COM MAIS DE UMA SEMANA DE ATRASO

Rômulo Rodrigues

 

* Rômulo Rodrigues
No dia 28 de agosto a Central Única dos Trabalhadores completou 37 anos de fundação e em tempos de pandemia, tive a participação apenas em enviar um depoimento pedido pela assessoria de imprensa. Era o que podia ser feito, e foi o que fiz.
Inclusive, um depoimento feito de supetão após chegar de uma batelada de exames clínicos, um bem desgastante teste de esteira, e mandei o que me veio na lembrança e cometi o erro de falar em 43 anos da fundação da Central, quando, na verdade eram 37 anos. Mereço perdão, mas não estava de todo errado, já que as primeiras discussões datam de 1977 e a fundação efetiva aconteceu no congresso de 1983, no Cine Vera Cruz em São Bernardo do Campo.
Um fato histórico, se não me falha a memória, é que, as discussões sobre criar um partido político da classe trabalhadora, o PT, começou dentro das de fundar uma Central Sindical que, pelas inevitáveis divergências, acabou se antecipando em três anos e meio.
O questionamento que me foi feito foi sobre os desafios da classe trabalhadora diante do governo fascista de Jair Bolsonaro.
Respondi um pouco mais além do que foi perguntado e reproduzo. A sociedade brasileira terá que enfrentar um novo perfil do Fascismo que está se legitimando pela via democrática das eleições e por isso, muito mais perigoso que o de 100 anos atrás.
A classe trabalhadora tem como desafio atual compreender o novo paradigma da luta de classes no Brasil, até porque, dos tempos iniciais dos Enclats, dos Ceclats e dos Congressos que construíram a maior Central Sindical da América latina até hoje, houve uma mudança estrutural no chamado chão da fábrica.
Trazendo a realidade para nosso terreiro aqui de Sergipe, tanto das assembleias iniciais até a fundação da CUT/SE, a composição que consolidou e fortaleceu foi de operários Petroquímicos e Mineiros, trabalhadores rurais do sertão sob os comandos dos STR'S de Poço Redondo e Nossa Senhora da Glória, contando com a combativa oposição bancária e professores da UFS e hoje é muito diferente.
Nacionalmente, não dá para esquecer que foi a CUT que puxou o primeiro comício das Diretas-Já, em novembro de 1983, em frente ao Pacaembu, e ao longo de toda a campanha teve o papel de colocar a classe trabalhadora organizada, em massa, nas ruas e praças para convencer outros segmentos a entrarem na marcha e apressar o fim da ditadura militar.
Nos últimos 25 anos aconteceram mudanças estruturais nas relações de trabalho, na divisão social do trabalho pelo avanço das novas tecnologias e descobertas de novos materiais impondo uma velocidade cruel para que ideologicamente a burguesia imprima seu ritmo de homogeinização do pensamento, exclusivamente com o que ela avançou de domínio na hegemonia sobre as massas despossuídas de consciência de classe.
Portanto, estamos diante de um velho desafio que é interromper o financiamento pelo patronato na divisão da classe através de várias Centrais que praticam a política de conciliação.
No momento a Central Única dos Trabalhadores é desafiada a assumir o movimento de vanguarda na luta pela hegemonia da classe dialogando de forma didática e pedagógica com todos os segmentos do campo dos explorados, em questões muito específicas como Meio Ambiente, Racismo, Feminicídio, Violência Policial contra as populações negras e das periferias, Homofobismo, luta por direito ao trabalho, à liberdade de organização, pela moradia, pela Reforma Agrária, pela Saúde, pela Educação e por todos os direitos que são negados ao povo.
Há o desafio de entender que o novo paradigma da luta de classes abrange todas as demais lutas que estão contidas no universo do proletariado cujas consignas vão bem além dos restritos ambientes de trabalho que as experiências na pandemia querem transformar em rotinas com as malfadadas práticas de home office.
Talvez, o grande alerta possa vir ao massificar o que ficou muito claro no momento que vivenciamos. Sem trabalhadores nos locais de trabalho não há geração de riquezas; o patrão, por si só, não gera nada. Só quem faz a economia funcionar é o trabalhador e, portanto, a chamada classe produtora, é a classe trabalhadora e não o patronato explorador.
Está claro que a pessoa pode ser médico, advogado, engenheiro, economista, professor, motorista, operário, garçom, costureira, o que for; se vender a força de trabalho, é trabalhador e está ameaçado de voltar ao tempo dos seres humanos escravizados.
Um bom exercício para a compreensão da realidade é: se a pessoa pertence ao grupo do muito, muito longe de ser rico, muito perto de ser pobre e muito alienado para não enxergar sua real condição, está correndo perigo.
Para não dizer que não falei das flores, vai uma provocação. Por que nessa data não é lembrado Fausto Cardoso? Um homem que combateu as oligarquias do Estado e foi brutalmente assassinado em 28 de agosto de 1906 e está imortalizado na frase que tem muito a ver com lutas passadas e atuais dos oprimidos! "A liberdade só se prepara na história, com o sangue dos povos, o esforço dos homens e o cimento do tempo".
* Rômulo Rodrigues é militante político

* Rômulo Rodrigues

No dia 28 de agosto a Central Única dos Trabalhadores completou 37 anos de fundação e em tempos de pandemia, tive a participação apenas em enviar um depoimento pedido pela assessoria de imprensa. Era o que podia ser feito, e foi o que fiz.
Inclusive, um depoimento feito de supetão após chegar de uma batelada de exames clínicos, um bem desgastante teste de esteira, e mandei o que me veio na lembrança e cometi o erro de falar em 43 anos da fundação da Central, quando, na verdade eram 37 anos. Mereço perdão, mas não estava de todo errado, já que as primeiras discussões datam de 1977 e a fundação efetiva aconteceu no congresso de 1983, no Cine Vera Cruz em São Bernardo do Campo.
Um fato histórico, se não me falha a memória, é que, as discussões sobre criar um partido político da classe trabalhadora, o PT, começou dentro das de fundar uma Central Sindical que, pelas inevitáveis divergências, acabou se antecipando em três anos e meio.
O questionamento que me foi feito foi sobre os desafios da classe trabalhadora diante do governo fascista de Jair Bolsonaro.
Respondi um pouco mais além do que foi perguntado e reproduzo. A sociedade brasileira terá que enfrentar um novo perfil do Fascismo que está se legitimando pela via democrática das eleições e por isso, muito mais perigoso que o de 100 anos atrás.
A classe trabalhadora tem como desafio atual compreender o novo paradigma da luta de classes no Brasil, até porque, dos tempos iniciais dos Enclats, dos Ceclats e dos Congressos que construíram a maior Central Sindical da América latina até hoje, houve uma mudança estrutural no chamado chão da fábrica.
Trazendo a realidade para nosso terreiro aqui de Sergipe, tanto das assembleias iniciais até a fundação da CUT/SE, a composição que consolidou e fortaleceu foi de operários Petroquímicos e Mineiros, trabalhadores rurais do sertão sob os comandos dos STR'S de Poço Redondo e Nossa Senhora da Glória, contando com a combativa oposição bancária e professores da UFS e hoje é muito diferente.
Nacionalmente, não dá para esquecer que foi a CUT que puxou o primeiro comício das Diretas-Já, em novembro de 1983, em frente ao Pacaembu, e ao longo de toda a campanha teve o papel de colocar a classe trabalhadora organizada, em massa, nas ruas e praças para convencer outros segmentos a entrarem na marcha e apressar o fim da ditadura militar.
Nos últimos 25 anos aconteceram mudanças estruturais nas relações de trabalho, na divisão social do trabalho pelo avanço das novas tecnologias e descobertas de novos materiais impondo uma velocidade cruel para que ideologicamente a burguesia imprima seu ritmo de homogeinização do pensamento, exclusivamente com o que ela avançou de domínio na hegemonia sobre as massas despossuídas de consciência de classe.
Portanto, estamos diante de um velho desafio que é interromper o financiamento pelo patronato na divisão da classe através de várias Centrais que praticam a política de conciliação.
No momento a Central Única dos Trabalhadores é desafiada a assumir o movimento de vanguarda na luta pela hegemonia da classe dialogando de forma didática e pedagógica com todos os segmentos do campo dos explorados, em questões muito específicas como Meio Ambiente, Racismo, Feminicídio, Violência Policial contra as populações negras e das periferias, Homofobismo, luta por direito ao trabalho, à liberdade de organização, pela moradia, pela Reforma Agrária, pela Saúde, pela Educação e por todos os direitos que são negados ao povo.
Há o desafio de entender que o novo paradigma da luta de classes abrange todas as demais lutas que estão contidas no universo do proletariado cujas consignas vão bem além dos restritos ambientes de trabalho que as experiências na pandemia querem transformar em rotinas com as malfadadas práticas de home office.
Talvez, o grande alerta possa vir ao massificar o que ficou muito claro no momento que vivenciamos. Sem trabalhadores nos locais de trabalho não há geração de riquezas; o patrão, por si só, não gera nada. Só quem faz a economia funcionar é o trabalhador e, portanto, a chamada classe produtora, é a classe trabalhadora e não o patronato explorador.
Está claro que a pessoa pode ser médico, advogado, engenheiro, economista, professor, motorista, operário, garçom, costureira, o que for; se vender a força de trabalho, é trabalhador e está ameaçado de voltar ao tempo dos seres humanos escravizados.
Um bom exercício para a compreensão da realidade é: se a pessoa pertence ao grupo do muito, muito longe de ser rico, muito perto de ser pobre e muito alienado para não enxergar sua real condição, está correndo perigo.
Para não dizer que não falei das flores, vai uma provocação. Por que nessa data não é lembrado Fausto Cardoso? Um homem que combateu as oligarquias do Estado e foi brutalmente assassinado em 28 de agosto de 1906 e está imortalizado na frase que tem muito a ver com lutas passadas e atuais dos oprimidos! "A liberdade só se prepara na história, com o sangue dos povos, o esforço dos homens e o cimento do tempo".

* Rômulo Rodrigues é militante político

 


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