Gabriel Damásio
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A estudante Mayadini Lima de Jesus, 17 anos, morreu ontem no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), onde estava internada desde a semana passada para fazer uma cirurgia de apendicite. Segundo a direção do hospital, ela não resistiu a complicações causadas pela doença e teve a morte cerebral confirmada pelos médicos durante a manhã de ontem. A família da jovem já se mobiliza para levar o caso à Justiça, pois suspeita que a jovem tenha sofrido negligência no atendimento e, por conta disso, contraído uma infecção hospitalar que resultou em sua morte.
O caso ganhou destaque na semana passada, quando amigos e parentes de Mayadini fizeram um protesto na porta do Huse e denunciaram a falta do medicamento Noradrenalina, usado para acelerar os batimentos cardíacos de pacientes em estado de insuficiência cardíaca. Os pais da estudante tiveram que buscar o remédio em uma farmácia fora do hospital. Na ocasião, os familiares também se queixaram da falta de atenção da diretoria do Huse, que chegou a passar mais de 10 horas sem passar informações atualizadas sobre a jovem, exatamente no dia em que ela apresentou complicações e foi transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Conforme a nota oficial divulgada ontem pela Fundação Hospitalar de Saúde (FHS), Mayadini deu entrada no Huse às 12h54 do dia 22 de dezembro, com fortes dores abdominais. Os primeiros exames constataram uma grave infecção e determinaram uma cirurgia de emergência, na qual "foi detectada uma apendicite já supurada, com peritonite aguda, ou seja, pus em todo o abdômen". O comunicado diz ainda que "após cirurgia, ela ficou assistida em leito crítico com médico 24 horas", mas o estado de saúde da garota piorou na madrugada de Natal e, no fim da tarde, ela foi transferida para a UTI. "A paciente apresentou pneumonia, derrame pleural, insuficiência renal e, por fim, isquemia cerebral", conclui a nota.
Os exames que constataram a morte cerebral da estudante foram divulgados ontem à tarde, causando consternação entre os amigos e parentes. O corpo será sepultado hoje de manhã em um cemitério da capital. Ontem de manhã, a família de Mayadini confirmou a jornalistas que já conversou com representantes do Conselho Tutelar e da Defensoria Pública do Estado, a fim de abrir um processo judicial contra o Estado e contra o Huse. "A gente quer que isso seja explicado e que, no mínimo, alguém se responsabilize pelo caso", resumiu Conceição Aguiar, tia da adolescente.


