DIAS APENAS SIMBÓLICOS

Rômulo Rodrigues

 

* Rômulo Rodrigues
No Brasil se celebra o dia 20 de novembro como o dia nacional da consciência negra, dia atribuído como significado da morte de Zumbi dos Palmares, um dos maiores líderes negros do país que lutou contra o sistema escravocrata e morreu em 1685.
No dia anterior comemora-se o dia da bandeira nacional que vem no rastro da comemoração da República, em 15 de novembro, e tem como lema a frase positivista de Augusto Comte, "Ordem e Progresso". A bandeira é considerada símbolo nacional.
A luta contra a escravidão tem líderes do quilate de Luiz Gama, Henrique Dias e Gonçalves Dias, entretanto, não poderíamos, diante do acontecido no Carrefour, deixar de registrar parte de "O Navio Negreiros", de Castro Alves: "Existe um povo que a bandeira empresta, pra cobrir tanta infâmia e cobardia"!
E deixa-a transformar-se nessa festa, em manto impuro de bacante fria!
Meu Deus! Meu Deus! Mas que bandeira é esta, que impudente na gávea tripudia?
Silêncio. Musa ....chora, e chora tanto; que o pavilhão se lave no seu pranto.
Auriverde pendão da minha terra, que a brisa do Brasil beija e balança, estandarte que a luz do sol encerra e as promessas divinas da esperança.
Tu, que, da liberdade após a guerra, foste hasteada dos heróis na lança, antes te houvessem roto na batalha, que servires ao povo de mortalha!
Fatalidade atroz que a mente esmaga! Estingue nesta hora o brigue imundo;
O trilho que Colombo abriu nas vagas como um Íris no pélago profundo!
Mas é infâmia demais! Da etérea plaga. Levantai-vos heróis do novo mundo!
Andrada! Arranca esse pendão dos ares!
Colombo! Fecha a porta dos teus mares!
Neste ano infinito de 2020, na passagem do Dia da Bandeira para o dia nacional da Consciência Negra, houve, mais um crime de racismo, para deixar que não ouçamos os gritos de Castro Alves, Luiz Gama, Henrique Dias e Gonçalves Dias. Como vivemos em tempos aclamados de globalização, um policial branco e mais um parceiro, também branco, no interior de um supermercado de bandeira francesa, num dos estados mais racistas do Brasil, assassinam friamente e covardemente, um legítimo homem brasileiro, pelo simples fato de ousar comprar num templo do capitalismo; branco!
Sobre o brutal e covarde assassinato de João Alberto no Carrefour, nenhuma palavra do outrora aclamado Joaquim Barbosa, que criou a tese doutrinária do domínio do fato para condenar petistas e atender à fúria da burguesia contra a classe trabalhadora, determinando que todo e qualquer ato condenável praticado por qualquer funcionário de qualquer repartição, autarquia e empresa estatal no âmbito do governo federal, era de inteira responsabilidade de Lula e José Dirceu, com todo o apoio midiático da Rede Globo.
Como capitão do mato, subserviente ao grande capital silencia em apoio velado ao gigante Carrefour, transferindo toda e qualquer culpa para a vítima. Nojento!
O canalha mor, pelo contrário, se pronunciou ofensivamente ao dizer que no Brasil somos todos da mesma cor; verde e amarelo. Falou para o gado e riu com escárnio. Já o vice, canalha, exerceu sua canalhice dizendo que no Brasil não existe racismo.
Quantos Negros no meio dos 57,5 milhões votaram nessa desgraça? Quantos ainda vão votar no dia 29 em candidatos que apoiam o Carrefour e dizer que não tem nada a ver?
Com toda a certeza o aparato global não sente a mínima dor de consciência ao apresentar seu noticiário sobre o crime sempre deixando a entender que houve algum motivo para a ação dos criminosos e ressaltando as providências do Carrefour como fazer doação do apurado do dia para entidades que lutam contra o preconceito racial e outras medidas como as anunciadas de promover demissões e cancelar contratos de terceirizadas e tratar toda e qualquer manifestação de protesto como ação de vândalos.
O imbecil vai mais fundo nos insultos e diz que tensões raciais aqui, são importadas e alheias à história do País e homenageia Pelé como símbolo da raça.
Para encerrar; nas minhas homenagens, no dia da consciência negra, resgato a figura heroica de Dandara, que foi esposa de Zumbí dos Palmares e teve três filhos com ele; preferiu a morte se jogando de uma pedreira, no abismo, para não voltar a ser uma pessoa escravizada, Exemplo de coragem!
O momento exige uma resposta proativa e enérgica de todos e todas que repudiam os constantes atos de segregação racial e de qualquer tipo de intolerância e preconceito; boicote total a todas as lojas do Carrefour, até que fechem as portas. AH! Vai causar desempregos; vai. Mas, empregos se recuperam; vidas não! VIDAS NEGRAS IMPORTAM! E, aos imbecis que respondem com; vidas brancas, amarelas e pardas também importam: respondemos; todas as vidas importam, mas, as que estão sendo tiradas são as NEGRAS!
* Rômulo Rodrigues é militante político

* Rômulo Rodrigues

No Brasil se celebra o dia 20 de novembro como o dia nacional da consciência negra, dia atribuído como significado da morte de Zumbi dos Palmares, um dos maiores líderes negros do país que lutou contra o sistema escravocrata e morreu em 1685.
No dia anterior comemora-se o dia da bandeira nacional que vem no rastro da comemoração da República, em 15 de novembro, e tem como lema a frase positivista de Augusto Comte, "Ordem e Progresso". A bandeira é considerada símbolo nacional.
A luta contra a escravidão tem líderes do quilate de Luiz Gama, Henrique Dias e Gonçalves Dias, entretanto, não poderíamos, diante do acontecido no Carrefour, deixar de registrar parte de "O Navio Negreiros", de Castro Alves: "Existe um povo que a bandeira empresta, pra cobrir tanta infâmia e cobardia"!
E deixa-a transformar-se nessa festa, em manto impuro de bacante fria!
Meu Deus! Meu Deus! Mas que bandeira é esta, que impudente na gávea tripudia?
Silêncio. Musa ....chora, e chora tanto; que o pavilhão se lave no seu pranto.
Auriverde pendão da minha terra, que a brisa do Brasil beija e balança, estandarte que a luz do sol encerra e as promessas divinas da esperança.
Tu, que, da liberdade após a guerra, foste hasteada dos heróis na lança, antes te houvessem roto na batalha, que servires ao povo de mortalha!
Fatalidade atroz que a mente esmaga! Estingue nesta hora o brigue imundo;
O trilho que Colombo abriu nas vagas como um Íris no pélago profundo!
Mas é infâmia demais! Da etérea plaga. Levantai-vos heróis do novo mundo!
Andrada! Arranca esse pendão dos ares!
Colombo! Fecha a porta dos teus mares!
Neste ano infinito de 2020, na passagem do Dia da Bandeira para o dia nacional da Consciência Negra, houve, mais um crime de racismo, para deixar que não ouçamos os gritos de Castro Alves, Luiz Gama, Henrique Dias e Gonçalves Dias. Como vivemos em tempos aclamados de globalização, um policial branco e mais um parceiro, também branco, no interior de um supermercado de bandeira francesa, num dos estados mais racistas do Brasil, assassinam friamente e covardemente, um legítimo homem brasileiro, pelo simples fato de ousar comprar num templo do capitalismo; branco!
Sobre o brutal e covarde assassinato de João Alberto no Carrefour, nenhuma palavra do outrora aclamado Joaquim Barbosa, que criou a tese doutrinária do domínio do fato para condenar petistas e atender à fúria da burguesia contra a classe trabalhadora, determinando que todo e qualquer ato condenável praticado por qualquer funcionário de qualquer repartição, autarquia e empresa estatal no âmbito do governo federal, era de inteira responsabilidade de Lula e José Dirceu, com todo o apoio midiático da Rede Globo.
Como capitão do mato, subserviente ao grande capital silencia em apoio velado ao gigante Carrefour, transferindo toda e qualquer culpa para a vítima. Nojento!
O canalha mor, pelo contrário, se pronunciou ofensivamente ao dizer que no Brasil somos todos da mesma cor; verde e amarelo. Falou para o gado e riu com escárnio. Já o vice, canalha, exerceu sua canalhice dizendo que no Brasil não existe racismo.
Quantos Negros no meio dos 57,5 milhões votaram nessa desgraça? Quantos ainda vão votar no dia 29 em candidatos que apoiam o Carrefour e dizer que não tem nada a ver?
Com toda a certeza o aparato global não sente a mínima dor de consciência ao apresentar seu noticiário sobre o crime sempre deixando a entender que houve algum motivo para a ação dos criminosos e ressaltando as providências do Carrefour como fazer doação do apurado do dia para entidades que lutam contra o preconceito racial e outras medidas como as anunciadas de promover demissões e cancelar contratos de terceirizadas e tratar toda e qualquer manifestação de protesto como ação de vândalos.
O imbecil vai mais fundo nos insultos e diz que tensões raciais aqui, são importadas e alheias à história do País e homenageia Pelé como símbolo da raça.
Para encerrar; nas minhas homenagens, no dia da consciência negra, resgato a figura heroica de Dandara, que foi esposa de Zumbí dos Palmares e teve três filhos com ele; preferiu a morte se jogando de uma pedreira, no abismo, para não voltar a ser uma pessoa escravizada, Exemplo de coragem!
O momento exige uma resposta proativa e enérgica de todos e todas que repudiam os constantes atos de segregação racial e de qualquer tipo de intolerância e preconceito; boicote total a todas as lojas do Carrefour, até que fechem as portas. AH! Vai causar desempregos; vai. Mas, empregos se recuperam; vidas não! VIDAS NEGRAS IMPORTAM! E, aos imbecis que respondem com; vidas brancas, amarelas e pardas também importam: respondemos; todas as vidas importam, mas, as que estão sendo tiradas são as NEGRAS!

* Rômulo Rodrigues é militante político

 


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