Cândida Oliveira
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Dados do Ministério da Saúde mostram que no Brasil 200 mil pessoas morrem por ano por conta do tabaco. Preocupado com os números, o Ministério anunciou, no último dia 31 de maio, a regulamentação da Lei Antifumo, que estabelece ambientes de uso coletivo 100% livres de tabaco.
A lei anterior 2.018 de outubro de 1996, que permitia o fumo "em área destinada exclusivamente a seus usuários", foi revisada pelo decreto 8.262 para "é proibido o uso de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos, narguilé ou outro produto fumígeno, derivado ou não do tabaco, em lugares coletivos".
Por recinto coletivo fechado, a legislação agora considera que sejam espaços de uso coletivo, total ou parcialmente fechados em qualquer de seus lados por parede, divisória, teto, toldo ou telhado, de forma permanente ou provisória.
Segundo o Ministério da Saúde, o objetivo é proteger a população do fumo passivo e contribuir para diminuição do tabagismo entre os brasileiros. A norma entrará em vigor 180 dias após a publicação no Diário Oficial da União, a contar a partir do dia 2 de junho. Outras medidas para a implantação da Lei Antifumo são o aumento dos preços, proibição da propaganda e do fumo em locais públicos.
Fumantes e ex-fumantes estão com opinião dividida no tocante a regulamentação da lei. O promotor de eventos Pedro Macedo deixou de fumar há dois anos. Ele não acredita que a proibição de fumodromos ajude a diminuir o número de fumantes. "Acho que mesmo que faça mal o uso de cigarro, cada um tem o direito de escolher". Ele conta que deixou de fazer uso do cigarro por diversos motivos, um deles é que estava sentindo os efeitos negativos do uso prolongado do cigarro na saúde. "Eu também estava me sentindo cada vez mais excluído por conta de ficar com um odor ruim".
Para deixar o vício procurou ajuda médica e fez tratamento com medicamentos. Pedro deixa um recado para quem está tentando parar de fumar. "Não tenha vergonha de tentar uma, duas ou três vezes, o importante é não desistir e apesar de muito difícil vencer esse vicio é perfeitamente possível e recompensador". Para Pedro, uma das recompensas é sentir seu próprio cheiro, sem interferência do cigarro.
O policial Raphael Vilela Torres crê que a regulamentação da lei poderá ajudar a quem deseja parar com o fumo. "Acredito que quem quer deixar de fumar será beneficiado com a lei, mas para o fumante que não pensa em largar o vício é apenas mais um inconveniente. Ele deixa de ir a uma boate ou bar se lá ele não tiver onde fumar", observou.
Ele citou também que tem percebido que o número de amigos fumantes tem diminuído. "Hoje em dia conheço muito mais ex-fumantes do que fumantes. Muitos deixaram por se preocuparem com a saúde ou a pedido de companheiros ou da família. Mas não me lembro de nenhum que parou de fumar porque não quis mais".
Rafael já tentou deixar de fumar. "Tentei inúmeras vezes, mas ainda não consegui ficar mais que dois meses sem fumar". Apesar de existir tratamento gratuito, ele nunca procurou ajuda médica.
Tratamento – Em Aracaju, o Centro de Especialidades Médicas (Cemar), localizado no conjunto Augusto Franco, conta com o Programa de Tratamento do Tabagismo. Segundo a coordenadora do Cemar, Graça Barros, o programa funciona de porta aberta, ou seja, qualquer pessoa pode procurar ajuda. "Chegando aqui o usuário é atendido por uma assistente social que faz a triagem e encaminha essa pessoa para os grupos terapêuticos".
Os grupos são atendidos por uma equipe multiprofissional formada por médico, enfermeiro, assistente social e se houver a necessidade há atendimento psicológico e até nutricional. "Atualmente o programa atende 60 pessoas que são divididas em três grupos. Eles no início do acompanhamento se reúnem semanalmente e também recebem medicamentos que são disponibilizados pelo Ministério da Saúde".
Para os fumantes que desejam participar do programa, é só comparecer no Cemar do Augusto Franco, de segunda a sexta-feira, a partir das 14h. Para mais informações ligar para os números: (79) 3179-2743 ou 3179-3004.


