Milton Alves Júnior
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Na tarde de ontem milhares de manifestantes ocuparam as ruas e avenidas do Centro de Aracaju a fim de mostrar o apoio ao fortalecimento da democracia no país e contra ao processo de impeachment aberto há 15 dias pela presidência da Câmara dos Deputados contra a presidente Dilma Rousseff (PT). Além de populares e representantes de partidos políticos que formam a base de apoio ao governo do Partido dos Trabalhadores, e do PMDB, na figura do vice-presidente Michel Temer, centrais sindicais também apoiaram o movimento. Cerca de 5 mil pessoas participaram do ato público que ocorreu em Sergipe, além de outras 18 capitais.
Com frases de ordem contra um possível ‘golpe’ contra o desenvolvimento democrático do país, os manifestantes se concentraram na praça General Valadão e seguiram pela rua Arauá até a avenida Barão de Maruim. Presente no ato, o ex-deputado Rogério Carvalho voltou a parabenizar o povo sergipano que soube respeitar com zelo as manifestações do último domingo pró-impeachment organizada por aproximadamente 500 pessoas, e ontem ‘invadiu’ de forma pacífica as vias públicas para atender ao pedido nacional das centrais sindicais. Carvalho disse reconhecer o momento difícil em que se depara o Governo Federal, mas não acredita que interesses pessoais de parlamentares da oposição irão conseguir derrubar uma gestão eleita pelo voto popular.
"Se está na Constituição Federal o direito de pedido de impeachment, todos devem se sentir à vontade para realizar, porém é preciso que se prove os motivos reais que o levam a protocolar a ação. Como não existe, voltamos às ruas para reforçar o direito de governarmos até 2018, período no qual milhões de brasileiros decidirão nas urnas. Não vai ter golpe contra a democracia brasileira", declarou. Esta foi a terceira manifestação pró-Dilma Rousseff realizada neste ano de 2015. Assim como ocorreu nas edições anteriores, o ato foi promovido pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), em parceria com a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), e apoiada pelo Movimento dos Sem Terra (MST).
Grêmios estudantis e demais movimentos sociais como o ‘Levante-se Popular’ – coordenado por docentes da Universidade Federal de Sergipe (UFS), também compuseram a marcha. Na luta pelo direito de expressão e por valorização da ética na imprensa nacional, o Sindicato dos Jornalistas de Sergipe (Sindijor/SE) esteve representado pelo presidente Paulo Souza. "Não estamos aqui para defender Dilma, Temer, ou qualquer gestor, a nossa categoria vem a público para pedir que o direito constitucional de democracia seja respeitado por todos. Vencemos o período da Ditadura Militar, conquistamos a tão sonhada democracia e agora não podemos aceitar que um pedido infundado de impeachment desorganize um país que sofre com crises em vários setores", disse.
Munidos de bandeiras do Brasil e a cara parcialmente pintada nas cores verde e amarelo, centenas de militantes pediam a cassação dos mandatos dos deputados Eduardo Cunha – atual presidente da Câmara dos Deputados, e André Moura – parlamentar sergipano pelo PSC que forma a elite que defende os interesses de Cunha.
Eliane Aquino, esposa do ex-governador Marcelo Déda, foi uma das coordenadoras da campanha de Dilma Rousseff em Sergipe. Na avaliação da militante política, existe um complô manipulado por grupo de deputados que tentam salvar o respectivo mandato diante do impeachment da presidente da república. "Infelizmente Sergipe foi citado essa semana no Jornal Nacional por meio de um deputado que possui pendências sérias no STJ e tenta derrubar sem provas cabíveis a presidente que foi eleita de forma honesta e com o voto popular. Muitos não olham para os próprios problemas e ainda não aceitaram a derrota nas urnas em outubro do ano passado", afirmou.
A macha popular foi acompanhada por agentes da Polícia Militar e por profissionais da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT). Nenhum conflito entre grupos de opiniões opostas foi registrado.


