Medicamentos seguem em falta na rede pública e nas farmácias

O levantamento nacional que contabilizou estes números foi feito entre os dias 25 de maio e 20 de junho, em mais de 2.469 municípios.

Milton Alves Júnior

Menos de 72 horas após a Confederação Nacional de Saúde (Conasems) ter apresentado um levantamento o qual indica que em mais de cem hospitais, clínicas e/ou empresas de homecare sofrem com a ausência de diversos medicamentos, foi a vez de a Confederação Nacional dos Municípios revelar que 80,4% das prefeituras do país estão sofrendo com a falta de remédios e insumos básicos para atender à população que depende de medicamentos fornecidos pelo governo federal.
Em todos os 26 estados – mais o Distrito Federal -, a falta de soro fisiológico, por exemplo, atinge cerca de 87% dos locais pesquisados. Esse cenário não é vivenciado apenas por unidades de saúde; farmácias, sobretudo as populares, também enfrentam a escassez.
O levantamento nacional que contabilizou estes números foi feito entre os dias 25 de maio e 20 de junho, em mais de 2.469 municípios. Quanto ao impacto enfrentado pelas farmácias públicas e populares, os estudos mostram que estão faltando pelo menos 60 medicamentos, tanto de assistência básica, quanto da especializada.
Este conjunto de irregularidades no fornecimento e assistência é de amplo conhecimento por parte do Ministério da Saúde, em especial, quanto aos impactos provocados em unidades administradas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em nota pública, o governo federal apresentou contraponto sobre o assunto. A pasta alegou que trabalha para manter a rede de saúde abastecida.
Esclareceu também que diversas causas globais influenciaram a falta de remédios, que liberou o reajuste de preços dos medicamentos em falta e adotou medidas para reduzir impostos de importação de insumos.
Segundo o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde, na atual circunstância, entre os principais impasses está na falta de medicamento para contrastes, utilizados no combate de infecções bacterianas e contra asma, além de bronquite e enfisema. Apesar da pressão, não há perspectiva de quando esta situação generalizada deve voltar ao normal.
Em conversa com o JD, o gerente farmacêutico Geraldo Morales informou que todos os dias busca o sistema de informações nacionais – destinado a fornecedores e farmácias credenciadas -, para observar se os produtos voltaram a estar disponíveis. Este acompanhamento frequente tem como principal meta adquirir os medicamentos em falta, bem como deixar os consumidores bem informados.
“Eu tenho muito interesse em saber como está essa situação, até porque muitas pessoas passam todo santo dia aqui na farmácia perguntando sobre a regularização do estoque. Tanto todos nós desejamos adquirir os remédios para botá-los de volta nas prateleiras, como há essa preocupação em sempre deixar as pessoas cientes do problema que há muito tempo segue instável. Infelizmente quem sofre são as pessoas que necessitam destes medicamentos para dar seguimento aos tratamentos”, disse.

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