Meia verdade

 

* Rian Santos
Mera coincidência, 
após a denúncia 
realizada por este jornalista que vos escreve, o prefeito Edvaldo Nogueira fez questão de declarar a felicidade provocada pela "restauração" da escultura assinada por Zé Fernandes no escopo do projeto Caju na Rua. Cá, nesta pagina de Cultura, fazemos coro. Mas trata-se de meia verdade. De fato, o trabalho de Zé Fernandes foi preservado, motivo de toda a alegria do mundo. O mesmo não pode ser dito, entretanto, de peças com o mesmo valor simbólico, a começar pelo caju de Alan Adi.
Embora a assinatura de Alan Adi não tenha o mesmo apelo popular das pombas e madonas de Zé Fernandes, trata-se justamente de um dos raros artistas sergipanos reconhecidos em âmbito nacional. Mas Alan não se ocupa de comércio, não figura no acervo dos colecionadores mais propensos aos rapapés das colunas sociais. E só por isso não é cortejado pelos poderosos, não é sempre citado em letra de imprensa, como merece.
Apesar do relativo silêncio que pesa sobre o seu trabalho, poucos profissionais em atividade na terrinha já ousaram tanto, a ponto de crescer e aparecer nos grandes centros urbanos, onde verdadeiramente viceja um mercado de arte. Graduado em letras, o artista mantém uma produção das mais profícuas, participou de exposições em São Paulo, Belém, Brasília, Rio de Janeiro e Fortaleza. 
Alan Adi foi um dos premiados do III Prêmio EDP nas Artes do Instituto Tomie Ohtake e vencedor do Prêmio BNB de Cultura, em 2008, na categoria Artes Integradas. Como se não bastasse tanta experiência, ele também se consagrou entre os finalistas do Prêmio Marcantonio Vilaça, o mais prestigiado do Brasil.
O prefeito Evaldo Nogueira correu para as redes sociais a fim de celebrar o traço singular de Zé Fernandes. Este não deixar de ser um dado positivo. De poderosos toscos, já nos basta o presidente Bolsonaro. Cá entre nós, no entanto, aguardo manifestação do prefeito a respeito de artistas visuais em pleno viço, dispostos a pintar o diabo, aqui e agora, cujo trabalho foi criminosamente APAGADO com o patrocínio da Emsurb. A exemplo de Alan Adi.
* Rian Santos, jornalista.

* Rian Santos

Mera coincidência,  após a denúncia  realizada por este jornalista que vos escreve, o prefeito Edvaldo Nogueira fez questão de declarar a felicidade provocada pela "restauração" da escultura assinada por Zé Fernandes no escopo do projeto Caju na Rua. Cá, nesta pagina de Cultura, fazemos coro. Mas trata-se de meia verdade. De fato, o trabalho de Zé Fernandes foi preservado, motivo de toda a alegria do mundo. O mesmo não pode ser dito, entretanto, de peças com o mesmo valor simbólico, a começar pelo caju de Alan Adi.
Embora a assinatura de Alan Adi não tenha o mesmo apelo popular das pombas e madonas de Zé Fernandes, trata-se justamente de um dos raros artistas sergipanos reconhecidos em âmbito nacional. Mas Alan não se ocupa de comércio, não figura no acervo dos colecionadores mais propensos aos rapapés das colunas sociais. E só por isso não é cortejado pelos poderosos, não é sempre citado em letra de imprensa, como merece.
Apesar do relativo silêncio que pesa sobre o seu trabalho, poucos profissionais em atividade na terrinha já ousaram tanto, a ponto de crescer e aparecer nos grandes centros urbanos, onde verdadeiramente viceja um mercado de arte. Graduado em letras, o artista mantém uma produção das mais profícuas, participou de exposições em São Paulo, Belém, Brasília, Rio de Janeiro e Fortaleza. 
Alan Adi foi um dos premiados do III Prêmio EDP nas Artes do Instituto Tomie Ohtake e vencedor do Prêmio BNB de Cultura, em 2008, na categoria Artes Integradas. Como se não bastasse tanta experiência, ele também se consagrou entre os finalistas do Prêmio Marcantonio Vilaça, o mais prestigiado do Brasil.
O prefeito Evaldo Nogueira correu para as redes sociais a fim de celebrar o traço singular de Zé Fernandes. Este não deixar de ser um dado positivo. De poderosos toscos, já nos basta o presidente Bolsonaro. Cá entre nós, no entanto, aguardo manifestação do prefeito a respeito de artistas visuais em pleno viço, dispostos a pintar o diabo, aqui e agora, cujo trabalho foi criminosamente APAGADO com o patrocínio da Emsurb. A exemplo de Alan Adi.

* Rian Santos, jornalista.

 

Compartilhe esta notícia