Milton Alves Júnior
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Cinco dias após a confir-mação de um vaza-mento de sete mil litros de óleo de tubulações da Petrobras, 170 agentes especializados nesse tipo de limpeza permanecem trabalhando em período integral a fim de recuperar todas as áreas atingidas pela mancha. Segundo avaliações realizadas pela direção da estatal, as praias da Caueira, em Itaporanga D’Ajuda, e Abaís e Saco, ambas no município de Estância, foram parcialmente prejudicadas pelo produto químico e o banho de mar permanece inviável até segunda ordem. Ao todo, 9,5 km foram atingidos. Diante da problemática, técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) cancelaram a soltura de tartarugas que estava prevista para o último sábado, 25.
Na manhã de ontem o superintendente do Ibama em Sergipe, Manoel Resende, não descartou a possibilidade de aplicar multas junto à Petrobras devido ao dano ambiental que pode causar à fauna marinha. "É preciso analisar todos os fatores que contribuíram para essa ocorrência e com cautela analisar se é válido ou não emitir algum tipo de punição. Infelizmente não podemos deixar de enaltecer que esse vazamento pode causar muitos óbitos à fauna marinha após os animais passarem a ter contato com o óleo. Estamos acompanhando cada progresso da limpeza", declarou. No início da noite de ontem as empresas responsáveis pela purificação das praias garantiu que 90% de toda a área atingida já haviam sido recuperados.
Ao contrário do que muitos órgãos ambientais têm repassado para a imprensa nordestina, o vazamento de óleo foi constatado inicialmente no último dia 10 de abril e desde então, autoridades estudam para entender o que pode ter ocasionado o crime ambiental. Também interessados em minimizar os danos, uma comissão formada por especialistas da Administração do Meio Ambiente está percorrendo na barragem de Xingó, que corta Sergipe e segue pelos municípios de Delmiro Gouveia (AL) e Paulo Afonso (BA), e colhendo amostras das águas. A perspectiva dos biólogos é que o resultado seja apresentado em até 15 dias. O sinistro ocorreu no duto que interliga as plataformas de produção PCM-5 e PCM-6, no campo de Camorim, na Bacia de Sergipe-Alagoas.
"Análises também estão sendo realizadas na Praia de Mangue Seco onde houve registro do vazamento. Outro fator que nos causa preocupação está na saúde da fauna marinha. Os camarões, por exemplo, que passam por um período de defeso, podem ser atingidos diretamente por este óleo. Além de morrer, eles também podem ter o consumo contraindicado por um tempo", informou Manoel Resende. Até a última sexta-feira, 24, a equipe de limpeza era formada por 120 agentes. A Petrobrás decidiu ampliar o efetivo a fim de agilizar o processo de neutralização.
Medidas paliativas – As plataformas PCM-5, PCM-6, PCM-8 e PCM-9 permanecem com a produção paralisada até a plena recuperação do duto. Essas plataformas são responsáveis pela produção de 300 barris de óleo por dia (o que corresponde a 0,7% da produção diária de óleo da Unidade de Operações de E&P de Sergipe e Alagoas) e de 60 mil m3 de gás natural por dia (equivalente a 1,3% da produção de gás da Unidade).


