Milton Alves Júnior
Por falta de estrutura e professores, mais de 200 jovens estudantes matriculados em instituições de ensino administradas pela prefeitura da Barra dos Coqueiros estão sem aulas desde o primeiro dia de ano letivo, ocorrido no último mês de março. A denúncia foi apresentada esta semana ao JORNAL DO DIA através de pais de alunos que, impacientes com a continuidade do problema, decidiram denunciar o descaso. As queixas apresentadas pelos contribuintes também são impulsionadas pela direção do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Sergipe (Sintese). De acordo com a entidade de classe, o prefeito Alberto Macedo possui amplo conhecimento sobre o problema, mas segue sem receber a classe trabalhadora para discutir possíveis soluções para os problemas.
No final da tarde de ontem, por telefone, o secretário de comunicação da Barra dos Coqueiros, Elton Ricarty, confirmou o teor das denúncias. Conforme relatado pelo assessor da administração pública municipal, diante do avanço no combate da Covid-19, bem como à flexibilização vivenciada desde o mês de janeiro deste ano, foi possível se deparar com um aumento representativo no fluxo de pais e/ou responsáveis por alunos da rede fundamental em busca de matrículas. Essa falta de aula atinge, em especial, a Escola Professora Creuza Gomes dos Santos.
“A gente entende a reclamação, mas também estamos garantindo que todos os esforços estão sendo adotados para que o anexo em construção na escola possa ser concluído o mais rápido possível. Desde o início deste ano estamos percebendo um grande aumento no número de matrículas, e isso contribuiu para que a estrutura não suportasse e concedesse como deve ser, um ambiente adequado para iniciar o ano letivo”, declarou Elton. Segundo o gestor, além de Alberto, o secretário municipal da Educação, Professor José Marques, também segue acompanhando as etapas que envolvem a construção de prédio anexo à escola. Apesar dos esforços citados, não há previsão de quando as aulas serão iniciadas.
“Não consigo te precisar quantos adolescentes estão sem aula devido a esse problema, mas fica em torno de 200 à 250 alunos. Além de garantir que estamos erguendo um espaço adequando para essas atividades escolares, a prefeitura da Barra dos Coqueiros garante também que nenhum aluno será prejudicado. Todas as aulas pertencentes ao ano letivo serão cumpridas assim que o espaço estiver devidamente finalizado”, completou Elton. O JORNAL DO DIA também buscou conversar com o secretário da Educação José Marques sobre denúncias que envolvem o não pagamento do piso salarial dos professores, além de um possível quadro funcional abaixo do necessário. Apesar das tentativas, não obtivemos êxito.
Sintese – Desde a segunda quinzena de janeiro deste ano o Sindicato dos Professores busca dialogar com o prefeito Alberto Macêdo, mas de igual modo ao JD, também não consegue debater os respectivos pleitos; professores garantem que o vice-prefeito, Adailton Fontes Martins, também não recebe representantes do magistério. Diante da recorrente falta de reuniões envolvendo o Poder Executivo municipal e representantes da classe trabalhadora, os professores seguem pressionando a gestão para que solucionem os impasses e qualifique a educação pública oferecida aos moradores. A perspectiva por parte do Sintese é que já neste início de junho as manifestações no município sejam ampliadas.


