Maioria utiliza ônibus durante tratamento

Milton Alves Junior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Uma pesquisa de cam-po realizada ao longo dos últimos 15 dias pelo Jornal do Dia mostra que, diariamente, o Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) abre prontuário de 450 usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Destes, cerca de 370 utilizam unicamente o transporte coletivo urbano para chegar até à assistência médica. Apontado pelo Ministério da Saúde como o maior hospital público da região, que recebe, inclusive, pacientes oriundos dos estados da Bahia e Alagoas, a unidade atende cerca de 160 mil pessoas por ano e contabiliza um fluxo superior a dois milhões de transeuntes entre acompanhantes e servidores que atuam no local. Em termos estatísticos, os ônibus coletivos são responsáveis por conduzir mais de 1,7 milhão de pessoas até o Huse.

Para atender toda essa demanda, quatro paradas de ônibus estão estrategicamente instaladas nas intermediações do hospital que recebe ainda o suporte do Terminal de Integração Leonel Brizola, e do Terminal Rodoviário José Rollemberg Leite. Conforme destacado pela Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT), órgão público responsável por administrar o circuito do transporte coletivo nos municípios que formam a Grande Aracaju, o Huse ainda não possui um itinerário dedicado com exclusividade para os pacientes e acompanhantes que desejam chegar ao espaço, porém, seis linhas compostas por 22 veículos com rotas diferentes passam a cada cinco minutos por um destes quatro pontos de ônibus. A perspectiva para os próximos seis meses é de ampliação no número de coletivos que levam milhões de pessoas para a essencial assistência hospitalar.

Diante do caos vivenciado ao longo dos últimos anos pelo SUS no país, qualificar o transporte público tem sido uma forma a mais de tentar amenizar a dor daqueles que necessitam dirigir-se até o Huse. Segundo dados apresentados pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Município de Aracaju (Setransp), desde meados do ano de 2013 as empresas responsáveis pelo transporte coletivo já investiram mais de R$ 70 milhões na aquisição de novos carros, além de promover manutenção geral aos veículos em atuação há mais de três anos. Para o presidente do Setransp, Alberto Almeida, este progresso faz parte de um pacto positivo firmado com os usuários do sistema.

Ciente dos problemas ainda enfrentados diariamente pela população, em especial os portadores de necessidades especiais que tentam se dirigir ao Hospital de Urgência, o gestor destacou que ações que possam resultar em avanços já estão sendo debatidas. "É preciso concordar com a existência de alguns impasses ainda presentes na vida do passageiro, mas não podemos deixar de destacar as qualificações já atribuídas principalmente para os aracajuanos que se deslocam até o hospital em busca de atendimento. O maior número de veículos com estrutura de acessibilidade está justamente locado nessas linhas que transitam nas intermediações do Huse. Esta é uma forma de democratizar o sistema e atender aos passageiros mais necessitados", destacou.

Quanto ao quesito acessibilidade, os gestores envolvidos no campo do transporte público declaram atenção especial para a perspectiva de em até 30 anos, a população sergipana ser considerada de idade média avançada. Ou seja, caso a natalidade atual permaneça inferior às décadas anteriores, a tendência real é que Aracaju já em um futuro breve seja composta em maioria por idosos. "Estamos trabalhando para atender bem não só os idosos, e os futuros idosos, mas também a cadeirantes, gestantes, crianças e demais pacientes com dificuldade em se locomover com segurança. O aspecto acessibilidade tem sido explorado com atenção redobrada, e nada mais justo que ficar atento aos anseios dos usuários do SUS", pontuou.

Paralelo à preocupação apresentada por Alberto Almeida, pacientes e acompanhantes que necessitam do transporte coletivo para chegar ao Huse se mostram satisfeitos com a atual conjuntura assistencial proporcionada por sete empresas de ônibus em atuação na capital sergipana. Com base na pesquisa de campo realizada por este meio de comunicação entre os dias 05 e 11 de setembro, foi possível identificar que 36% deste público alvo avalia o sistema operacional como satisfatório; 31% como bom; 22% apontam regularidade; e 11% analisam como ruim. Em sete dias de pesquisa foram ouvidas 80 pessoas que transitavam na entrada principal do Hospital de Urgência, no acesso ao setor de oncologia, e no Terminal de Integração Leonel Brizola.

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