Nepal atualiza número de mortos por terremoto, que já passa de 4 mil

Da Agência Lusa

O número de pessoas mortas no terre-moto ocorrido sábado (25) no Nepal subiu para 4.010, anunciou ontem a agência governamental responsável pela resposta ao desastre.
O tremor de terra fez também mais de 7,5 mil feridos, segundo o Centro Nacional de Operações de Emergência, do Ministério do Interior.
O balanço anterior informava a morte 3.723 pessoas e 6.535 feridos.
O terremoto, de magnitude 7,8 graus na escala de Richter, teve o epicentro a cerca de 80 quilômetros da capital nepalesa, Katmandu, e foi sentido em outros países como Índia, China, Bangladesh e Paquistão.

Brasileiros – Apesar do tumulto e do congestionamento de voos, o aeroporto de Katmandu, capital do Nepal, voltou a funcionar, e os brasileiros que estão no país começam a voltar ao Brasil nos próximos dias, após os terremotos na região. A Agência Brasil conversou com o brasileiro Silvio Aparecido Pereira da Silva, que mora no país asiático. Ele explicou que está com um grupo de 32 brasileiros em Katmandu, em contato com a embaixada brasileira, mas disse que existem brasileiros em outras localidades.

Do grupo, terão prioridade de embarque para deixar o país uma família com um bebê de 12 dias, uma mãe com duas crianças pequenas, de 2 anos e 4 anos, e algumas pessoas mais idosas. "Estivemos na embaixada e a equipe estava tentando informar o Itamaraty sobre os brasileiros, mas não tinha internet. A comunicação está difícil, mas estamos sendo bem atendidos, na medida do possível", disse Silvio.
Segundo ele, mesmo com o clima de destruição, a cidade e o povo nepalês estão aparentemente calmos. "As lojas estão fechadas, os serviços estão precários, em alguns momentos eles funcionam, não tem energia elétrica. Ontem ela [a energia] voltou por um tempo e depois caiu. Há falta de água. A escola onde estamos acampados têm duas quadras, cedemos uma para a comunidade e na outra estamos com mais de 200 crianças. Ganhamos um cabrito hoje de alguns hindus para poder comer."

Ele e a esposa trabalham com as organizações não governamentais Missão Cristã Mundial e Mobilização Mundial, em uma casa de acolhimento para crianças traficadas no Nepal. A escola da organização também atende a crianças da comunidade. Segundo Silvio, a estrutura de atendimento do governo nepalês é muito ruim. "O governo é ineficiente e precário, nessa situação eles têm boa vontade, mas não tem estrutura. Se eles conseguirem reestabelecer água, energia e desbloquear as estradas já vai ser ótimo."
Silvio mora no Nepal com a esposa Rose e os dois filhos e, segundo ele, vão ficar para continuar a ajudar o povo nepalês na reconstrução do país. "Minha filha de 9 anos, que é nepalesa, está muito assustada, mas eles [os filhos] querem ficar mesmo com medo. O terremoto foi terrível, a lembrança é terrível", disse.

Foram dois terremotos, um no sábado (25) de magnitude 7,8 na escala de Richter e outro ontem (26) de magnitude 6,7. Os abalos provocaram a morte de mais de 3,2 mil pessoas, até o momento, segundo a Organização das Nações Unidas. De acordo com Silvio, além dos dois tremores principais, dezenas de réplicas do terremoto foram sentidas até duas horas depois dos primeiros episódios. "É assustador, durante a noite ainda sentimos tremores leves. Uma pessoa fica de vigília com um sino, para tocar se houver um tremor mais forte durante a madrugada. Mas hoje senti que eles diminuíram. A minha impressão é que o pior já passou."

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