Lula: ‘Por que não estabelecer jornada de trabalho diferenciada por categoria?’

(Foto: Ricardo Stuckert/PR)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs a representantes de trabalhadores, empresários e governos, na 2ª Conferência Nacional do Trabalho, que o debate sobre o fim da escala 6×1 no país seja construído de forma negociada, sincera, e que considere as especificidades de diferentes categorias trabalhistas. O presidente discursou na abertura da Conferência, em São Paulo. O tema do encontro é construir um diálogo social para a promoção de um trabalho decente no Brasil.
“Possivelmente a jornada dos entregadores de pizza é uma, diferente do sindicato dos trabalhadores da Mercedes Benz… Não é preciso carimbar todo mundo com a mesma coisa. É preciso não ter dois pesos, para favorecer um, e uma tonelada para prejudicar outros”, ponderou Lula.
Lembrando por várias vezes o seu papel de líder sindical na construção de acordos que levavam em consideração o desejo da maioria, Lula afirmou que “não há dono da verdade nesta encruzilhada do debate democrático”. Mesmo que seja aprovada uma jornada de trabalho única, segundo Lula, será necessário que os trabalhadores façam acordos específicos para cumpri-la.
O presidente criticou o “terrorismo” do discurso empresarial, por um lado, dizendo que a mudança de jornada quebra o país, e o discurso que vende facilidades e desconsidera desafios econômicos com a mudança, por outro. “Estamos tentando construir um conjunto de propostas que interessam empresários e trabalhadores, e ao país, para dar comodidade neste mundo nervoso, para que as pessoas tenham mais tempo de estudar, de ficar com a família, de descansar”, explicou o presidente.
O debate sobre o fim da jornada de trabalho está ocorrendo no Congresso, na Câmara e no Senado. Já há propostas que tramitam nas duas Casas. A jornada de trabalho máxima hoje, pela CLT, é de 44 horas semanais. O PT e o Governo Lula defendem uma redução da carga de trabalho, sem redução de salários, para que os trabalhadores possam ter ao menos dois dias de descanso por semana.
Lula disse que o governo não aceitará nenhuma proposta que prejudique os trabalhadores, mas também não apoiará qualquer prejuízo à economia. O presidente afirmou que sempre é melhor construir algo negociado do que ser obrigado a engolir uma proposta goela abaixo. “Vamos colocar o possível numa mesa de negociação”, defendeu Lula.
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