Kátia Azevedo
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Postos de saúde abertos, mas sem médicos. Pelo segundo dia consecutivo, os profissionais realizam uma paralisação para chamar a atenção da Prefeitura Municipal de Aracaju sobre o processo de negociação referente a melhorias salariais e condições de trabalho.
Em assembleia geral realizada na manhã de ontem a classe médica decidiu manter a paralisação hoje, como já tinha sido programado desde o dia 13 deste mês, quando a categoria suspendeu as atividades em protesto à falta de respostas às reivindicações da categoria.
Ontem, os médicos também descartaram temporariamente a greve e definiram que vão retomar às atividades amanhã, 22, até a apresentação de uma proposta por parte do executivo.
De acordo com Glória Tereza Lopes, da diretoria do Sindicato dos Médicos do Estado de Sergipe (Sindimed), os profissionais continuam mobilizados em torno do processo de negociação com o governo municipal e já estão com uma nova assembleia agendada para a tarde do dia 04 de junho, quando irão avaliar a contraproposta da Comissão Permanente de Negociação da Prefeitura de Aracaju que deve ser apresentada até o final de maio.
"Estamos discutindo as propostas de negociação de 2014 e aguardando a definição do cumprimento de pautas já acordadas com o governo municipal", informou. Entre algumas pautas em andamento está a proposta de pagamento dos interníveis a partir de maio e o valor retroativo aos meses anteriores em quatro parcelas. Outro ponto em discussão é o acordo sobre avaliação de desempenho, que abrange todos os médicos estatuários que atuam na rede de atenção primária, de urgência e especializada.
A categoria também está insatisfeita com o reajuste concedido pela prefeitura. "Não houve correção de perdas salariais, o que não gerou um ganho real", diz Glória Tereza. Além de pautas salariais, os médicos também reivindicam que a gestão municipal não implante as Organizações Sociais de Saúde (OSs) em Aracaju.
Para a classe médica, as organizações sociais representam a privatização da saúde pública. Os médicos alertam que a transferência deste tipo de atendimento para o setor privado prejudica diretamente todas as atividades-meio das unidades de saúde para empresas particulares com finalidade lucrativa, que passam a administrar a unidade por muitos anos, cobrando caro dos cofres públicos.
A categoria também quer discutir com o executivo municipal as precariedades das condições de trabalho e a falta de medicamentos nas unidades básicas de saúde, situações que já motivaram interdições de espaços de atendimento em Aracaju, a exemplo da UPA Nestor Piva e UPA Fernando Franco.
Com a paralisação, estão suspensos os serviços realizados pelos médicos do Programa Saúde da Família (PSF). Os atendimentos de urgência e emergência não sofreram alteração e estão com as escalas 100% completas.


