Cândida Oliveira
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A partir de 1º de setembro quem usa bastante o fogão terá um gasto maior no orçamento, isso porque o preço do botijão do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), conhecido como gás de cozinha, vai ter reajuste de10%. Atualmente, todo o GLP comercializado no País é vendido pela Petrobras às distribuidoras, que são os fornecedores dos revendedores.
A empresária Maria José dos Santos que trabalha com a venda de marmitas e quentinhas, conta que o reajuste do gás reflete nas vendas dela. Ela produz por dia 10 marmitas e uma média de 15 quentinhas. Com esse volume, o botijão de gás de 13 quilos dura em média 10 dias. "Não posso trabalhar sem botijão de gás porque é o principal equipamento da minha atividade", diz. Ela também conta que não pode repassar o reajuste aos clientes. "Já fiz o aumento deste ano, então não tenho mais como novamente fazer acréscimo, dessa forma minha margem de lucro diminui consideravelmente".
Uma das alternativas para não perder tanto será desenvolver receitas que possam ser feitas no micro-ondas. "Vou tentar fazer 50% do cardápio no micro-ondas, assim não faço aumento e não perco cliente e tento manter minha margem de lucro", observou.
De acordo com um dono de empresa de gás, o botijão de 13 kg que custa atualmente R$ 43,00 vai passar a custar R$ 47,00, mas em outras empresas o valor pode chegar a R$ 49,00. "O aumento é geral e comumente acontece nesse período do mês de setembro. Nós recebemos esse aumento da companhia", informou o empresário Marcos Soares. Ele disse ainda que inicialmente há uma diminuição na venda do botijão de 13 kg. "Há uma queda logo no início do reajuste de 10% a 15%".
Segundo a economista do Núcleo de Informações Econômicas da Federação das Indústrias do Estado de Sergipe, Clara de Assis Dantas dos Santos, em Sergipe o reajuste será de 4,28%, alterando o preço médio de R$ 42, pelo botijão de 13kg, para R$ 43,80. "Como o preço do gás não é tabelado, o preço depende das revendedoras que cobram um preço de acordo com os seus custos. O motivo do reajuste é que as distribuidoras vão aumentar o preço e as revendedoras terão de repassar esse custo para os consumidores", explicou. O aumento também é justificado pela inflação acumulada nos últimos 12 meses e por conta das despesas operacionais e de insumos do setor.
Quem sofre mais com o reajuste são os consumidores, principalmente aqueles que apresentam renda mais baixa. "Quem já tem o orçamento mais comprometido, vai tentar comprar o produto com o menor valor possível", citou a economista. Ela chamou a atenção para um grave problema na procura do consumidor pelo menor preço: a venda de botijões em estabelecimentos clandestinos. "O consumidor precisa estar atento na compra deste item que é tão importante na nossa cozinha. Evitem comprar de estabelecimentos que, mesmo com preços mais baratos, não são registrados nem seguem as normas de segurança e de qualidade. Sempre vale a pena fazer uma pesquisa de preços, visto que os valores oscilam entre as revendedoras", salientou.
O economista do Dieese, Luiz Moura, disse que o reajuste não tem justificativa e só aumenta a margem do lucro para o produtor do gás e revendedores. "Em tese não deveria ter o aumento, então por que marcar uma data para o reajuste e por que estipular o percentual?", questiona. Para ele, mais uma vez o consumidor será o principal prejudicado. Afinal, o reajuste foi mais alto do que a inflação registrada nos últimos 12 meses que ficou em 6,52%, segundo o IPCA, índice que mede a inflação oficial do País.


