolhidos documentos, computadores, alguns eletrodomésticos e materiais supostamente usados na prática dos golpes. Todo o material também foi encaminhado à Plantonista e deve ser passar por uma perícia.
De acordo com a delegada Rosana Freitas, diretora do DDCP, o golpe foi investigado durante seis meses e pode ter rendido prejuízos superiores a R$ 1 milhão para dezenas de pessoas em Aracaju, cidades do interior e até em outros estados do Nordeste, como Pernambuco e Bahia. "Eram utilizados os cartões de crédito de pessoas que tinham o nome limpo, sem nenhuma restrição em seu cadastro de crédito. Eles realizavam compras nos nomes destas pessoas, depois ligavam para a administradora dos cartões de crédito, informando que os cartões tinham sido clonados, e conseguiam que os valores fossem estornados. Por vezes, os comerciantes ficavam no prejuízo. Outras vezes, quando essas compras não eram canceladas a tempo, as próprias pessoas que tiveram os cartões clonados também tiveram prejuízos", explicou Rosana.
A diretora suspeita ainda que o golpe com os cartões acontecia "há muito tempo" e pode ter feito centenas de vítimas. Ao longo do dia, os 13 acusados foram interrogados pelos policiais envolvidos na operação. Outros detalhes devem ser informados hoje, em uma coletiva de imprensa marcada para as 8h de hoje, na sala de imprensa da Secretaria da Segurança Pública (SSP), no São José. No entanto, já se sabe que uma característica comum entre os integrantes da quadrilha era de ostentar roupas, perfumes, objetos, passeios e restaurantes de alto valor, que podem ter sido pago com os cartões clonados das vítimas. Por isso, a operação foi chamada de ‘Ostentação’.
A expectativa é de que os nomes dos presos também sejam divulgados hoje pela polícia, mas já ficou confirmado na manhã de ontem que, entre os presos da operação, estão três filhos e duas noras do empresário e produtor musical Francisco Macedo Costa, o "Macedo Brilho", dono da banda de forró eletrônico Raio da Silibrina. Em entrevistas dadas na manhã de ontem, Macedo elogiou a polícia e lamentou a conduta dos filhos, atribuindo-as ao envolvimento deles com "más companhias".


