Gabriel Damásio
A Justiça Federal de Sergipe (JFSE) reali- zou ontem uma inspeção judicial em seis áreas do bairro Jabotiana, por onde passam o Rio Poxim e seus respectivos canais e afluentes. O objetivo foi verificar as possibilidades de alagamentos nestas regiões e o que pode ser feito para minimizar os danos ambientais e à população. A inspeção reuniu técnicos do Ministério Público Federal (MPF), da Deso, da Administração Estadual de Meio Ambiente (Adema) e da Superintendência do Patrimônio da União (SPU).
Na inspeção, também estiveram os integrantes das associações de moradores do Jabotiana, que processaram o Governo do Estado e a Prefeitura de Aracaju, por causa das enchentes que afetaram as comunidades da região, durante as chuvas de julho deste ano. As prefeituras de São Cristóvão e Nossa Senhora do Socorro, cidades igualmente banhadas pelo Poxim, também foram incluídas na ação.
Os locais visitados foram a ponte de acesso ao Conjunto Santa Lúcia, o Largo da Aparecida, o Residencial Bossa Nova, a Rua Jasiel de Brito Côrtes, o entorno do Cemitério Colina da Saudade e a Lagoa Doce, onde a Deso (Companhia de Saneamento de Sergipe) está construindo uma estação de tratamento de esgoto. Eles foram diretamente atingidos pelo transbordamento do Rio Poxim, que isolou os conjuntos do Jabotiana por cerca de uma semana e deixou aproximadamente 600 desabrigados.
Segundo a JFSE, a inspeção faz parte deste processo movido pelo MPF e pelos moradores. O objetivo foi levantar informações de campo que subsidiem a decisão a ser tomada pela juíza Telma Maria Santos Machado, da 1ª Vara Federal. Entre as informações, está um comparativo de como os locais alagados em julho se encontram durante o período de estiagem, entre setembro e fevereiro, e como eles ficam na estação das chuvas, entre março e agosto. A magistrada também deverá fazer uma nova audiência entre as partes, para verificar que medidas foram tomadas pelas autoridades municipais e estaduais para minimizar ou resolver os problemas, bem como o que ainda precisa ser feito.
Para impedir novos alagamentos, os moradores da região exigem que o Estado e a PMA façam a dragagem do Rio Poxim, aprofundando o leito do rio. Os órgãos públicos dizem que já existem projetos de obras nesse sentido, mas eles exigem recursos, estimados em cerca de R$ 60 milhões. Outra cobrança dos moradores é a interrupção das obras da estação da Deso na Lagoa Doce, por entenderem que ela pode causar um grave dano ambiental naquela região. A Deso argumenta que apenas uma pequena parte da área será aterrada e que a estação é necessária para tratar o esgoto produzido na região do Jabotiana, impedindo que ele seja despejado no Rio Poxim.


