Gabriel Damásio
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Pode ter sido frustrada uma nova tentativa da polícia de capturar o traficante Adriano Gonzaga Santos, o ‘Mago’, considerado chefe do tráfico de drogas no bairro Santa Maria (zona sul de Aracaju) e um dos mais perigosos foragidos do estado. Ele é apontado como o homem que se envolveu em um tiroteio com soldados do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq), às 19h45 de anteontem, ao ser localizado na Avenida Tancredo Neves, bairro Jabotiana (zona oeste). O veículo foi cercado em um matagal próximo à Faculdade Pio Décimo, onde o confronto aconteceu. O atirador conseguiu escapar pelo matagal, enquanto os outros ocupantes, Wesley da Conceição, 21 anos, e Alessandra Alves de Araújo, 35, foi preso e autuado em flagrante por furto de veículo.
O trio estava em um carro GM Corsa prata que havia sido roubado 20 minutos antes, em frente a uma academia de ginástica na Atalaia (zona sul). O veículo, recuperado e levado à Delegacia Plantonista, pertence a um soldado da PM e tinha sido emprestado a um irmão dele que é professor de educação física e estava trabalhando quando o furto aconteceu. De acordo com o tenente-coronel Carlos Rollemberg, comandante do BPChq, o Corsa foi visto em atitude suspeita, circulando pela avenida com os faróis apagados.
"Os policiais fizeram uma manobra para o acompanhamento quando foram percebidos por aqueles que estavam no veículo. Foi o momento em que eles viraram à direita e entraram em uma área de matagal muito intenso. Um dos infratores saiu do veículo e disparou contra a guarnição. Os policiais prontamente reagiram e esse infrator não continuou com o tiroteio, entrou no matagal e, aproveitando-se da escuridão e das condições do local, conseguiu se evadir", contou o oficial. Após a fuga do atirador, os soldados do Choque cercaram o carro e renderam os suspeitos que ficaram, fazendo com que eles saíssem do carro com as mãos erguidas. Em seguida, eles prenderam o casal e seguiram as buscas por ‘Mago’, com reforços do Grupamento Especial Tático de Motos (Getam), do Batalhão de Radiopatrulha (BPRp), e do próprio Choque.
Rollemberg disse que a relação do casal com o traficante ainda será investigada com profundidade pela Polícia Civil, mas a principal suspeita é de que os acusados estariam prestes a fazer assaltos a mando do traficante. "A suspeita é de que eles estavam naquela situação para pagar uma dívida de drogas e que a presença dessa jovem dentro do veículo era para minimizar a suspeita da prática da infração e que eles estariam para fazer um assalto em algum lugar da capital", relata.
O comandante afirma ainda que a identificação do foragido como Adriano ‘Mago’, além de citada pelos próprios acusados em depoimento na Plantonista, foi indicada pelas próprias características da troca de tiros. "Pelo nível de combate que o Batalhão de Choque já teve com esse Adriano em duas ou três oportunidades anteriores, é típico dele fazer isso. Ele atira contra a polícia e foge entrando pelo matagal. Reage mesmo, está disposto a tudo, menos para ser preso. É uma característica dele, a forma de reação desse homem é igual à dele", descreve o tenente-coronel, frisando, contido, que a presença de ‘Mago’ ainda precisa ser mais investigada pela Polícia Civil.
Considerado de altíssima periculosidade, Adriano ‘Mago’ tem pelo menos quatro mandados de prisão em aberto por homicídio e tráfico, além de ser investigado por cerca de 20 homicídios. Ele chegou a ser preso em 29 de outubro de 2014, mas, dias depois, em 10 de novembro, fugiu da carceragem do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), no Capucho (zona oeste), com mais oito detentos. Em 21 de julho deste ano, "Mago" escapou de um cerco na rua A-7, onde trocou tiros com agentes do Cope e soldados do Comando de Operações Especiais (COE). Na ocasião, um homem que o acompanhava foi preso.
Outra tentativa foi a "Operação Concórdia", deflagrada pela SSP em maio deste ano para prender as duas quadrilhas que disputavam o controle do tráfico no bairro Santa Maria e causaram mais de 50 crimes no bairro, incluindo assaltos à mão armada, roubos de carros e homicídios. Na ocasião, um dos investigados morreu em um tiroteio e outros 28 foram presos, mas ‘Mago’, apontado como chefe de um dos grupos, fugiu. Em 28 de agosto deste ano, o Cope prendeu um funcionário comissionado do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), acusado de repassar informações sigilosas da Justiça para Adriano e outros integrantes do grupo.


