Milton Alves Júnior
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"Morar aqui no Centro é uma verdadeira batalha diária pela sobrevivência". Essa é a opinião de Evaristo Correia dos Anjos em relação aos constantes problemas encontrados pelos moradores da área central de Aracaju. Entre os problemas estão calçadas desniveladas, prostituição, insegurança e falta de vagas para estacionamento.
Tendo que driblar todos esses aspectos, populares esperam que os novos parlamentares municipais possam atribuir medidas emergenciais que atribuam melhorias imediatas. Ainda de acordo com Evaristo, após as 20h, estabelecimentos e pedestres são roubados semanalmente.
"Dizem os governantes que as rondas são realizadas com frequência, mas na prática não é isso que ocorre aqui, principalmente na noite. As dezenas de travestis e prostitutas não me incomodam, até já me tornei amigo, mas os marginais, estes sim precisam nos deixar em paz", concluiu.
Reduto de meliantes, usuários e traficantes de drogas, o prédio do antigo Terminal Hidroviário José Figueiredo, localizado à av. Ivo do Prado, é considerado um dos espaços públicos que necessita imediatamente ser desocupado.
Para a moradora Ivone Macedo, residente no Centro há mais de 20 anos, promessas políticas ficam apenas no período eleitoral. "Apesar de morar em um edifício, esses problemas me incomodam muito, e infelizmente de dois em dois anos os políticos sempre se apresentam com propostas de melhorias que nunca saem do papel. Dessa forma é melhor nem nos iludir, apesar de que nem acreditamos mais", disse. Questionada sobre a falta de estacionamento, Ivone diz que o problema não lhe afeta porque possui vaga própria no edifício. "Mas para familiares e amigos que sempre nos visitam, não deixa de ser uma luta".
Calçada – As calçadas do Centro estão distantes da perfeição, principalmente porque estão repletas de pequenos desnivelamentos e entulhos. Apesar de a Prefeitura de Aracaju promover obras com regras de acessibilidade urbana, pouco ou nada vem melhorando na região.
Há oito anos trabalhando na área, o ‘flanelinha’ Ademilton Cândido diz ter perdido as contas de quantas pessoas já ajudou a levantar após tropeçar nas pedras soltas. "Pra se ter noção, já até acionei o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para atender uma senhora que caiu e torceu o tornozelo. Essa é a realidade de quem mora ou passa por aqui diariamente", afirmou.
Durante a produção desta reportagem, a equipe do JORNAL DO DIA flagrou um morador estacionando o seu veículo numa calçada. Segundo argumentos do condutor, Ari Souza, essa foi a única solução. "Sei que fui imprudente, mas como não temos espaço suficiente, não iria pagar R$ 5 por apenas três minutos que necessitei para pegar um documento em minha casa. Já estou até pensando em morar em outro lugar porque aqui a desordem pública é imensa", desabafou.


