Milton Alves Júnior
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O corpo do cantor e compositor sergipano Pedro Rogério Cardoso Barbosa será enterrado na manhã de hoje no município de Estância, cidade natal do forrozeiro que desde o dia 6 de julho estava em São Paulo para tratar de um câncer de próstata. Aos 53 anos, sendo 35 dedicados a música, por volta das 3h de ontem uma falência hepática foi notificada pelos médicos do Hospital das Clinicas. Autor da canção ‘Sergipe é o país do forró’, Rogério chegou a se apresentar em todos os municípios sergipanos e demais estados da região Nordeste. Devido à força musical da obra, o sergipano foi convidado para se apresentar em programas televisivos de referência nacional, valorizando os artistas locais.
O governador Jackson Barreto (PMDB) decretou luto oficial de três dias pela morte do cantor e declarou: "Rogério foi um expoente do talento sergipano, levando por meio da sua música o nome de Sergipe além fronteiras, ajudando assim na divulgação das riquezas culturais do nosso estado. O país do forró está de luto. Para ele, rendemos todos nossos agradecimentos e homenagens, desejando conforto para seus familiares e amigos".
O prefeito de Aracaju, João Alves Filho (DEM) também divulgou nota oficial: "A cultura sergipana perde um dos seus significativos representantes. A morte do nosso estimado cantor Rogério nesta madrugada, na juventude dos seus 53 anos, aliviou a sua dor, mas plantou um lamento no coração dos sergipanos. Como bom bairrista, o seu trabalho enalteceu o nosso pequeno Sergipe, propalando sempre a música nordestina, como "Sergipe é o País do Forró", cantada aos quatro cantos do Brasil, o seu maior sucesso. Lamentamos a perda física do grande artista Rogério, na certeza que o povo sergipano semeará a saudade, permitindo-lhe, carinhosamente, eterno papel de destaque na cultura musical sergipana".
Artistas – Durante o dia de ontem artistas sergipanos lamentaram a morte de Rogério. Antônia Amorosa, amiga do cantor e da respectiva família, lembrou os momentos culturais em que dividiu ao longo dos últimos 20 anos. Segundo a também forrozeira, o forró sergipano é dividido em duas partes: antes de Rogério; e depois de Rogério. "Estamos comovidos com essa perda. Sabíamos da dificuldade no tratamento, mas quem tem Deus no coração sempre crê na recuperação em qualquer que seja a situação. Estou acompanhando essa luta da família desde os primeiros dias e agora é abraçar os familiares. Hoje, Sergipe é outro depois do ‘País do Forró’", declarou. O corpo chegou na capital sergipana na noite de ontem e foi velado na Osaf.
Emocionado, o amigo Mingo Santana lamentou a perda para a música sergipana e disse ter sido um dia difícil para os sergipanos. Ao Jornal do Dia, Mingo disse esperar que a imagem de Rogério seja imortalizada nos arraiais e polos folclóricos do estado. "Num primeiro momento foi difícil acreditar na informação que vocês da imprensa nos passava. Com o passar dos minutos os familiares confirmavam o falecimento e me vinha na memória toda a trajetória desse instrumentista nato que tanto fez o povo dançar nas noites de São João. Perdemos um dos ícones da música sergipana", disse. Nos anos 80 Rogério iniciava uma carreira de sucesso que, influenciou nos passos de familiares e fãs.
Entre esses seguidores está o filho Pedro Luan, que também segue carreira musical. De acordo com o sobrinho do cantor, David Calazans, o paciente acreditava na recuperação, mas não deixava de ter noção da difícil luta pela vida. Nas primeiras horas de ontem David, um dos porta-vozes da família, fez a seguinte declaração: "Ele tinha esperança em Deus, mas também tinha serenidade para aceitar as decisões Dele. Nos últimos dias ele lutou muito contra a doença, mas estava tranquilo e confiante. Agradecemos a todos aqueles que conosco estavam fortalecendo a corrente de orações. Ficam na memória a imagem daquele cantor admirado por todos".
Antes de ser encaminhado para a capital paulistana, Rogério esteve internado desde o mês de abril no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), onde realizava um tratamento contra problemas no fígado, resultado de uma esquistossomose adquirida e tratada na infância, mas que, conforme boletins médicos, deixou sequelas. Erivaldo de Carira, colega de profissão, não deixou de destacar a importância de Rogério para Sergipe. "Nosso dia foi de muita tristeza e lamentações. Perdemos não só um músico, perdemos um artista brilhante que levava o nome de Sergipe para onde quer que fosse. Infelizmente ele voltou para a terra natal de uma maneira que ninguém desejava. Fica aqui nossas condolências a família", afirmou.
O enterro de Rogério está previsto para ocorrer às 10h no cemitério municipal.


