Milton Alves Júnior
Um levantamento preocupante reali- zado pelo setor técnico da Defesa Civil de Aracaju mostra que na capital sergipana mais de 1.800 unidades residenciais apresentam alto risco de sinistro, seja ele causado por inundação em casos de enchente, ou devido a desmoronamento. Alguns desses imóveis atingem o patamar de ‘risco muito alto’ de acidente. Na zona Norte a concentração em maior escala está nos bairros Soledade, Cidade Nova, Porto D’antas, Bairro Industrial e América; já na zona Sul esse indicativo de vulnerabilidade envolve, em especial, os bairros Santa Maria e 17 de Março. O estudo de campo indica a construção irregular desses imóveis como principal motivo para o indicativo de periculosidade.
Na divisão dos índices de alerta, são pelo menos 42 áreas com risco alto ou muito alto para deslizamento de terra, o que configura um total de 821 imóveis; já no contexto indicando risco de inundação, há um total de 21 áreas, o que perfaz um total de 1.059 imóveis construídos em áreas de riscos alto ou muito alto. Esses dados são oficiais apresentados pela Prefeitura de Aracaju por intermédio da Defesa Civil. Retratando um cenário de destruição registrado, inclusive, no ano passado, entre as regiões com maior indicativo de inundações estão o conjunto Jabotiana, e os bairros Bugio e Soledade. De acordo com o major Sílvio Prado, coordenador da Defesa Civil de Aracaju os novos estudos apresentam ampliação dos índices negativos.
O fato ocorre a partir do momento em que áreas antes apontadas como de alto risco, passam para o patamar de risco muito alto. O sistema comparativo utiliza como referência dados coletados entre os anos de 2013 e 2016 pelo Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais do Brasil (CPRM). Aos populares que porventura não possuam condições de mudar para um local apropriado, os técnicos orientam as famílias a não plantar árvores de grande porte. Em casos de chuvas intensas e natural absolvição em alta escala do solo, o risco de colapso aumenta e isso pode resultar em impacto direto nas casas. Possíveis inclinações de postes de energia e afundamento do piso das residências também precisam ser observados pelos moradores.
Entre as árvores de grande porte e comuns nessas regiões está a bananeira. Para o major Sílvio Prado, apenas adotando ações preventivas é possível diminuir os riscos de acidentes. "A gente verifica muito nessas áreas plantação de bananeiras, justamente uma árvore de grande porte e com raízes rasas, que não têm muita fixação; são as primeiras a caírem quando o solo está encharcado. Outra coisa a observar durante as chuvas são as árvores que têm algum tipo de inclinação, isso demonstra que está apresentando sinais de que existe movimentação de terra na base das suas raízes e ela está próxima a tombar", declarou. Em caso de risco, os moradores devem promover a evacuação imediata do imóvel. Em qualquer sinal apresentado, após a evacuação, a orientação é ligar para a emergência no 199.
Em comunicado oficial o major Silvio Prado enalteceu que: "a Defesa Civil de Aracaju formou nove Núcleos de Defesa Civil da Comunidade com prioridade para áreas de risco muito alto. Além de promover conhecimento sobre ações preventivas para essas comunidades, os grupos atuam como voluntários, auxiliando a Defesa Civil não só para ações preventivas, mas também estando aptos a contribuir em situação de sinistro. Todos passaram por capacitação e mantém contato frequentemente com os técnicos, colaborando com informações que auxiliam no monitoramento das áreas." O serviço de atendimento gratuito ao público funciona em escala de plantão, 24h.


