Rian Santos
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O lançamento de Voando, música inédita de Rita Lee, último domingo, é apenas uma das novidades por vir. Segundo o guitarrista Roberto de Carvalho, viúvo da artista, Rita deixou um “enorme baú de memórias”. Publicar o material seria “uma maneira de matar a saudade, homenageá-la e de fazer com que sua obra permaneça viva”.
Tenho um pé atrás com obras póstumas, confesso. Neste caso, contudo, a curiosidade deve vencer desconforto e receio. Rita Lee não dá ponto sem nó. Nem morta.
Uma gata – Batizei uma gata com o nome de Rita Lee. O pêlo claro, mais o temperamento exigente, levantaram suspeitas a respeito de sua origem. Burguesa, sem dúvida. Por pouco ela não ganhou o nome de Clarice.
Rita Lee é rebelde, passa dias e noites a vadiar. Ao primeiro sinal de fastio, no entanto, põe-se a miar em frente ao portão de casa. Livre por condição e natureza, ela entra e sai quando bem quer – um privilégio. O tutor interrompe qualquer atividade (leitura, redação, tarefas domésticas) para lhe abrir as portas.
Rita Lee tem os olhos azuis, como a rainha do rock. Também se dá, como a musa inspiradora, a diferenças de opinião. Não chegou ainda a criar caso com a polícia militar de Sergipe, como fez a Mutante, um episódio escandaloso da gestão Marcela Déda. Mas há na vizinhança quem queira nos ver, a mim e a minha gata, pelas costas.
Rita Lee não poupa o telhado dos outros, não se importa em pular sobre o capô dos carros, atrai machos valentes e barulhentos. A gata não conhece limites. E desafia a propriedade e a ordem sem nenhuma consequência.
Os Beatles cantaram “Lovely, Rita” sem saber de Rita Lee. Azar o deles. Amo a cantora, compositora, persona non grata. Amo, sobretudo, a influência má de seu nome sobre os passos vagabundos de minha gata.


