Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br
Moradores que residem nas proximidades do Museu do Mangue, no bairro Coroa do Meio, realizaram na manhã de ontem um ato público com o propósito de chamar a atenção da Prefeitura de Aracaju para uma série de problemas que, segundo eles, interfere diariamente no bem estar da comunidade. Queixando-se de abandono generalizado, os populares exigem que a fiscalização na área das praças seja ampliada e que o antigo espaço de lazer receba novos postes de iluminação. Sem promover nenhum tipo de interrupção de ruas ou queimada de pneus, como geralmente acontece nas manifestações de bairros, mais de 40 famílias preferiram se reunir e convocar a imprensa. Durante as lamentações, a associação de Moradores do Bairro Coroa do Meio informou que as 20h a área recebe toque de recolher promovido por marginais.
Depois da ronda da Guarda Municipal de Aracaju (GMA) ter reduzido a fiscalização na região, os moradores alegam que as praças são ‘tomadas’ no período da noite e madrugada por bandidos e vândalos que destroem o patrimônio público e intimidam as crianças para brincar nas intermediações do museu que deixou de funcionar. Paralelo a estas ocorrências, o fluxo extenso de usuários e traficantes de drogas têm contribuído para a extensão do medo. Diante destas reclamações, observadas de longe por meliantes que transitam na área durante o ‘horário proibido’, a população se diz integralmente impossibilitada de usufruir dos benefícios existentes no bairro. Devido à grande quantidade de vegetação, quando carros da Polícia Militar passa pelo local, os acusados de promover desconforto às famílias acabam se escondendo no manguezal.
Apesar do receio de ser perseguido por bandidos após as entrevistas que concedeu na manhã de ontem, o líder comunitário Edvaldo Santana lamenta a situação em que vive os moradores e clama por solução imediata. Segundo ele, o atual cenário encontrado no espaço que já foi cartão postal, não passa de mais um ponto turístico esquecido pela prefeitura e que serve para fortalecer o tráfico. "Nós precisamos ter paz aqui para poder ver nossas crianças de volta brincar na praça como era antes, mas infelizmente a falta de segurança tem nos deixado cada vez mais presos dentro de casa e maus elementos nas ruas. Se estamos reunidos hoje aqui é porque a situação passou dos limites e nós precisamos de uma ação da prefeitura que administra essas praças. Toque de recolher aqui é um fator lamentável", declarou.
Mesmo no período da manhã, o clima de insegurança interfere no dia a dia das pessoas. Popular por reunir grande número de participantes para a prática de atividades físicas, o Projeto Academia da Cidade, que também é realizado na praça anexo ao Museu do Mangue, vem registrando constantes quedas no número de adeptos à prática esportiva. No final do ano passado, uma aula no auge da produção foi interrompida por mando dos marginais que diziam se sentir incomodados com o acúmulo de pessoas na ‘área deles’. Depois desta ocorrência, a participação dos moradores junto ao projeto passou a registrar queda de produção e participação. A professora Ana Karolina Santos Souza também pede solução para o caso.


