Mendonça anuncia equipe e diz que quer unificar polícias

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Depois de mais de duas semanas de expectativa, as mudanças na cúpula da Secretaria da Segurança Pública (SSP), a ser assumida no próximo dia 3 de fevereiro pelo deputado Mendonça Prado (DEM), são agora conhecidas da população sergipana, que já deposita sobre ela a grande responsabilidade de frear o assustador crescimento da criminalidade em todo o estado, sobretudo do tráfico de drogas, dos homicídios e dos assaltos à mão armada. Os novos nomes da equipe de Mendonça Prado foram anunciados ontem pelo próprio, o qual ressaltou esta responsabilidade ao definir uma meta para os seus futuros subordinados: os índices de ocorrências devem começar a baixar dentro de, pelo menos, 90 dias.

"Nós vamos adotar nos primeiros 90 dias um plano emergencial de trabalho, porque nós temos altos índices de violência em determinados locais, e precisamos ter uma ação mais efetiva para reduzir estas taxas. Nós vamos trabalhar com o objetivo de criar nestes próximos meses uma firme sensação de segurança na população sergipana", assegura Mendonça, frisando que vai trabalhar em todo tempo com as estatísticas criminais registradas pelas polícias Civil e Militar e, em cima delas, definirá as metas de redução de taxas.

O futuro secretário também destacou que a fase emergencial virá acompanhada de um plano estratégico para melhorar a estrutura e o funcionamento da Segurança Pública no estado, prevendo inclusive a integração e até a unificação das polícias Civil e Militar. "Nós queremos a união das duas polícias para que o nosso plano seja eficiente, que as ações sejam otimizadas. E só vamos lograr êxito nisso se a participação de todos for efetiva. Para mim, todos os policiais e servidores são importantes e competentes, têm um papel fundamental na Segurança", disse ele, destacando também que três dos delegados indicados para a cúpula da Civil são ex-policiais militares.

Mendonça também disse que o plano da SSP será adequado à realidade econômica do governo, que enfrenta uma crise financeira e um programa de cortes de gastos, mas quer convocar mais servidores aprovados nos concursos recentes das polícias Civil e Militar e da Coordenação Geral de Perícias (Cogerp) – que ainda terá os seus diretores definidos.  Ele prometeu ainda uma "relação democrática" com os policiais e as entidades de classe que os representam, ouvindo os pedidos de melhoria de condições de trabalho e resolução de questões relativas à carreira.

Estas questões estruturais e burocráticas serão geridas pela advogada Rosenice Figueiredo, integrante da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/SE). Ela vai ocupar a Superintendência Executiva da SSP e terá funções semelhantes às do delegado João Batista Santos Júnior, que era secretário-adjunto da pasta e agora deixa o governo. "Ela será os meus olhos e meus ouvidos na implementação dos atos administrativos. Não estará diretamente ligada às ações policiais, mas será uma gestora que conheço há muitos anos e me ajudará muito na SSP", disse o deputado.

Mudanças – Prado optou por mexer mais nos cargos de direção da Polícia Civil, indicando que pretende dar mais agilidade e resultados nas investigações de crimes. Para isso, escolheu delegados mais experientes para assumir os postos principais. A Delegacia-Geral do órgão (antiga Superintendência) vai ficar com Everton Santos, que tem 33 anos de carreira e já dirigiu o Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) e o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Nas suas gestões, as duas divisões foram reorganizadas, ganharam mais força e se destacaram pela resolução de crimes com grande repercussão local e nacional, sobretudo homicídios.

Após o anúncio, Everton informou que já começou a estudar as estatísticas criminais dos últimos meses para planejar ações concretas, conforme a maior demanda de policiamento. "Vamos buscar os números que estão elevando os índices de violência em Sergipe e conhecer quais são os horários e os momentos que acontecem os crimes. Sabemos que há registros de muitos homicídios no sábado à tarde, então a polícia tem que trabalhar no sábado à tarde. Se os crimes ocorrem à noite, madrugada ou feriado a polícia estará nesses locais e horários", ressaltou.

Uma das medidas cogitadas é a criação de mais uma delegacia metropolitana em Aracaju e a ampliação das delegacias plantonistas no interior. E elas podem ser respectivamente implementadas por outros dois delegados veteranos indicados para as coordenadorias regionais da Polícia Civil. Paulo Ferreira, na Capital, estava atualmente na Delegacia de Proteção ao Consumidor (Deprocoma), mas já foi superintendente da PC em 1995, no governo Albano Franco. E Joel Ferreira, no Interior, já foi coordenador da Capital em 2007, no governo Marcelo Déda.

Os comandos das corporações militares foram mantidos. Na Polícia Militar, o coronel Maurício Iunes prometeu fazer alguns ajustes no comando, conforme as promoções anuais dos oficiais e as metas definidas por Mendonça Prado. Ele também pretende ampliar algumas unidades comunitárias de policiamento, com a entrega de novos equipamentos, como coletes, armas e viaturas, a implantação de um novo sistema de comunicação digital e a adesão dos 670 PMs recém-integrados à corporação – com possibilidade de convocação de mais 600 PMs ainda neste ano.

Já no Corpo de Bombeiros, o coronel Reginaldo Dória disse que vai trabalhar igualmente pela autorização de um concurso para repor e ampliar o efetivo da corporação, além de reativar e ampliar os quartéis e destacamentos no interior do estado. "A nossa pretensão é abrir concursos para soldados e oficiais, haja visto termos oito anos sem concurso público na esfera do Corpo de Bombeiros. Vamos trabalhar interligado com a SSP para reforçar essa pretensão e conseguirmos alcançar esse objetivo", disse ele, prometendo ainda implementar cursos internos de qualificação para os militares.

Alguns dos novos membros da cúpula da SSP

Rosenice Figueiredo (superintendente executiva da SSP)
Jeferson Pires Alvarenga (Ceacrim – Centro de Estatística e Análise Criminal)

– Polícia Militar
coronel Maurício Iunes (comandante-geral)
coronel Jackson Nascimento (subcomandante geral)

– Corpo de Bombeiros
coronel Reginaldo Dória (comandante-geral)

– Polícia Civil
Everton Santos (delegado-geral)
José Gilberto Guimarães (Sisp – Subsistema de Inteligência e Segurança)
Carina Rezende (Dipol – Divisão de Inteligência Policial)
Paulo Ferreira Lima (coordenador de Polícia da Capital)
Joel Ferreira (coordenador de Polícia do Interior)
Jonathas Evangelista (Cope – Centro de Operações Policiais Especiais)
Katarina Feitoza (corregedora-geral de Polícia Civil)
Jocélio Franca Fróes (Acadepol – Academia de Polícia Civil)

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