Médicos não vão trabalhar na UPA Nestor Piva

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Sem médicos, usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) ficaram sem atendimento na manhã de ontem na Unidade de Pronto Atendimento Nestor Piva, zona norte de Aracaju. Diante do problema, cerca de 50 pessoas voltaram a denunciar irregularidades na saúde do município e apontavam uma possível falta de punição a profissionais que não comparecem às UPAs. Paralelo à falta de profissionais, os populares enalteciam ainda a constante falta de medicamentos, ausência de informações e problemas nos equipamentos de ventilação mecânica. No início deste ano o Nestor Piva, a pedidos do Ministério Público Estadual (MPE), conselhos regionais de Enfermagem e Medicina, foi interditado por apresentar os atuais problemas e risco à saúde pública.

Segundo os pacientes, desde as 5h de ontem a informação é que as assistências médicas estavam suspensas em decorrência da falta dos médicos André Bernardes e Eduardo Aguiar, previamente comunicados que estariam na escala de plantão. Impacientes com a desordem administrativa, alguns usuários do sistema comunicaram o caso aos meios de comunicação e prometeram novamente denunciar as irregularidades junto aos órgãos estaduais de fiscalização. Presente na mobilização, o vereador Agamenon Sobral (PP) informou que o descaso na UPA já foi assunto declarado por ele durante três sessões plenárias na Câmara de Vereadores de Aracaju (CMA), mas até o momento não avalia ter registrado nenhum avanço.

Independente de fazer parte do grupo de apoio ao prefeito João Alves Filho (DEM), ele disse que foi eleito pelos aracajuanos para lutar pelos interesses populares. "Já fui criticado por colegas e até julgado como se tivesse tentando me promover, mas não é isso. O problema é que o atendimento no Nestor Piva é falho e apesar de ter sido interditado no início de março, até agora não identificamos nenhum progresso", disse. Após deixar o local, o parlamentar se dirigiu até um bar na Orla de Atalaia onde estava sendo lançada oficialmente a programação do Forró Caju 2014. No local, Agamenon se encontrou com o chefe do executivo municipal e relatou todos os descasos encontrados durante a visita à UPA.

Sem se estender no assunto ‘saúde’, João Alves disse entender que existem problemas no setor, mas que vem trabalhando para qualificar todos os postos de saúde, inclusive o Nestor Piva. Considerado o calcanhar de Aquiles da atual administração, o gestor afirmou que o progresso no atendimento ao SUS não passa de uma questão de tempo e criatividade, mas para isso é necessário que os populares tenham paciência junto à Prefeitura de Aracaju. "É um assunto delicado e que estamos tentando resolve-lo o mais rápido possível. Decidi permanecer na prefeitura especialmente para tentar resolver os problemas da saúde e nós vamos conseguir alcançar nossos objetivos. Precisamos do apoio dos pacientes para buscar soluções emergenciais", declarou o prefeito.

Por volta das 10h, um médico que não se identificou nem teve a identidade divulgada pela direção da UPA chegou ao local para atender os populares. De acordo com o pedreiro Cícero Freitas, esse tipo de situação é registrado todos os dias e as promessas governamentais não são mais aceitas pelos moradores. Desde as 6h30 aguardando por um atendimento, o paciente que estava acompanhando um familiar disse que só deveria deixar o local depois de mais três horas de espera. "Já viram quantas pessoas estão aqui esperando para serem atendidas? Eu só devo sair daqui no mínimo uma ou duas horas da tarde. Isso aqui é uma vergonha e ainda dizem que é de urgência e emergência", lamentou.

Irregularidades – Na manhã de ontem problemas semelhantes foram identificados na Unidade de Pronto Atendimento Fernando Franco, conjunto Augusto Franco. Sem atendimento, todos os pacientes eram aconselhados a buscar assistência médica em outros postos de saúde, inclusive no Nestor Piva. Segundo o auxiliar de administrativo Edson Silva, a saúde do estado está um caos em virtude do serviço municipal não atender a demanda diária. "Já estive hoje no Fernando Franco com minha esposa doente, com infecção urinária e eles disseram que lá não teria atendimento e nos mandaram pra cá. Resultado, daqui a pouco mandam a gente pro Huse e lá vai ficar ainda mais superlotado", afirmou.

Diante do tumulto e revolta dos populares a direção da unidade não se prontificou a conceder entrevistas. Já a Assessoria de Comunicação da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou que o atraso dos médicos é de conhecimento dos gestores, mas que às 11h os atendimentos já haviam sido normalizados.

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