Médicos da PMA decidem suspender estado de greve

Em assembleia realizada na manhã de ontem a classe médica que presta serviços para a Prefeitura de Aracaju decidiu suspender o estado de greve diante da abertura de diálogo junto ao poder municipal, sem a interferência da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Conforme destacado na reunião realizada na sede do Sindicato dos Médicos de Sergipe (Sindimed), ao longo dos últimos três anos e dois meses o prefeito João Alves Filho não mostrou interesse em debater o pleito dos profissionais que atuam no campo da saúde pública. Carente de contrapropostas que agradassem à categoria, durante todo este período, apenas o secretário Luciano Paz estaria participando dos encontros administrativos.
Segundo esclarecimentos feitos pelo presidente do Sindimed, João Augusto de Oliveira, a categoria apresentou a proposta de pedido de demissão em massa devido ao não pagamento salarial dentro de cada mês trabalhado, além dos cortes financeiros que foram realizados pela administração municipal. A direção sindical informou na tarde de ontem que a decisão em suspender a proposta de demissão só foi possível diante do apoio obtido junto à secretaria de governo Marlene Calumby, e do próprio prefeito João Alves que, apesar de não ter participado do diálogo, teria determinado firmar acordos junto aos médicos.
"Como havíamos dito na última segunda-feira, nós não iremos mais conversar com gestor que não se compromete em respeitar o que foi acordado em reuniões anteriores. Se os médicos especialistas decidiram debater a probabilidade de pedir demissão de forma coletiva é porque continuar com a saúde pública da forma que estava não tem mais condições. Entramos em acordo e esperamos que novos avanços sejam conquistados já nos próximos dias", afirmou.
Durante o encontro ficou definido que a direção do Sindimed volta a promover assembleia geral na próxima terça-feira, dia 08, a partir das 19h na sede do sindicato. O foco do encontro é avaliar a reunião com João Alves, a qual deve ocorrer também no início da próxima semana.
Apesar de ter suspendido a proposta de demissão, a situação enfrentada administrativamente pelos médicos especialistas da PMA ainda é preocupante e já rendeu no pedido de demissão voluntária adotado por sete profissionais. "Depois de tanto tempo, o prefeito parece que se importou em dialogar com a gente. Sabemos que isso só ocorreu devido a nossa união e ameaça de deixar a gestão, por isso é preciso que a categoria continue pressionando a gestão para que possamos conquistar as nossas reivindicações", pontuou João Augusto.
Sobre as afirmações feitas pelo presidente, o diretor sindical José Menezes compartilhou com o conteúdo indagado e voltou a criticar a política administrativa adotada pelos gestores que compõem a SMS desde o retorno de João Alves para o comando da prefeitura. Segundo Menezes, que atualmente responde pela vice-presidência do Sindimed, os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), em Aracaju, são os principais prejudicados diante da nítida falta de interesse por parte do secretário em buscar entendimento junto aos especialistas. Ele não descartou a possibilidade de greve geral, ou pedido coletivo de demissão.
"No momento, ou seja, essa semana não haverá manifestação ou atitudes mais duras; mas nada impede que no próximo dia 8 os sindicalistas decidam adotar uma das duas possibilidades: greve ou demissão. Para que isso volte a ser discutido basta a prefeitura mais uma vez permanecer sem apresentar disposição e contrapropostas para se discutir nossos pleitos. Estamos lutando pelos nossos direitos e por melhoria imediata nas assistências oferecidas para todos os aracajuanos que necessitam do nosso trabalho", pontuou.

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