Lula em Washington: ‘Eu acredito muito mais no diálogo do que na guerra’

TRUMP CUMPRIMENTA LULA NOS EUA (Ricardo Stuckert/PR)
Agência Gov
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse a jornalistas ter defendido junto a Donald Trump, durante encontro bilateral na quinta-feira, (7) em Washington, que o estadunidense risse mais. No momento da foto oficial do encontro, segundo o presidente brasileiro. ele recomendou: “Ria, ria um pouco. Alivia a alma”, contou Lula.
Em postagem nas redes sociais, Trump informou que discutiu com Lula “muitos tópicos”, incluindo questões comerciais e tarifas.
“A reunião foi muito produtiva. Nossos representantes têm reuniões agendadas para discutir alguns pontos-chave. Outras reuniões serão agendadas nos próximos meses, conforme necessário”, escreveu o presidente norte-americano, que chamou Lula de “muito dinâmico”.
“Eu acredito muito mais no diálogo do que na guerra”, explicou o presidente do Brasil, quando indagado sobre o que teriam dito os dois mandatários quando o assunto foram as guerras e os riscos de guerras. “É assim que eu acho que a gente deve fazer política”, completou, como se resumisse a própria reunião com Trump, que durou aproximadamente três horas, entre a conversa no Salão Oval e o almoço na Casa Branca.
Conselho de Segurança da ONU – “Falei muito com ele sobre a questão da mudança no Conselho da ONU. É preciso reformar a ONU e que ele, Trump, Xi Jinping, Putin, Macron e o primeiro-ministro da Inglaterra são as pessoas que têm responsabilidade de propor a mudança, porque eles são os membros permanentes do Conselho de Segurança.
Só eles podem tudo. Eles têm direito de veto. Eles têm direito de indicar a Secretaria-Geral da ONU. Nós somos coadjuvantes. Os outros países são coadjuvantes. Então, eu falei para ele, você poderia convidar o Conselho de Segurança para discutir, sabe, as guerras que estão acontecendo no mundo, como é que vai encontrar e fazer parte disso? Vocês podem fazer isso.
Por que não aumenta o Conselho de Segurança da ONU? O Brasil gostaria de participar, há muito tempo o Brasil briga. O México tem tamanho para isso, a Índia tem tamanho para isso, a Alemanha, o Japão, países como o Egito, países como a África do Sul, países como a Angélica, países como mais países africanos, a Etiópia tem 126 milhões de habitantes, a Indonésia tem 200 milhões de habitantes, ou seja, então, o que não falta é país para ajudar a que a ONU volte a funcionar em plenitude. Se a ONU funcionasse bem, poderia acabar metade dos conflitos que você tem armado na África.”
Interferência nas eleições brasileiras – “Olha, se ele [Trump} tentou interferir nas eleições brasileiras [em 2018], ele perdeu, porque eu ganhei as eleições. Eu acho que não é uma boa política um presidente de outro país ficar interferindo nas eleições de outro país.
É o princípio básico para que a gente não permita a ocupação cultural, política e a soberania de um outro país. Eu penso que a nossa relação com o Trump é uma relação sincera. Eu penso que, desde o primeiro encontro que nós tivemos, de 29 segundos, em Nova York, numa reunião da Assembleia Geral da ONU, até os telefonemas que nós fizemos, até o encontro da Malásia e até esse encontro de hoje, eu acho que evoluiu muito.
Eu tenho razões para acreditar que o Trump gosta do Brasil. E, por isso, eu quero que ele saiba que nós brasileiros temos interesse em fazer os melhores acordos com os Estados Unidos. E eu acho que, sinceramente, ele sabe a importância dos Estados Unidos.
Eu não acredito que ele vá ter qualquer influência nas eleições brasileiras, até porque quem vota é o povo brasileiro, sabe? E eu acho que ele vai se comportar como presidente dos Estados Unidos, deixando que o povo brasileiro decida o seu destino, como eu vou deixar que o povo americano decida o destino deles. É isso que vai acontecer. A nossa relação é muito boa, mas muito boa.
Minerais críticos e terras raras – “Olha, o que nós sabemos é que as chamadas terras raras e os minerais críticos são muito importantes, sobretudo, sabe, na questão dos armamentos dos países. O que nós dissemos para os Estados Unidos é que nós não temos veto a nenhum país que queira participar com o Brasil. O Brasil tem a obrigação de ter uma regulamentação em que o Brasil seja soberano, o Brasil tem a obrigação, sabe, de compartilhar com quem queira participar conosco, seja os Estados Unidos, a China, a Alemanha, a França, qualquer um que quiser, a Índia, o Brasil estará aberto a construir parceria.
O que nós não queremos é ser meros exportadores dessas coisas. Nós não queremos repetir o que aconteceu com a prata na América Latina, com o ouro, o que aconteceu com o ouro de cento e poucos anos no Brasil sendo mandado para fora, com minério de ferro, em que a gente, sabe, manda muito minério para fora e a gente poderia fazer um processo de transformação interna, que a gente não fez. Então, com as terras raras, a gente vai mudar de comportamento.”
Compartilhe esta notícia