Mulheres vão às ruas contra violência e por mais creches

Kátia Azevedo

Com uma grande marcha pelas ruas do centro da cidade na manhã de ontem, centenas de trabalhadoras rurais e urbanas protestaram contra a violência e cobraram a abertura de delegacias aos finais de semana e feriados, mais creches e ampliação da participação feminina no legislativo.

O ato público teve início na Praça General Valadão, com sequência de debates na Câmara de Vereadores e encerramento na Assembleia Legislativa, onde as manifestantes apresentaram e discutiram com o legislativo municipal e estadual as principais pautas de reinvindicações como o funcionamento das Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher e a Delegacia de Atendimento a Grupos Vulneráveis durante 24h, todos os dias na semana, inclusive nos finais de semana; a interiorização das Delegacias de Atendimento à Mulher e prioridade às mulheres em situação de violência em todos os serviços públicos do estado quanto ao acesso à escola, creche, trabalho, saúde, programas habitacionais, documentação, crédito entre outros.

As pautas também contemplam investimento na rede de serviços de atendimento às mulheres em situação de violência, como casas abrigo, Centro de Referencia de Atendimento a Mulher, Coordenadorias Municipais de Politica para as mulheres, ampliação e melhor estruturação das casas abrigo nos municípios e implantação da Lei Maria da Penha em todas as delegacias de Sergipe, possibilitando maior rapidez e atendimento humanizado, punição do culpado e a proteção à mulher e os/as filhos/as quando se fizer necessário. Durante a manifestação, foi lembrada a importância do fortalecimento da rede de atendimento às vítimas da violência, especialmente os casos envolvendo a população feminina. De acordo com Larissa Alves, da Marcha Mundial das Mulheres e integrante do Levante Popular da Juventude, os dados demonstram que nos últimos anos, no Brasil e em Sergipe, tem crescido o número de violência física e sexual praticada contra as mulheres.
 "Segundo os dados da Delegacia Especial de Proteção à Mulher de Sergipe, no ano de 2013 registrou 2988 boletins de ocorrência tendo 1455 inquéritos instaurados, resultando em 887 medidas protetivas. Já nos dois primeiros meses de 2014 foram registrados 258 boletins de ocorrência, 115 inquéritos instaurados e 96 medidas protetivas. Esses dados demonstram o crescimento nos registros de casos que evidenciam a opressão e a desigualdade de gênero resultando a violência contra a mulher. A todo instante, a mídia noticia casos de violência doméstica e seus finais trágicos mostrando a impunidade e a omissão do Estado em não cumprir a Lei Maria da Penha e nem fortalecer o sistema de garantia de direitos que implica diretamente no financiamento e ampliação das políticas públicas voltadas para as mulheres", acrescenta.

Creches – A ampliação da oferta de creche também é uma das pautas prioritárias do movimento. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apenas 18,4% das crianças brasileiras de 0 a 3 anos e 81,3% das crianças de 4 a 6 anos têm acesso à educação infantil. No entanto, recortes de renda, campo e cidade e regiões do Brasil revelam o quanto essa média esconde desigualdades, pois 20,2% das crianças de 0 a 3 anos que moram na zona urbana frequentam a creche, mas a taxa cai para 8,8% na zona rural. Entre as famílias mais pobres, apenas 11,8% das crianças são atendidas em creches. Já entre as famílias mais ricas, a taxa sobe para 34,9%.

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