Manutenção de equipamento

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) que necessitam de assistência médica junto ao departamento de oncologia do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) voltaram a interromper os respectivos tratamentos em decorrência de nova pane mecânica no aparelho de Radioterapia. Conforme denunciado na manhã de ontem por pacientes e acompanhantes, desde o mês de junho a Bomba do Chiller, equipamento utilizado para resfriar a máquina e mantê-la funcionando, vem apresentando constantes problemas técnicos. Há dez dias um problema semelhante foi registrado pelo Jornal do Dia, quando, na oportunidade, mais de 20 pessoas foram impossibilitadas de seguir com os serviços clínicos.

Segundo contabilidade da Secretaria de Estado da Saúde (SES), em Sergipe atualmente 63 pessoas permanecem na fila de espera para dar início ao tratamento de câncer. Já na tarde de ontem o órgão governamental destacou a necessidade de agilizar a manutenção do equipamento a fim de evitar que a demanda de assistência não viesse a aumentar. Desta vez, uma atualização no software do equipamento contribuiu para que o sistema fosse suspenso por algumas horas. Apesar do reparo realizado ontem, e previsão de reinício das assistências para a manhã desta sexta-feira, muitos pacientes temem que o problema volte a acontecer e prejudicar os sergipanos.

Além da demanda estadual, o Huse também é responsável por atender pacientes com câncer oriundos de estados como Bahia e Alagoas. "Infelizmente essa é a terceira vez que o serviço para e com ele o nosso tratamento. Será que é tão difícil entender que estamos nos referindo a vidas que estão em jogo? Como se não bastasse a tecnologia e os medicamentos, precisamos de autoestima para vencer o câncer. Chegar aqui e ver que a máquina está quebrada novamente não tem esse que saia daqui satisfeito e acreditando na vitória a favor da vida. Quem vai me garantir que essa máquina não vai falhar novamente?", indagou a paciente Ana Cláudia Ramos, que desde maio é atendida pela oncologia do Hospital de Urgência.

Compartilhando com as declarações de Ana Cláudia, Helena Silva, que desde março acompanha a mãe em tratamentos oncológicos, a reincidência destas panes maquinarias contribui diretamente para causar medo e angústia junto aos próprios pacientes. Na avaliação da denunciante, o fator psicológico é fundamental nessa etapa do processo de recuperação da saúde, e suspender um atendimento por falta de material é sinônimo de retrocesso. "Mais uma vez um problema nessa máquina deixa todo mundo de cabelo em pé. Pode parecer pouco para quem não vivencia essa batalha, mas qualquer um dia sem essa assistência reduz e muito as esperanças de vida. Sinceramente, chegar aqui no Huse e ser informado que não teremos atendimento é o mesmo que tomar um banho de água fria", lamentou.

A direção do Hospital de Urgência de Sergipe reforçou a garantia que a partir desta manhã o sistema estará devidamente dentro da normalidade. Já sobre os pacientes que não foram atendidos na manhã de ontem, a perspectiva é que em curto prazo novas datas sejam marcadas de acordo com a disponibilidade de cada cidadão usuário do sistema. Em caso de novas suspensões do serviço, o Huse garantiu que comunicará o fato para todos os usuários com antecedência a fim de evitar maiores transtornos.

Compartilhe esta notícia