Milton Alves Júnior
O departamento de inteligência da Polícia Civil está investigando um homem, morador do município de Umbaúba, na região Sul de Sergipe, acusado de falsidade ideológica e exercício ilegal da profissão. Conforme consta nos autos do processo em tramitação, denúncias públicas foram feitas após uma idosa perder a vida poucos minutos subsequentes a um atendimento médico. Ao alegar despreparo profissional e negligência, os familiares da paciente se dirigiram até o suspeito e exigiram a apresentação da respectiva identidade funcional, com reconhecimento oficial no Conselho Regional de Medicina (CRM); o documento foi apresentado, era verdadeiro, porém pertencia ao irmão do suposto médico.
De acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP/SE), até o final da tarde de ontem não havia elementos que permitam estabelecer eventual relação entre o atendimento prestado e a morte da paciente. As circunstâncias do falecimento serão esclarecidas a partir da conclusão dos exames periciais e das demais diligências em andamento. Ainda conforme destacado pela SSP, peritos do Instituto Médico Legal (IML) foram acionados para a realização do exame necroscópico, que deverá apontar a causa da morte e subsidiar as investigações. Foi confirmado também que a Delegacia de Umbaúba apura duas frentes distintas relacionadas ao caso.
No que se refere à suposta prática de exercício ilegal da medicina, esta etapa da ocorrência será analisada por meio do Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) lavrado, enquanto as circunstâncias da morte da paciente serão investigadas em inquérito policial conduzido pela Delegacia de Umbaúba. Pesa contra a administração municipal o fato de o suspeito trabalhar normalmente em uma unidade do Sistema Único de Saúde de integral responsabilidade da prefeitura, bem como a possível ingerência ao não exigir constatação da identidade e do registro compatível ao expedido pela entidade de classe.
Em contraponto, a Prefeitura de Umbaúba informou por intermédio de nota pública que o acusado atendia irregularmente na unidade é um médico com Registro do Ministério da Saúde (RMS), habilitado para atender na atenção primária, e inclusive atende na cidade de Cristinápolis. “A administração tomou conhecimento da situação com a efetivação da condução e, de imediato, adotou as providências necessárias para garantir a continuidade do atendimento, realizando a reposição do profissional médico e assegurando que a unidade não permanecesse sem cobertura médica”, publicou.


