Cândida Oliveira
candidaoliveira@jornaldodiase.com.br
A urgência da pediatria e o atendimento a parturientes não estão sendo realizados na Maternidade Santa Isabel, em Aracaju, desde quarta-feira, dia 8. Era fácil ver ontem durante todo o dia gestantes e mães com crianças voltando para casa sem atendimento. A direção da unidade de saúde não descarta o fechamento definitivo do local por falta de repasse municipal e estadual. Diariamente o local atende mais de 100 pessoas no setor de pediatria e 35 na maternidade.
Segundo a assessora de comunicação da Maternidade, Rafaela Rodrigues, a dívida da Secretaria de Saúde de Aracaju e da Fundação Hospitalar de Saúde com a unidade de saúde é de R$ 10 milhões. "O município nos deve R$ 8 milhões, sendo R$ 3 milhões do ano de 2010 e R$ 5 milhões do ano passado. Inclusive já sabemos que a verba já está com eles, no entanto nada foi repassado", explicou. O contrato entre a Maternidade e a Secretaria é no tocante à realização de partos, cirurgias eletivas, atendimento de urgência e atendimento pediátrico.
Já a Fundação Hospitalar de Saúde está com atraso de 5 meses no pagamento. "Para a fundação locamos leitos na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal. Esses leitos atendem bebês que nascem em outras maternidades. A dívida da fundação já chega a R$ 2,015 milhões", relatou Rafaela.
Pressão – Ela informou ainda que FHS tem prazo de 48 horas, que termina hoje, para resolver a situação. "Não temos como realizar atendimentos, sem conseguir pagar os fornecedores já estamos sem material e medicação para procedimentos clínicos. O hospital é beneficente e 100% dos seus pacientes são do Sistema Único de Saúde. O que ainda resta de dinheiro no caixa é para pagar prioritariamente os funcionários".
Ofícios foram enviados no dia 6 de janeiro para as duas secretarias informando sobre o problema e solicitando reunião em caráter de urgência. "Ainda não tivemos resposta", disse Rafaela.
A assessora de comunicação da Secretaria de Saúde de Aracaju, Cristina Rochadel, comentou que há uma pressão desnecessária do hospital, já que o repasse referente ao mês de dezembro já foi realizado. "R$ 1.609 milhão já foi depositado na conta da maternidade. Sendo R$ 500 mil creditados na segunda-feira, dia 6, e o restante ontem, quarta-feira. O pagamento pendente não tem como ser feito, pois dependemos do repasse da Secretaria de Estado da Saúde". A Secretaria de Estado da Saúde não deu esclarecimentos sobre o assunto.
Agentes de saúde entram em greve na terça-feira
Kátia Azevedo
katiaazevedo@jornaldodiase.com.br
Sem acordo com a Prefeitura de Aracaju para o pagamento integral de incentivo de custeio no valor de R$ 950,00, previsto na portaria federal 260/2013, os agentes de saúde e de combate às endemias entram em greve a partir da próxima terça-feira,14 de janeiro.
Ontem pela manhã, logo cedo, os agentes se concentraram em frente do prédio do Centro Administrativo Prefeito Aloísio Campos e depois foram recebidos em reunião pelos secretários municipais de Governo, Marlene Alves Calumby, e de Administração, Edgar Silveira. A expectativa era que fosse apresentada uma proposta pela prefeitura para viabilizar o cumprimento do valor determinado pela portaria.
"As negociações não avançaram. Durante a reunião fomos informados que os secretários estarão discutindo o projeto para entregarem em seguida ao prefeito João Alves Filho. Somente depois disso é que a gestão municipal vai apresentar a proposta para a categoria. Não há sequer uma data. Diante desta situação faremos uma greve a partir de terça-feira", informou Vinícius Ribeiro, diretor de comunicação do Sindicato dos Agentes Comunitários de Saúde e de Combate a Endemias do Município de Aracaju (Sacema).
A greve foi decidida em assembleia geral realizada após a reunião com os gestores municipais. Com atividades paralisadas nos últimos três dias, os agentes vêm se mobilizando desde o final do ano passado para fazer valer o pagamento do benefício, mas as negociações iniciadas em dezembro acabaram sendo prejudicadas.
Hoje, quinta-feira, a categoria retorna ao trabalho, retomando os serviços de atendimento domiciliar do Programa Saúde da Família, combate à dengue e inspeções na área de zoonoses. Na avaliação da diretoria de comunicação do sindicato, a paralisação dos últimos três dias fortaleceu a mobilização da categoria em defesa do cumprimento da portaria. "Cerca de 600 agentes que atuam em Aracaju aderiram à paralisação de advertência e ontem estiveram presentes na manifestação", destaca Vinícius Ribeiro.
Ele disse ainda que a suspensão das atividades foi informada formalmente para a secretaria através de oficio enviado pelo sindicato com o objetivo de fazer uma prévia comunicação aos usuários das unidades básicas de saúde.
De acordo com a categoria, a prefeitura pagou até agora somente R$ 400,00 do auxilio fardamento. Este valor é previsto em lei elaborada pela prefeitura e aprovada pela Câmara Municipal de Vereadores.
A reportagem procurou a Secretaria Municipal de Governo para falar sobre o assunto, mas não possível o contato.


