O último Mestre da pintura sergipana

Rian Santos


  • Onipresente

 

* Rian Santos
Quando sou convi
dado à casa de um 
amigo, logo percorro as paredes com os olhos. Tenho a esperança de encontrar, nas cores e traços eventualmente à vista, a confirmação de nossa afinidade. Um quadro de Fábio Sampaio, por exemplo, comunica imediatamente a disposição para a experiência repleta de plugs da vida contemporânea. E, também por isso, é que nos entendemos - anfitrião e abelhudo declarado.
Em minha peregrinação visual pela intimidade estética dos outros, no entanto, José Fernandes é o único ponto pacífico, quase uma unanimidade. Há na paleta de cores primárias e nas formas simples, composições quase rústicas, assinadas pelo artista plástico, algo de familiar e maravilhoso para todo sergipano mais ou menos educado.
Outro dia, batendo perna pelo bairro São José, olhei pela janela de uma casinha de vila e identifiquei na sala escura, sobre um arranjo de flores de plástico, uma pequena tela assinada pelo dito cujo. Em essência, aquele trabalho era o mesmo de um painel gigantesco, ostentado ali perto, em uma agência do Banese. No hall dos edifícios, residências, espaços públicos e consultórios médicos da aldeia, as madonas primitivas do artista figuram nítidas, onipresentes.
José Fernandes é o último Mestre da pintura sergipana. E também o mais dado. Se J Inácio e Leonardo Alencar permanecerão sempre vivos na sensibilidade coletiva, ninguém nunca se pronunciou em seus próprios termos de maneira tão clara e direta quanto Fernandes, a ponto de ser ele próprio reconhecido em qualquer esquina da cidade, por força da personalidade expansiva e, sobretudo, dos panos riscados.
Feliz do talento consagrado em missa de corpo presente. Mais das vezes, o exercício artístico é puro calvário. Essa alegria, entretanto, a vida não deve a José Fernandes. Sob qualquer aspecto, um artista realizado.
* Rian Santos, jornalista.

* Rian Santos

Quando sou convi dado à casa de um  amigo, logo percorro as paredes com os olhos. Tenho a esperança de encontrar, nas cores e traços eventualmente à vista, a confirmação de nossa afinidade. Um quadro de Fábio Sampaio, por exemplo, comunica imediatamente a disposição para a experiência repleta de plugs da vida contemporânea. E, também por isso, é que nos entendemos - anfitrião e abelhudo declarado.
Em minha peregrinação visual pela intimidade estética dos outros, no entanto, José Fernandes é o único ponto pacífico, quase uma unanimidade. Há na paleta de cores primárias e nas formas simples, composições quase rústicas, assinadas pelo artista plástico, algo de familiar e maravilhoso para todo sergipano mais ou menos educado.
Outro dia, batendo perna pelo bairro São José, olhei pela janela de uma casinha de vila e identifiquei na sala escura, sobre um arranjo de flores de plástico, uma pequena tela assinada pelo dito cujo. Em essência, aquele trabalho era o mesmo de um painel gigantesco, ostentado ali perto, em uma agência do Banese. No hall dos edifícios, residências, espaços públicos e consultórios médicos da aldeia, as madonas primitivas do artista figuram nítidas, onipresentes.
José Fernandes é o último Mestre da pintura sergipana. E também o mais dado. Se J Inácio e Leonardo Alencar permanecerão sempre vivos na sensibilidade coletiva, ninguém nunca se pronunciou em seus próprios termos de maneira tão clara e direta quanto Fernandes, a ponto de ser ele próprio reconhecido em qualquer esquina da cidade, por força da personalidade expansiva e, sobretudo, dos panos riscados.
Feliz do talento consagrado em missa de corpo presente. Mais das vezes, o exercício artístico é puro calvário. Essa alegria, entretanto, a vida não deve a José Fernandes. Sob qualquer aspecto, um artista realizado.

* Rian Santos, jornalista.

 


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