Machistas não passarão!

 

Izabel Nascimento, escri
tora de cordel, levantou 
a voz contra o machismo em um espaço de debates, certa de falar para os seus próprios. Deu com os burros n’água. Os arautos do patriarcado não perdoaram a sua ousadia, passaram a amaeçá-lanas redes sociais. Felizmente, o mulherio organizado fez frente ao absurdo. Abaixo, Daniela Bento membro Academia Sergipana de Cordel discorre sobre o episódio e vai além: publicizar todo e qualquer caso de machismo, sem dúvida pode corroborar para a desconstrução do mesmo,
Jornal do Dia – De acordo com Nota de Repúdio divulgada por diversos coletivos literários, a cordelista Izabel Nascimento é mais uma vítima do machismo. O que aconteceu, exatamente?
Daniela Bento – Primeiro, gostaria de agradecer o espaço, ao tempo em que esclareço que o episódio ocorrido com a Cordelista Izabel Nascimento foi apenas a ponta do iceberg, ele não se dá de modo isolado ou particularizado, ele se deu por conta do traço marcante do machismo estrutural presente na sociedade e consequentemente no cordel e por hora se tornou mais explícitos ante aos ataques direcionados a cordelista Izabel Nascimento. Porém a nota não reflete apenas esse ato isolado, que por si só já seria bastante relevante. Ele reflete os infinitos tipos e ataques machistas presente no cotidiano literário do cordel. 
Podemos dizer que o estopim que desencadeou esse episódio, foi a grande repercussão da sua participação na mesa de abertura do III Encontro Paraibano de Cordelistas, realizado no último dia 27 de junho, quando a mesma, entre outras questões, falou sobre o forte traço do machismo presente no universo do cordel. Desde atitudes de alguns cordelistas, ao tipo de escrita, onde as mulheres são retratas como objeto e ou estereotipadas, bem como, outros comportamentos, que vão desde depreciação desse fazer literário pelas mulheres, poucas ou nenhuma representatividade de mulheres em muitas antologias do gênero, para citar apenas algumas.  Isso foi o suficiente para que alguns resolvessem ataca-la nas redes sociais.
Mas os ataques vão desde o clássico de manterrupting, onde o homem interfere a fala de uma mulher para demonstrar que sabe mais sobre determinado assunto do que ela, mesmo nos casos em que a mulher é uma especialista naquilo que está dizendo.Nesse caso querendo saber mais de machismo e feminismo do que ela, que além de estudar o tema, sofre na pele. Na ação de alguns cordelistas sergipanos de descredibilizar a Academia Sergipana de Cordel (ASC), que tem uma diretoria feminina e até hoje teve suas ações mais focadas na literatura das mulheres, entre outras. Para tanto, alguns chegaram ao limite de contestar a capacidade literária de uma cordelista com mais de 30 anos de estrada e de apontar membros da referida academia como ‘não cordelistas’.
JD – A estratégia adotada para fazer frente ao episódio consiste em recolher assinaturas em um abaixo assinado, a fim de divulgar o caso. Em sua opinião, a exposição dos casos de machismo pode ter uma função pedagógica?
Daniela Bento – Eu acredito que sim. Uma vez que possibilita refletir junto a sociedade essa problemática. Abre um canal diálogo, onde podemos desnaturalizar ações e comportamentos que desvalorizam, discriminam e violentam as mulheres.
Refletir por exemplo, o fato do Brasilser o 5º país no ranking mundial de violência contra mulheres, aceitar que a cada 6 segundos uma mulher seja assediada no transporte público, são reflexos do machismo.
Então publicizar todo e qualquer caso de machismo, sem dúvida pode corroborar para a desconstrução do mesmo, uma vez que descontruir o machismo é também descontruir privilégios, posto que a ‘supremacia’ masculina é uma construção cultural do patriarcado e muitos não estão disposto a romper, mas é uma boa oportunidade.
JD – Há quem manifeste preocupação com a emergência de uma Cultura do Cancelamento. Como você responde a esse tipo de questionamento?
Daniela Bento – Com preocupação. Todo tipo de comportamento social que visa a segregação e exclusão de um sujeito e/ou de um pensamento, sem a devida discussão e reelaboração de pontos de vista é perigoso. Quando lançamos a Nota de repúdio não temos a intenção de ‘cancelar’ ninguém, mas de convocar cordelistas mulheres e homens para refletir suas práticas afim de construirmos uma sociedade menos tóxica.
JD – Qual a importância da representação feminina na Literatura?
Daniela Bento – O que faz a riqueza do mundo é a diversidade, logo a importância da representação feminina na literatura e em qualquer lugar produtivo é garantir essa diversidade. Vale destacar que quando falamos de representação feminina, ela também é diversa, mulheres pretas, indígenas, trans, com deficiências …
É,portanto, a ruptura com uma única literatura que secularmente é predominante branca, eurocêntrica, masculina e heteronormativa.
JD – Quais são as grandes autoras da Literatura sergipana? O que fazer para elas serem finalmente conhecidas dos leitores?
Daniela Bento – Essa é uma pergunta delicada, uma vez que falarei das que conheço, o conhecer, aqui, refere-se as que já li, então não significa dizer que sejam as únicas, e ainda que toda esse histórico patriarcal, seja em Sergipe ou na sociedade de uma forma geral, escorde muitos talentos. No campo da literatura de cordel, posso citar boas autoras que cuja suas obras estão mais acessíveis nas redes sociais e como instrumento pedagógico: Isadora Leite, Mariana Félix, Nilza Dias, Quitéria Gomes, Daiene Sacramento, Isis da Penha, Emily Barreto e Ana Reis que me vem agora a memória. Das cordelistas que já possuem um certo reconhecimento de público, para obras já publicadas: Ana Santana, Alda Cruz, e claro Izabel Nascimento.
Em outros gêneros, Alaíde Costa e Amorosa que embora sejam também cordelistas escrevem grandemente no verso livre, prosa e Aglaé Fontes, além de Alina Paim e Etelvina Amália de Siqueira boas autoras praticamente esquecidas no campo da leitura e pesquisa literária. E com certeza há muitas outras anônimas e ou desconhecidas minhas a serem reveladas.
Uma das formas de torná-las conhecidas, sem dúvida, é o estudo da literatura sergipana, desde a Educação Básica, mas também e sobretudo, como objeto de pesquisa nas Universidades.

Izabel Nascimento, escri tora de cordel, levantou  a voz contra o machismo em um espaço de debates, certa de falar para os seus próprios. Deu com os burros n’água. Os arautos do patriarcado não perdoaram a sua ousadia, passaram a amaeçá-lanas redes sociais. Felizmente, o mulherio organizado fez frente ao absurdo. Abaixo, Daniela Bento membro Academia Sergipana de Cordel discorre sobre o episódio e vai além: publicizar todo e qualquer caso de machismo, sem dúvida pode corroborar para a desconstrução do mesmo,

Jornal do Dia – De acordo com Nota de Repúdio divulgada por diversos coletivos literários, a cordelista Izabel Nascimento é mais uma vítima do machismo. O que aconteceu, exatamente?

Daniela Bento – Primeiro, gostaria de agradecer o espaço, ao tempo em que esclareço que o episódio ocorrido com a Cordelista Izabel Nascimento foi apenas a ponta do iceberg, ele não se dá de modo isolado ou particularizado, ele se deu por conta do traço marcante do machismo estrutural presente na sociedade e consequentemente no cordel e por hora se tornou mais explícitos ante aos ataques direcionados a cordelista Izabel Nascimento. Porém a nota não reflete apenas esse ato isolado, que por si só já seria bastante relevante. Ele reflete os infinitos tipos e ataques machistas presente no cotidiano literário do cordel. 
Podemos dizer que o estopim que desencadeou esse episódio, foi a grande repercussão da sua participação na mesa de abertura do III Encontro Paraibano de Cordelistas, realizado no último dia 27 de junho, quando a mesma, entre outras questões, falou sobre o forte traço do machismo presente no universo do cordel. Desde atitudes de alguns cordelistas, ao tipo de escrita, onde as mulheres são retratas como objeto e ou estereotipadas, bem como, outros comportamentos, que vão desde depreciação desse fazer literário pelas mulheres, poucas ou nenhuma representatividade de mulheres em muitas antologias do gênero, para citar apenas algumas.  Isso foi o suficiente para que alguns resolvessem ataca-la nas redes sociais.
Mas os ataques vão desde o clássico de manterrupting, onde o homem interfere a fala de uma mulher para demonstrar que sabe mais sobre determinado assunto do que ela, mesmo nos casos em que a mulher é uma especialista naquilo que está dizendo.Nesse caso querendo saber mais de machismo e feminismo do que ela, que além de estudar o tema, sofre na pele. Na ação de alguns cordelistas sergipanos de descredibilizar a Academia Sergipana de Cordel (ASC), que tem uma diretoria feminina e até hoje teve suas ações mais focadas na literatura das mulheres, entre outras. Para tanto, alguns chegaram ao limite de contestar a capacidade literária de uma cordelista com mais de 30 anos de estrada e de apontar membros da referida academia como ‘não cordelistas’.

JD – A estratégia adotada para fazer frente ao episódio consiste em recolher assinaturas em um abaixo assinado, a fim de divulgar o caso. Em sua opinião, a exposição dos casos de machismo pode ter uma função pedagógica?

Daniela Bento – Eu acredito que sim. Uma vez que possibilita refletir junto a sociedade essa problemática. Abre um canal diálogo, onde podemos desnaturalizar ações e comportamentos que desvalorizam, discriminam e violentam as mulheres.
Refletir por exemplo, o fato do Brasilser o 5º país no ranking mundial de violência contra mulheres, aceitar que a cada 6 segundos uma mulher seja assediada no transporte público, são reflexos do machismo.
Então publicizar todo e qualquer caso de machismo, sem dúvida pode corroborar para a desconstrução do mesmo, uma vez que descontruir o machismo é também descontruir privilégios, posto que a ‘supremacia’ masculina é uma construção cultural do patriarcado e muitos não estão disposto a romper, mas é uma boa oportunidade.

JD – Há quem manifeste preocupação com a emergência de uma Cultura do Cancelamento. Como você responde a esse tipo de questionamento?

Daniela Bento – Com preocupação. Todo tipo de comportamento social que visa a segregação e exclusão de um sujeito e/ou de um pensamento, sem a devida discussão e reelaboração de pontos de vista é perigoso. Quando lançamos a Nota de repúdio não temos a intenção de ‘cancelar’ ninguém, mas de convocar cordelistas mulheres e homens para refletir suas práticas afim de construirmos uma sociedade menos tóxica.

JD – Qual a importância da representação feminina na Literatura?

Daniela Bento – O que faz a riqueza do mundo é a diversidade, logo a importância da representação feminina na literatura e em qualquer lugar produtivo é garantir essa diversidade. Vale destacar que quando falamos de representação feminina, ela também é diversa, mulheres pretas, indígenas, trans, com deficiências …
É,portanto, a ruptura com uma única literatura que secularmente é predominante branca, eurocêntrica, masculina e heteronormativa.

JD – Quais são as grandes autoras da Literatura sergipana? O que fazer para elas serem finalmente conhecidas dos leitores?

Daniela Bento – Essa é uma pergunta delicada, uma vez que falarei das que conheço, o conhecer, aqui, refere-se as que já li, então não significa dizer que sejam as únicas, e ainda que toda esse histórico patriarcal, seja em Sergipe ou na sociedade de uma forma geral, escorde muitos talentos. No campo da literatura de cordel, posso citar boas autoras que cuja suas obras estão mais acessíveis nas redes sociais e como instrumento pedagógico: Isadora Leite, Mariana Félix, Nilza Dias, Quitéria Gomes, Daiene Sacramento, Isis da Penha, Emily Barreto e Ana Reis que me vem agora a memória. Das cordelistas que já possuem um certo reconhecimento de público, para obras já publicadas: Ana Santana, Alda Cruz, e claro Izabel Nascimento.
Em outros gêneros, Alaíde Costa e Amorosa que embora sejam também cordelistas escrevem grandemente no verso livre, prosa e Aglaé Fontes, além de Alina Paim e Etelvina Amália de Siqueira boas autoras praticamente esquecidas no campo da leitura e pesquisa literária. E com certeza há muitas outras anônimas e ou desconhecidas minhas a serem reveladas.
Uma das formas de torná-las conhecidas, sem dúvida, é o estudo da literatura sergipana, desde a Educação Básica, mas também e sobretudo, como objeto de pesquisa nas Universidades.

 

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