Mecânico é esfaqueado ao separar briga no Bugio

O mecânico Cleberson Santos de Jesus, 25 anos, morreu por volta das 22h de domingo, quando tentou apartar uma briga durante o Fest Gay do Bugio, na praça principal do Conjunto Bugio (zona oeste de Aracaju). O crime aconteceu junto ao palco principal do evento, perto de uma barraca de lanches onde a vítima trabalhava com os pais. De acordo com testemunhas, Cleberson levou uma facada na cabeça, entre a nuca e o ouvido. O suspeito de cometer o crime ainda não foi oficialmente identificado, mas, segundo a polícia, a principal suspeita é de que ele seja ligado a uma torcida organizada de futebol.

Parentes da vítima informaram que um adolescente de 16 anos, primo de Cleberson, se envolveu em um confronto que se formou entre integrantes das torcidas Trovão Azul, do Confiança, e Esquadrão Colorado (TEC). O mecânico estava na barraca do pai quando viu a briga e interveio para defender o primo, mas foi atingido pelas costas e morreu na hora. Uma banda que tocava na hora do show interrompeu sua apresentação e o público se dispersou, enquanto outros tentavam ajudar a vítima. "Estava uma briga de torcida, dentro da festa, entre TEC e Trovão, e quem deu a facada nele [Cleberson] foi um da TEC, porque ele foi tirar o rapaz [primo] que estava no meio da briga. O rapaz que viu tudo me disse: seu filho morreu de graça!", disse a dona-de-casa Anastácia, que convive com o pai do mecânico.  

A mãe biológica, Ana Lúcia Santos, também trabalhava na festa, mas alegou cansaço e foi para casa mais cedo. Acabou surpreendida com a notícia, dada pelo sobrinho. "Oh, meu Deus! Que se faça justiça, que esse não seja mais um crime impune. Meu filho não era nenhum usuário de droga, ele era trabalhador e sempre foi um homem do bem, não merecia isso. Eu vou lutar pra que haja justiça", lamentou ela, chorando muito.

Anastácia, por sua vez, é mais descrente. "Será que vai ter? Será? Não sei", disse, apontando ainda que a área do Fest Gay era cercada e a entrada de pessoas com facas, latas e garrafas era controlada por um grupo de seguranças. "Tinha tanta polícia aqui, detector de metal, não entrava garrafa… eu não sei como aconteceu, porque alguém entrou lá com uma faca e tirou a vida do meu filho. Foi questão de minutos", impressiona-se a madrasta.

O crime será investigado pelo Departamento de Homicídios da Polícia Civil (DHPP). O corpo de Cleberson foi enterrado ontem à tarde no Cemitério São João Batista, no Castelo Branco. O mecânico, que trabalhava na Viação Modelo, era casado e pai de um filho. (Gabriel Damásio)

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