NÃO RIA DE NÓS ARGENTINA

Rômulo Rodrigues

 

* Rômulo Rodrigues
No dia 22 de Novembro de 2015, Mauricio Macri, engenheiro, empresário, prefeito de Buenos Aires, ex-Presidente do Boca Junior, representando a direita argentina, venceu o candidato Daniel Scioli, representante do kirchnerismo, por uma diferença de 2,8% de votos.
Foi a primeira vez que um candidato da direita liberal venceu uma eleição livre sem o apoio de uma ditadura militar e de fraude política. A participação do povo argentino foi de 78% na votação e a vitória de Macri encerrou um período de 12 do kirchnerismo, herdeiro do peronismo argentino.
As principais bandeiras da frente de direita que apoiou Mauricio Macri, no entanto, nada tinham a ver com o povo; pelo contrário, eram velhas e conhecidas. Combate à corrupção e volta ao liberalismo econômico, com o comando do Deus Mercado, que com ele assumiu o poder em 10 de Dezembro do mesmo ano.
Em seu discurso de comemoração da vitória Macri disse: "É um dia histórico, uma mudança de época. Um tempo que não pode deter-se em revanches ou ajustes de contas. Construir uma Argentina com pobreza zero, derrotar o narcotráfico e melhorar a qualidade democrática".
Scioli ligou para o amigo de longa data e o parabenizou pela vitória, assim com fez a Presidenta Cristina Kirchner.
Ao contrário do que prometeu, o governo de Mauricio Macri foi um desastre ao seguir à risca a cartilha neoliberal, impondo ao País em seus quatro anos de governo uma inflação de 237%, sendo que, 54% só, nos seus últimos 12 meses.
Como digno representante das elites agiu para que a economia fosse destruída pela queda vertiginosa do PIB, pelo aumento do desemprego, perseguiu o movimento sindical e os movimentos populares e sociais e assistindo camarote que seus parceiros de empreitada praticassem o que sempre fazem quando ganham os governos; corrupção desenfreada e submissão ao Mercado.
Mas, o povo argentino tem dado provas de melhor entendimento de suas responsabilidades quando o assunto é lutar pela Democracia e por seus direitos e partiu para as mobilizações de ruas e jogou Macri e sua turma nas cordas do Ringue.
O grande exemplo dado pelas mães da Praça de Maio, no enfrentamento a uma ditadura sangrenta comandada por generais vendidos ao império americano e na luta para que os criminosos fardados fossem denunciados, julgados, condenados e presos pelos crimes de torturas e execuções, lamentavelmente não foram seguidos no Brasil.
Levados a cometerem o erro de querer mudança após 12 anos de kirchnerismo, logo viram o desastre e deram o troco, quatro anos depois, derrotando o impostor, elegendo a chapa Fernández/Cristina.
A última cartada do neoliberalismo foi em meados de 2018 quando diante da desvalorização da moeda argentina em 70% sacramentou um empréstimo de US$ 57 bilhões, em três anos, ao coveiro FMI, para tentar segurar o fracasso do seu pupilo, mas a exigência de um radical plano de ajuste fiscal acelerou o desgaste do governo e a derrota inevitável veio já no primeiro turno.
Mauricio Macri, que havia derrotado um peronista no segundo turno de 2015 por uma diferença de 2,8%, teve que engolir a revanche para outro peronista por 7,6%, no primeiro turno, quatro anos depois.
Um gesto positivo dominante nas duas eleições é que entre vencedores e vencidos predominou a civilidade dos cumprimentos dos que perderam as eleições, aos vencedores.
O gesto vergonhoso ficou por parte do imbecil brasileiro que fez questão de afirmar que não cumprimentaria os vencedores do País vizinho. Coisa de moleque.
O presidente Alberto Fernández e sua vice, a ex-presidente Cristina Kirchner, são herdeiros legítimos do peronismo de forte tradição populista no País; com todas as ressalvas que se possa ter, mas é real a força entre seus compatriotas.
Já no Brasil, o quadro é muito mais condenável, haja vista que, há uma tentativa de construção de um pensamento forjado na crença de um líder messiânico chamado Jair messias Bolsonaro, para aumentar a catástrofe.
Do desastre neoliberal de Macri na Argentina, o que nos falta é a aceleração da inflação e a volta do domínio do FMI, corrido daqui por Lula, que estão contidos pelos efeitos da pandemia, cujo horizonte aponta para mais de 6 milhões de infectados e de 200 a 250 mil mortes; como quer Paulo Guedes.
Contida por um contingente de 50 milhões de desempregados, sem dinheiro para comprar, não dando espaço para disparada de preços, mesmo assim,o assassino da Fazenda continua trabalhando no sentido da volta do Dragão inflacionário.
O sinal mais forte é o anuncio da nota de 200 reais, cujo resultado é velho conhecido do povo; na bodega, na mercearia e na feira livre o que você comprava com uma nota de 100 reais, em breve, vai comprar com uma de 200 reais. Simples assim. Inflação de 100%, no novo normal.
Mas, um perigo muito grande ronda o País do grande futebol e dos artistas Maradona e Messi. O DEA, aquele Departamento destruidor das Democracias nas Américas Central, do Sul e no Caribe já está infiltrado no território portenho, em nome de combater o tráfico e uso de drogas.
Como fez por aqui, de posse da Lava Jato, se os vizinhos não abrirem os olhos, logo controlarão os procuradores, juízes, militares e jornalistas comerciais para aplicarem a nova modalidade de golpes sem tiros.
* Rômulo Rodrigues é militante político

* Rômulo Rodrigues

No dia 22 de Novembro de 2015, Mauricio Macri, engenheiro, empresário, prefeito de Buenos Aires, ex-Presidente do Boca Junior, representando a direita argentina, venceu o candidato Daniel Scioli, representante do kirchnerismo, por uma diferença de 2,8% de votos.
Foi a primeira vez que um candidato da direita liberal venceu uma eleição livre sem o apoio de uma ditadura militar e de fraude política. A participação do povo argentino foi de 78% na votação e a vitória de Macri encerrou um período de 12 do kirchnerismo, herdeiro do peronismo argentino.
As principais bandeiras da frente de direita que apoiou Mauricio Macri, no entanto, nada tinham a ver com o povo; pelo contrário, eram velhas e conhecidas. Combate à corrupção e volta ao liberalismo econômico, com o comando do Deus Mercado, que com ele assumiu o poder em 10 de Dezembro do mesmo ano.
Em seu discurso de comemoração da vitória Macri disse: "É um dia histórico, uma mudança de época. Um tempo que não pode deter-se em revanches ou ajustes de contas. Construir uma Argentina com pobreza zero, derrotar o narcotráfico e melhorar a qualidade democrática".
Scioli ligou para o amigo de longa data e o parabenizou pela vitória, assim com fez a Presidenta Cristina Kirchner.Ao contrário do que prometeu, o governo de Mauricio Macri foi um desastre ao seguir à risca a cartilha neoliberal, impondo ao País em seus quatro anos de governo uma inflação de 237%, sendo que, 54% só, nos seus últimos 12 meses.
Como digno representante das elites agiu para que a economia fosse destruída pela queda vertiginosa do PIB, pelo aumento do desemprego, perseguiu o movimento sindical e os movimentos populares e sociais e assistindo camarote que seus parceiros de empreitada praticassem o que sempre fazem quando ganham os governos; corrupção desenfreada e submissão ao Mercado.
Mas, o povo argentino tem dado provas de melhor entendimento de suas responsabilidades quando o assunto é lutar pela Democracia e por seus direitos e partiu para as mobilizações de ruas e jogou Macri e sua turma nas cordas do Ringue.
O grande exemplo dado pelas mães da Praça de Maio, no enfrentamento a uma ditadura sangrenta comandada por generais vendidos ao império americano e na luta para que os criminosos fardados fossem denunciados, julgados, condenados e presos pelos crimes de torturas e execuções, lamentavelmente não foram seguidos no Brasil.
Levados a cometerem o erro de querer mudança após 12 anos de kirchnerismo, logo viram o desastre e deram o troco, quatro anos depois, derrotando o impostor, elegendo a chapa Fernández/Cristina.
A última cartada do neoliberalismo foi em meados de 2018 quando diante da desvalorização da moeda argentina em 70% sacramentou um empréstimo de US$ 57 bilhões, em três anos, ao coveiro FMI, para tentar segurar o fracasso do seu pupilo, mas a exigência de um radical plano de ajuste fiscal acelerou o desgaste do governo e a derrota inevitável veio já no primeiro turno.
Mauricio Macri, que havia derrotado um peronista no segundo turno de 2015 por uma diferença de 2,8%, teve que engolir a revanche para outro peronista por 7,6%, no primeiro turno, quatro anos depois.
Um gesto positivo dominante nas duas eleições é que entre vencedores e vencidos predominou a civilidade dos cumprimentos dos que perderam as eleições, aos vencedores.
O gesto vergonhoso ficou por parte do imbecil brasileiro que fez questão de afirmar que não cumprimentaria os vencedores do País vizinho. Coisa de moleque.
O presidente Alberto Fernández e sua vice, a ex-presidente Cristina Kirchner, são herdeiros legítimos do peronismo de forte tradição populista no País; com todas as ressalvas que se possa ter, mas é real a força entre seus compatriotas.
Já no Brasil, o quadro é muito mais condenável, haja vista que, há uma tentativa de construção de um pensamento forjado na crença de um líder messiânico chamado Jair messias Bolsonaro, para aumentar a catástrofe.
Do desastre neoliberal de Macri na Argentina, o que nos falta é a aceleração da inflação e a volta do domínio do FMI, corrido daqui por Lula, que estão contidos pelos efeitos da pandemia, cujo horizonte aponta para mais de 6 milhões de infectados e de 200 a 250 mil mortes; como quer Paulo Guedes.
Contida por um contingente de 50 milhões de desempregados, sem dinheiro para comprar, não dando espaço para disparada de preços, mesmo assim,o assassino da Fazenda continua trabalhando no sentido da volta do Dragão inflacionário.
O sinal mais forte é o anuncio da nota de 200 reais, cujo resultado é velho conhecido do povo; na bodega, na mercearia e na feira livre o que você comprava com uma nota de 100 reais, em breve, vai comprar com uma de 200 reais. Simples assim. Inflação de 100%, no novo normal.
Mas, um perigo muito grande ronda o País do grande futebol e dos artistas Maradona e Messi. O DEA, aquele Departamento destruidor das Democracias nas Américas Central, do Sul e no Caribe já está infiltrado no território portenho, em nome de combater o tráfico e uso de drogas.
Como fez por aqui, de posse da Lava Jato, se os vizinhos não abrirem os olhos, logo controlarão os procuradores, juízes, militares e jornalistas comerciais para aplicarem a nova modalidade de golpes sem tiros.

* Rômulo Rodrigues é militante político

 


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