Nordeste livra o Brasil de uma nova ditadura e submissão a Donald Trump

O Nordeste, somado agora com Minas Gerais, mais uma vez livrou o país de uma tragédia política, evitando o controle da família Bolsonaro

A reeleição do presidente Lula (PT) com mais de 4 milhões de votos, no último domingo, trouxe alívio para a grande maioria da população brasileira. Garante a ordem e a democracia, a manutenção dos programas sociais e a independência em relação aos Estados Unidos de Donald Trump.
Lula teve 64.256.232 votos, 51,79% dos válidos. Flávio, 59.826.041. Foram 4,4 milhões de votos de diferença. O presidente venceu em todos os 75 municípios sergipanos nas eleições realizadas neste domingo (25), com 989.041 votos no estado (69,53%). Já Flávio Bolsonaro (PL) alcançou 433.354 votos (30,47%) no estado.
No primeiro turno, Lula já havia vencido no estado com 62,75% dos votos contra 30,63% de Flávio. O resultado do segundo turno representou um avanço de 6,78% de votos. Era na capital que bolsonaristas apostaram todas as fichas, e chegaram a realizar um grande ato na 13 de Julho, com a participação do candidato.
A folgada vitória de Lula provocou a fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, numa operação com envolvimento dos governos Milei, da Argentina, e Trump. Ao chegar a Miami (EUA), o fugitivo divulgou uma ‘Carta ao Brasil’, onde apresenta-se como “verdadeiro presidente eleito”, fala em fraude, pinta o país como uma ditadura e acusa a Justiça de perseguição. Nem o próprio PL embarcou na fantasia: Valdemar Costa Neto, presidente do partido do derrotado, reconheceu a vitória de Lula enquanto o candidato arrumava as malas.
A fuga de Flávio Bolsonaro, logo depois da derrota nas urnas para o presidente Lula, confirma que a democracia e a soberania brasileira estavam em risco, na opinião da historiadora Mônica Hirst, que integra o prestigiado Conversatório Latino-Americano (Conlat). Em entrevista ao Brasil 247, Hirst disse que os fatos mostram o perigo que o país corria.
Especialista em política exterior, ela observa o ineditismo da fuga de Bolsonaro do Brasil. E chama a situação de “bizarra”.
“Como é que pode? Que o candidato da direita, no dia seguinte da eleição, fuja para os Estados Unidos? Não existe possibilidade de ele se sentir seguro no Brasil porque ele tem questões na Justiça para resolver? Ele está desmerecendo a importância da Justiça? Coloca então a questão da Justiça nas mãos do governo americano? É uma coisa bizarra”.
Hirst entende que a eleição do presidente Lula é uma oportunidade renovada para que os países latino-americanos voltem a ter um diálogo mais fluido e intenso, apesar das diferenças ideológicas. “Um sinal muito positivo, civilizado, diria, foi a reação dos presidentes da direita da região, parabenizando o presidente Lula pela eleição. É um muito bom sinal”, disse.
Mônica Hirst entende que o segundo turno da eleição brasileira mostrou que a defesa da democracia ganhou ainda maior impulso. “A defesa da democracia, a agenda social, as soluções que não passam necessariamente pela força, pela violência, pelo ódio. Acho que é uma construção que ganha mais força e que nos espera daqui para frente”, disse.
A militância inédita registrada na eleição brasileira em defesa da democracia e pela eleição do presidente Lula foi vista por ela, como historiadora, como algo extremamente positivo. “Eu estou feliz de ver história. História é isso, é quando realmente as coisas se dão, se transformam e se transformam de maneira inesperada. Tem essa beleza”. O despertar, como definiu, da sociedade brasileira foi histórico. Mas entre um Congresso Nacional com forte presença da direita e da extrema-direita e um passado vinculado aos pensamentos e atitudes que não fazem parte do campo progressista haverá muitos desafios pela frente.
Lula terá desafios extremos a partir do próximo ano, quando enfrentará um congresso mais hostil do que o de agora, com riscos de ser controlado por partidários de Flávio Bolsonaro, principalmente no Senado, onde Rogério Marinho (PL/RN), que coordenou a sua campanha, aparece como favorito na disputa pela presidência.
O Nordeste, somado agora com Minas Gerais, mais uma vez livrou o país de uma tragédia política, evitando o controle da família Bolsonaro, ligada aos milicianos e com 700 mil mortes nas costas durante o governo de Jair por falta de ação na pandemia da covid-19. Além das ameaças contra a democracia, os mais pobres e os aposentados.
Apesar das dificuldades políticas e econômicas, o Brasil continua vivo.
Escultura do artista Zeus

Abstenção diminui

Um total de 273.434 sergipanos não votaram durante o segundo turno das Eleições Gerais de 2026, representando 15,71% do eleitorado total do estado, que conta com 1.740.093 de eleitores aptos. A abstenção apresentou queda em comparação ao primeiro turno, quando foi registrado 301.053 de eleitores faltosos – 17,30%.
Em Aracaju, o número de eleitores que não foram às urnas também diminuiu. Dos 422.177 de eleitores aptos, 61.075 não votaram, o que resultou na abstenção de 14,47% do total. No primeiro turno, a abstenção foi de 69.977 eleitores – 16,58% do total.
Os municípios sergipanos com maior porcentagem de abstenção foram Santo Amaro das Brotas (23,60%), Brejo Grande (23,41%), Pirambu (22,74%), Carmópolis (22,33%) e Amparo de São Francisco (22,08%).
Em todo o Brasil, a abstenção também apresentou redução. O número de pessoas aptas à votar que não compareceram às eleições foi de 30.509.005, o que representa 19,22% do eleitorado.

Assédio eleitoral

O Ministério Público do Trabalho (MPT) acionou a Justiça, na quinta-feira (29), para obrigar a Meta a retirar do ar, em até 24 horas, todas as publicações que estimulem empresários a vigiar, expor, deixar de contratar e demitir funcionários por preferências políticas ou voto. O pedido inclui as plataformas Instagram, Facebook e Threads, que pertencem à big tech americana.
O MPT aponta a responsabilidade da Meta pelo conteúdo publicado em suas plataformas e pede que o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª Região arbitre indenização de R$ 50 milhões por danos morais coletivos.
Embora os sete procuradores que assinam a ação tenham apontado a urgência da remoção das publicações que caracterizem assédio eleitoral, a primeira audiência foi agendada para o dia 29 de março de 2027, na 77ª Vara do Trabalho de São Paulo.
Conforme a Agência Brasil noticiou, as denúncias de assédio eleitoral aumentaram mais de 75% desde a última segunda-feira (26), dia seguinte ao segundo turno das eleições gerais, totalizando 1.459 casos em todo o país.
Os dados coincidem com a multiplicação de relatos sobre incentivos a boicotes e a demissões de funcionários que tenham votado em candidato contrário à orientação política do patrão.
De acordo com o MPT, passado o pleito em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reelegeu, perfis nas plataformas digitais passaram a incentivar e orientar empregadores a vasculharem as redes sociais de seus funcionários ou colaboradores com o objetivo de descobrir em quem estes votaram e, no caso de a opção ser diferente da patronal, demiti-los.

Violência contra a mulher

Em decisão histórica, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou, na quinta-feira (29), o indeferimento do registro de candidatura de um postulante ao cargo de deputado federal nas Eleições Gerais de 2026 condenado criminalmente por violência doméstica e lesão corporal contra a mulher. Por unanimidade, a Corte manteve a decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL), reconhecendo a incidência da causa de inelegibilidade prevista na Lei Complementar nº 64/1990.
Além disso, por sugestão do ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, o Tribunal encaminhará ao Congresso Nacional proposta para aperfeiçoar, com urgência, a LC nº 64/1990, de modo a incluir expressamente entre as causas de inelegibilidade as condenações por crimes praticados mediante violência contra a mulher, independentemente do bem jurídico protegido pelo tipo penal.
Ao julgar a Ação de Impugnação ao Registro de Candidatura, o TRE-AL havia reconhecido a incidência da inelegibilidade decorrente de condenação criminal imposta pelo Tribunal de Justiça de Alagoas à pena de quatro anos e dois meses de reclusão pelo crime de lesão corporal praticada contra mulher por razões da condição do sexo feminino, previsto no artigo 129, § 13, do Código Penal. A condenação foi confirmada por órgão colegiado, requisito suficiente para a incidência da restrição eleitoral.
O Colegiado acompanhou integralmente o voto do relator, ministro Dias Toffoli, que destacou que a jurisprudência do TSE adota o critério do bem jurídico materialmente protegido para a análise das causas de inelegibilidade, e não apenas a classificação formal do crime no Código Penal. Segundo o relator, a reforma promovida pela Lei nº 14.994/2024 alterou significativamente o tratamento jurídico da violência contra a mulher.
Em seu voto, Toffoli ressaltou que a legislação “unificou o tratamento sancionatório da violência contra a mulher, autonomizando o feminicídio no artigo 121-A do Código Penal e reconstruindo a tipicidade do artigo 129, § 13, por remissão direta” aos mesmos elementos que caracterizam o feminicídio. Para o ministro, a mudança demonstra que o delito possui caráter pluriofensivo, protegendo não apenas a integridade física da vítima, mas também a própria mulher contra a violência de gênero.
O relator enfatizou ainda que a agressão contra a mulher por razões da condição do sexo feminino integra o mesmo sistema de proteção jurídica voltado ao combate da violência de gênero. “A remissão normativa introduzida pela Lei nº 14.994/24 vincula a configuração do delito previsto no art. 129, § 13, aos mesmos elementos normativos que caracterizam o feminicídio, inserindo ambas as figuras no sistema de tutela penal reforçada da mulher contra a violência de gênero”, afirmou o ministro Toffoli.

Crônicas de Clóvis

O livreiro e ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Sergipe (TCE-SE) Clóvis Barbosa lança, na próxima quinta-feira (5), o livro ‘Crônicas de um Mundo Imperfeito – Histórias, realidades e reflexões sobre as contradições que nos cercam’.
Será a partir das 17 horas, no Sebo Xique, localizado na Avenida Ministro Geraldo Barreto Sobral, 2100.
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