Saulo Ferreira, sereníssimo!

Rian Santos


  • Contra a luz, o melhor do compositor se revela.

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Escrevo com a guitar
ra de Saulo Ferreira 
nos ouvidos, alheio aos protestos da lógica, de costas para os pruridos racionais do ofício. Assim, evito o risco de chover no molhado ao cumprir a obrigação de afirmar as virtudes excepcionais do músico mais uma vez. Trabalho em casa, desabotoado. Com um pouco de sorte, a redação deve fluir como Hiato - álbum recém lançado, a disposição nas plataformas de streaming: ligeiro, leve, equilibrado. Em uma palavra: sereníssimo.
Deus me livre de cansar o leitor com declarações categóricas, tão prenhes de significado quanto um balão inflado, prestes a estourar. Hiato, no entanto, talvez seja o mais solar dos trabalhos assinados por Saulinho. A impressão geral impregnada em cada um dos temas é a de uma tranquilidade exultante. Pleno de potência, ciente do seu lugar no mundo, o danado como que respira, simplesmente.
A comparação com o álbum anterior é inevitável. Apesar de adotar o mesmo vocabulário musical, próprio do período em que o jazz se libertou de qualquer compromisso com o engajamento avant garde de sua fase mais experimental, o guitarrista parece satisfeito de flertar com certas facilidades melódicas. O aceno é discreto e muito agradável. Suficiente, apenas, para comunicar a sensação de alegre despojamento mencionada antes.
Nas redes sociais, ao anunciar o novo rebento, Saulo ferreira revelou suas motivações. Trata-se de abraçar as pessoas queridas, apesar dos braços embaraçados pelas circunstâncias. "Esse disco reflete o amor, a saudade, a esperança. Reflete minha casa, minhas flores e meu espírito".
Hiato soa assim mesmo. Íntimo e saboroso, como o café coado durante anos de convívio e cumplicidade. Exala calor doméstico. Contra a luz, o melhor do compositor se revela. Este é o trabalho de um músico seguro e, com o perdão do adjetivo surrado, completamente maduro.

Rian Santos

Escrevo com a guitar ra de Saulo Ferreira  nos ouvidos, alheio aos protestos da lógica, de costas para os pruridos racionais do ofício. Assim, evito o risco de chover no molhado ao cumprir a obrigação de afirmar as virtudes excepcionais do músico mais uma vez. Trabalho em casa, desabotoado. Com um pouco de sorte, a redação deve fluir como Hiato - álbum recém lançado, a disposição nas plataformas de streaming: ligeiro, leve, equilibrado. Em uma palavra: sereníssimo.
Deus me livre de cansar o leitor com declarações categóricas, tão prenhes de significado quanto um balão inflado, prestes a estourar. Hiato, no entanto, talvez seja o mais solar dos trabalhos assinados por Saulinho. A impressão geral impregnada em cada um dos temas é a de uma tranquilidade exultante. Pleno de potência, ciente do seu lugar no mundo, o danado como que respira, simplesmente.
A comparação com o álbum anterior é inevitável. Apesar de adotar o mesmo vocabulário musical, próprio do período em que o jazz se libertou de qualquer compromisso com o engajamento avant garde de sua fase mais experimental, o guitarrista parece satisfeito de flertar com certas facilidades melódicas. O aceno é discreto e muito agradável. Suficiente, apenas, para comunicar a sensação de alegre despojamento mencionada antes.
Nas redes sociais, ao anunciar o novo rebento, Saulo ferreira revelou suas motivações. Trata-se de abraçar as pessoas queridas, apesar dos braços embaraçados pelas circunstâncias. "Esse disco reflete o amor, a saudade, a esperança. Reflete minha casa, minhas flores e meu espírito".
Hiato soa assim mesmo. Íntimo e saboroso, como o café coado durante anos de convívio e cumplicidade. Exala calor doméstico. Contra a luz, o melhor do compositor se revela. Este é o trabalho de um músico seguro e, com o perdão do adjetivo surrado, completamente maduro.

 


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