Milton Alves Júnior
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Um aumento inesperado de 10% no número de pacientes na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL), em Aracaju, causou transtornos para dezenas de usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) que buscavam por atendimento durante todo o dia de ontem. Em decorrência da real falta de leitos e superlotação do espaço, profissionais da área de medicina que atuam na unidade hospitalar decidiram seguir até a Delegacia Plantonista e denunciar o problema que desestabilizou o sistema de urgência e emergência. Segundo dados apresentados pelos servidores, nas últimas 48 horas mais de 20 mulheres estavam em trabalho de parto, e mais de 40 aguardavam pelo procedimento. O Conselho Regional de Medicina (CRM) foi acionado para checar as irregularidades.
Ao analisar as denúncias, a presidente do conselho, Rosa Amélia, confirmou a veracidade dos problemas e avaliou a situação como um ‘risco’ para as gestantes. Para tentar regularizar o sistema uma comissão formada por técnicos do CRM já deu início a produção de um dossiê o qual irá expor em fotos e textos a situação de calamidade estrutural. Esse documento será revisado pela diretoria do conselho e em seguida encaminhado para órgãos estaduais e federais de fiscalização, incluindo o Ministério Público Estadual (MPE), através da Promotoria de Direitos à Saúde. Em decorrência da falta de leitos, mulheres prestes a dar à luz estariam sendo ‘acomodadas’ de forma paliativa em macas e sendo encaminhadas para a sala de cirurgia.
Mostrando-se preocupados com a situação apresentada, os promotores de justiça Nilzir Soares, Antônio Forte e Fabio Veigas voltam a se reunir hoje a fim de aprofundar as investigações e definir uma data para realização de audiência pública. De acordo com Veiga, é fundamental que esses relatórios sejam concluídos em curto prazo a fim de agilizar o diálogo junto a gestores estaduais. "Estivemos visitando a maternidade e alguns problemas foram sim detectados. Vamos listar os erros e exigir soluções emergenciais para que o paciente do SUS não volte a se deparar com impasses. Nos encontraremos novamente nessa manhã para prosseguir com os estudos", afirmou.
Para a administradora Eliane Nunes, está cada vez mais difícil trabalhar com ética na maternidade que, a cada nova semana, apresenta maior precariedade estrutural e ampliação de demandas. A esperança dos funcionários que atuam diariamente na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes é que o MPE e o CRM possam adotar determinações judiciais que possam contribuir para a evolução do sistema. Procurada pela imprensa, Eliane voltou a fazer graves denúncias. "Toda essa situação é de deixar qualquer pessoa impressionada. Isso ai não é uma maternidade, e sim, um abrigo antiaéreo, um acúmulo de pessoas. As pacientes estão tendo os bebês nas cadeiras, correndo o risco de caírem. Quando são levadas ao centro cirúrgico, voltam porque não tem vaga e isso contribui para a superlotação", declarou.
Durante a visita dos profissionais, acompanhantes de vários pacientes buscaram os juristas com a esperança de agilizar o procedimento médico. Entre estas pessoas estava Maria Judite, de 64 anos, que acompanhava a filha com nove meses de gestação. Para ela, falta interesse político e administrativo para envolver as secretarias de saúde em busca de melhorias. "Tenho certeza que se por um acaso o governo quisesse resolver esse problema aqui, já teria resolvido. Falta vontade de trabalhar e espero que o Ministério Público resolva esse caso de uma vez porque não quero sair daqui sem minha filha, nem como o meu neto. Por isso procurei o promotor pra pedir ajuda", disse a aposentada.
Confirmação – Através de nota oficial emitida pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), foi confirmada a irregularidade no atendimento da Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, destinada para atendimento de pacientes de alto risco. Desde às 7 horas a unidade operou acima da sua capacidade e recebeu pacientes de baixo risco. "A unidade vem atendendo, ainda, a gestantes vindas de municípios da Bahia e de Alagoas, fronteira com Sergipe. Com 69 leitos, a MNSL recebeu 74 pacientes. O Centro Obstétrico tem capacidade para 17 pacientes e recebeu 19. A UTIN possui 34 leitos e recebeu 38 pacientes. A sobrecarga da unidade girou em torno de 10% de pacientes a mais. Em outros setores, operou dentro do limite", publicou.


