Rian Santos
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Mais cedo ou mais tar
de, o desenvolvimen
to de uma cena redunda sempre no tributo devido às bandas de formação – um ponto de referência comum, aproximando músicos e públicos de diversas vertentes e gerações. Na aldeia Serigy, por exemplo, não há quem ignore a contribuição fundamental da Snooze. O lançamento de ‘WakingUp… Waking Down…’ (1998) é um dos marcos indiscutíveis da música com guitarras realizada pelos nossos. Noise e feeling a dar com o pau.
Eis a promessa realizada pela festa da antevéspera, com a promoção de A Casa do Mangue. Em 30 de dezembro, Rafael Jr e Fabio Oliveira enterram o ano da graça de 2022 numa cova rasa, antes do tempo, a golpes de baquetas e palhetadas certeiras.
Do primeiro álbum oficial já mencionado, sobrevive o maior hit da banda e também da música indie realizada na terrinha. Mariana’s Buterfly justifica o impulso guardado em cada uma das faixas com a linha de baixo mais comovente da cena Serigy.
Letmyheadblowup, o registro seguinte, não é apenas o disco mais noizado da banda. Além de alçar a produção musical da terrinha a um patamar até então ignorado pelas nossas fraldas fedorentas de mijo, as guitarras mais espertas da cidade (então a cargo de Mauro Spaceboy e Clinio Jr) ainda atendiam ao propósito catártico sugerido pelo batismo da bolacha. Parece letra de música ruim, mas quem frequentava os shows da Snooze queria se libertar.
Alguns anos mais tarde, os caras gravariam um terceiro disco – sempre estruturada em torno do núcleo formado pelos irmãos Fabinho (baixo) e Rafael Jr (bateria); sempre com a colaboração de guitarristas escolhidos a dedo (Luis Oliva, detentor do posto, não me deixa mentir). O seu legado, contudo, já havia sido transmitido. Cada faixa de LMHBU carrega a comunhão perfeita entre barulho e espontaneidade com uma urgência de fim do mundo.
Lá se vão quase 30 anos, no entanto. Tempo demais para uma banda de meninos magrelos, como a Snooze já foi. Um lapso, um intervalo muito breve, para quem cresceu junto com a banda, como eu mesmo e mais um monte de gente. Brilho eterno. Não à toa, o canto dos cisnes da Snooze coube a músicos e bandas dos quatro cantos do Brasil.
O tributo ‘Snoozingallthis time’, lançado há pouco mais de um mês, com direção de Gustavo Machado, atesta a importância singular da banda sergipana na cena independente brazuca. O disco soa bastante irregular, como é natural em um projeto abraçado por músicos egressos de tantos gêneros e escolas diferentes. Mas revela a beleza insuspeita de melodias sob camadas e mais camadas de distorção. O que Bruno Del Rey faz com a canção ‘A songto prepare’, por exemplo, é comovente.
Festa da antevéspera com Snooze:
Dia 30 de dezembro, às 13 horas, n’A Casa do Mangue.


