MST invade sede do Incra

Como forma de agregar apoio à Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária, 400 integrantes do Movimento Sem Terra (MST) invadiram e seguem ocupando desde a manhã de ontem a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Aracaju. Dentro da pauta de reivindicações, o grupo denúncia a retirada de direitos dos trabalhadores do campo e exige a recomposição do orçamento destinado para a Reforma Agrária e para a Agricultura Familiar e Camponesa. Os pleitos apresentados seguem em discussão há cerca de nove anos.

Em resposta ao movimento, a direção nacional do instituto informou que todas as atribuições trabalhistas dos respectivos servidores estão suspensas até que os órgãos sejam devidamente desocupados pelo MST. Atos públicos semelhantes ao promovido no Estado de Sergipe também estão sendo postos em prática nas demais unidades federativas do país. Além de Aracaju, manifestações também foram realizadas nos municípios da Barra dos Coqueiros, Itaporanga D’ajuda, São Cristóvão, Nossa Senhora das Dores e Pirambu. Sobre os pedidos, o órgão nacional não informou quando deve reiniciar os debates com os líderes do movimento.

Para José Fontes, assentado da reforma agrária e dirigente estadual do MST local, a falta de manutenção destes diálogos tem contribuído para que os assentamentos encontrem nestes momentos a esperança de dias melhores. "A desculpa é sempre a mesma: não possuem recursos para atender os nossos pedidos. É justamente essa negativa e a falta de conversas que acabam gerando insatisfação em todos os assentados que lutam pela manutenção dos nossos direitos, como também contra a reforma da previdência que Michel Temer apresentou. Estamos regredindo, o país está na macha ré e não vamos atirar isso", lamentou.

Sobre a recomposição do orçamento destinado para a Reforma Agrária e para a Agricultura Familiar e Camponesa, o militante social declarou que: "fica insustentável se manter calado diante dos sucessivos cortes realizados pelo Governo Federal nos últimos meses. Já havíamos apresentado essa insatisfação aqui em Sergipe e junto ao órgão nacional, em Brasília, mas para a nossa surpresa negativa, os cortes seguiram sem sequer ouvir as nossas críticas. Um governo que não conversa com o povo não merece o nosso respeito, sendo assim, seguimos protestando". (Milton Alves Júnior)

 

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