Quarta, 17 De Abril De 2024
       
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Na flor da idade


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Publicado em 21 de março de 2024
Por Jornal Do Dia Se


Desaguando em mares e naufrágios (Jéssica Dias)

Rian Santos
 
Ontem, a menina Tori caiu de nostalgia. Ela passou um dia inteiro compartilhando os registros de suas primeiras investidas na música com os seguidores de seu perfil no Instagram. Violão em punho, ela solta a voz, ainda na flor da idade, até se lançar ao mundo com o EP Akoya, aos dezesseis aninhos. Lembro e caio doente de saudades, também.
A cantora e compositora Vitória Nogueira, a menina que assina o ‘Akoya’ (2016), é de uma geração ansiosa pelo descobrimento do Brasil. Embora ainda não tivesse sentido na pele o maior bocado da vida – presume-se pelos 16 anos de sonho, sangue e América do Sul, vividos até então -, foi capaz de versos desaguando em mares e naufrágios. A sonoridade ancorada na MPB edulcorada de Cícero e Jeneci ainda carecia de horizontes mais amplos. O marulho no interior da concha aqui oferecida aos ouvidos, no entanto, fazia sim um barulhinho bem bom.
Atenta aos sinais, Tori sugere aqui mais do que afirma,  ciente apenas dos sustos que lhe animam o coração. Meio índia, conversa com o céu e as marés o tempo inteiro, como se vislumbrasse nas forças da natureza um reflexo dos próprios impulsos. Tudo gira ao redor de seu umbigo, exceção feita à afirmação de gênero da faixa ‘Narciso’. Mesmo quando entoa um discurso de resistência, contudo, ela jamais perde a ternura.
Ponto para a produção do macaco velho Dudu Prudente. Todos os recursos empregados no registro são orientados para dar volume à voz delicada de Tori. Piano, órgão, sanfona e sintetizador. O tom é monocórdio. Mas os instrumentistas Léo Airplane, Ricardo Ramos, Alexandre Damasceno e Fabio Aricawa conseguiram a façanha de emprestar alguma dinâmica aos arranjos, sem evitar a atmosfera conceitual do EP.
‘Akoya’ comunica uma disposição aventureira para a imensidão azul do mundo. E ainda contraria Nelson Rodrigues, para quem a juventude é a mais estúpida das virtudes. Pois eu digo que a moça não mergulharia tão fundo e bonito com o peso de alguns anos a mais nas costas. Na ingenuidade genuína da menina Tori, a potência de sua música.
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