Cândida Oliveira
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Abril Vermelho e Dia do Trabalhador fazem parte do calendário de lutas do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). Alguns atos para comemorar as duas datas simbólicas já estão sendo realizados e outros acontecerão até o dia 8 de maio.
Segundo um dos membros da direção do MST em Sergipe, Esmeraldo Leal, a Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária iniciou no sábado, dia 26. "Como fazemos todos os anos, no mês de abril iniciamos as manifestações pelo país, com o Abril Vermelho, que tem o objetivo de relembrar os 18 anos de Massacre em Eldorado dos Carajás, no Pará, quando 21 Sem Terra foram assassinados pela Polícia Militar. E como dia 1º de maio é o Dia do Trabalhador, incluímos no calendário do Movimento", esclareceu.
Os atos da Jornada começaram na madrugada do dia 27 de abril, quando aproximadamente 90 famílias de trabalhadores rurais organizadas pelo MST do município de Itaporanga D’Ajuda ocuparam a Fazenda São Raimundo, no Povoado Rio Fundo do Abais. O local tem aproximadamente 1.200 tarefas. "Esta fazenda foi vistoriada pelo Instituto de Colonização e Reforma Agrária e o laudo confirmou a área como improdutiva em 2011, no entanto, ela ainda não foi liberada para desapropriação por falta de recursos do Governo Federal", contou Esmeraldo.
Ele informou ainda que um representante do proprietário da Fazenda esteve no local, porém não houve conflito. "Ele foi cordial e nós também fomos respeitosos, não aconteceu nenhum tipo de atrito".
No município de Tobias Barreto foi realizado ato na manhã de ontem, segunda-feira. Lá 200 trabalhadores assentados da região ocuparam a gerência do Banco do Nordeste cobrando agilidade na liberação dos projetos de investimento e o cumprimento de prazos.
"O ato foi protesto no município, pois existem centenas de projetos já elaborados pela assistência técnica do Incra e emperrados devido à burocracia dos bancos, principalmente do Banco do Nordeste. A ação visou cobrar agilidade para liberação dos projetos de ‘custeio’ e de ‘investimento’", explicou Leal. Após a garantia da gerência do banco de que os projetos serão analisados e os recursos liberados, os manifestantes desocuparam a agência.
O projeto de custeio visa liberar financiamento anual para as roças dos assentados, já o projeto de investimento serve para estruturar o terreno do assentado. "Os valores variam conforme a capacidade da família e do tipo de cultura que será aplicado no lote", disse.
Hoje, 29, haverá ato conjunto entre MST e movimentos urbanos no bairro Industrial, em Aracaju. "Esse ato será pautado no Dia do Trabalhador", antecipou Esmeraldo. Outros atos serão realizados até o dia 8 de maio, no Sertão e região Norte de Sergipe.
Avanço – De acordo com Esmeraldo do Leal, Sergipe foi o único Estado do país que se habilitou com o Governo Federal para desapropriar terras. "Aqui, além do Incra, o Governo do Estado, na gestão do ex-governador Marcelo Déda realizou desapropriações", informou. Ele também destacou que ainda há interesse do Movimento em reativar o convênio. "Desejamos manter a conversa com o governador Jackson Barreto a fim de aditivar o convênio anterior ou criar um novo, para que mais propriedades sejam desapropriadas, pois o governo estadual é mais ágil que o Incra, que conta com pouca capacidade operacional", expôs.


