MST ocupa agências do BB e do BNB em Aracaju

Gabriel Damásio

Cerca de 400 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) ocuparam, no final da manhã de ontem, duas agências bancárias no Centro de Aracaju: a do Banco do Nordeste na Rua Itabaianinha e a do Banco do Brasil na Praça General Valadão. Eles entraram nos bancos em dois grupos e permaneceram nas áreas de autoatendimento, gritando palavras de ordem. Tanto a Polícia Militar quanto o MST confirmam que não houve incidentes durante as manifestações, que durou até o meio da tarde, quando uma comissão dos sem-terra foi recebida pelos superintendentes estaduais dos dois bancos.

Os sem-terra reivindicaram mais prioridade dos bancos na liberação de linhas de crédito de custeio e financiamento para as famílias assentadas. De acordo com Manoel Antônio, da Direção Estadual do MST, o BB e o BNB têm liberado com mais rapidez os pedidos apresentados por clientes ligados ao agronegócio, deixando os pleitos dos pequenos agricultores em segundo plano. "O critério de prioridade adotado atualmente pelos bancos vem causando prejuízo aos agricultores, porque, durante essa espera, eles acabam perdendo as datas do ano agrícola e recebem os créditos atrasados. O resultado é um acúmulo de dívidas que eles acabam sofrendo", explica Manoel.

Ainda segundo ele, o problema envolve cerca de 10 mil famílias assentadas em todo o estado. Além da lentidão nos trâmites burocráticos para a liberação dos créditos, os sem-terra questionaram o tratamento e comportamento de funcionários do banco para com os camponeses, a substituição do coordenador da carteira de programas Especiais da Agricultura Familiar e Camponesa e a retomada de créditos aos assentados, entre outros temas.

Todas essas queixas foram tratadas nas reuniões com os superintendentes do BB e do BNB, os quais prometeram melhorias. De acordo com Manoel, eles irão criar suas respectivas comissões de monitoramento dos projetos e pedidos apresentados pelos trabalhadores rurais. O grupo, que começa a trabalhar na semana que vem, será formado por integrantes do MST e técnicos das duas instituições – estes com capacitação voltada para a agricultura familiar. Os dois bancos não confirmaram o resultado e afirmam que estão ainda analisando a pauta de reivindicação dos manifestantes.

O protesto contra os bancos faz parte de um movimento nacional chamado "Jornada da Reforma Agraria", que começou ontem e vai até esta sexta-feira. Durante este tempo, diversas ações serão realizadas em todos os estados brasileiros, com o objetivo de forçar o governo federal e as autoridades estaduais a pautando a Reforma Agrária entre suas prioridades. Em nível nacional, os principais pedidos são por um plano de assentamento das 120 mil famílias sem-terra que ainda estão acampadas no Brasil, pela criação de mais perímetros irrigados para os assentamentos, pela implantação de um PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) exclusivo para a reforma agrária e pelo fortalecimento das agroindústrias.

Rodovias fechadas – Hoje, o MST vai promover o bloqueio de sete trechos da BR-101 e de outras duas rodovias estaduais em todo o Estado, a fim de apresentar as reivindicações dos agricultores sem-terra em cada região. Os protestos irão durar entre 7h e 10h e, de acordo com a direção estadual do movimento, haverá liberações temporárias de 15 em 15 minutos, para não aumentar o congestionamento nas pistas.

Na BR-101, os bloqueios acontecerão nas cidades de Cristinápolis (Sul), Itaporanga D’Ajuda (Litoral Sul), Japoatã e Propriá (Baixo São Francisco). Por sua vez, as estradas estaduais afetadas serão a Lourival Batista (SE-270), entre Lagarto e Simão Dias (Centro-Sul), e a Rota do Sertão (SE-206), em Nossa Senhora da Glória (Sertão) e em Ribeirópolis (Agreste). Outro protesto está programado para Glória, onde o MST fará um ato regional em conjunto com o Movimento dos Pequenos Agricultores. Os agricultores se concentram às 9h na saída do conjunto Joviano Barbosa, prometendo se estender no protesto ao longo da tarde.

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