Variantes e nova onda fazem governo discutir novas medidas

Cidades

 

Gabriel Damásio
O número de casos 
da Covid-19 em 
Sergipe experimentou uma leve queda em Sergipe, conforme os recentes dados diários da Secretaria de Estado da Saúde (SES), mas os especialistas estão preocupados com uma terceira onda da doença, que promete ser mais violenta por causa das variantes do coronavírus. Uma dessas mutações, considerada mais resistente, surgiu a partir de Manaus (AM) e já teve casos registrados em 13 estados, incluindo Bahia e Alagoas. Já a outra cepa, a B.1.1.7, originária da Inglaterra, também se alastrou por outros quatro estados e um deles, a Bahia, confirmou nesta semana que a variante britânica entrou em fase de transmissão comunitária, ou seja, contaminou pessoas sem histórico de viagens ao exterior. 
Alguns pesquisadores sugeriram ao governo sergipano que implante barreiras sanitárias nas divisas, para controlar a entrada de pessoas vindas dos estados vizinhos. A proposta foi defendida na semana passada pelo professor Lysandro Borges, do Departamento de Farmácia da Universidade Federal de Sergipe (UFS), que explicou que ambas as variantes têm uma maior capacidade de transmissão e infecção, havendo a necessidade de isolar esses casos o mais rápido possível. "A barreira sanitária é importante quando ela é bem aplicada. Então, é interessante que haja essas barreiras, principalmente na divisa Bahia-Sergipe, para evitar a entrada de pessoas contaminadas. É com termômetro, com orientações, pegando os dados de para onde essa pessoa vai, para [em caso de contaminação] tentar isolar esses casos", disse Lysandro, em entrevista à TV Atalaia. 
Oficialmente, o governo do Estado afirma que ainda analisa essa possibilidade e vai discuti-la na próxima reunião do governador Belivaldo Chagas com o Comitê Técnico-Científico de Atividades Especiais (Ctcae), marcada para esta quinta-feira no Palácio de Despachos. Também podem serão avaliados os últimos dados da pandemia e os resultados do decreto estadual que proibiu a realização de festejos, eventos e aglomerações de carnaval, cuja vigência termina nesta segunda-feira. Entre as possibilidades, está a manutenção destas medidas de controle ou mesmo do decreto anterior, que permitia a realização de eventos, mas com a quantidade limitada de pessoas. 
Vacina e isolamento - O aumento do controle, com aceleração da vacinação contra a Covid-19 e medidas que garantam o isolamento social, também é sugerido no último boletim técnico do Comitê Científico de Combate ao Coronavírus no Nordeste (C4NE), divulgado na semana passada. "Para que ocorra o decaimento de tais projeções, existe a necessidade de um sistema de vacinação realmente efetivo para toda a população, associado a medidas mais tradicionais como: uso de máscaras em quaisquer ambientes em que haja aglomeração de pessoas, distanciamento, higienização e uso de álcool em gel e, quando for o caso, de rígidas medidas de isolamento social", alertam os cientistas.
Apesar das medidas de controle, existe a expectativa de que uma nova onda do vírus recrudesça nas próximas semanas, pois algumas festas clandestinas e visitas de pessoas a amigos aconteceram ao longo do feriadão, o que pode ter alastrado mais o coronavírus, assim como já ocorreu após as festas de Natal e Ano Novo. Esta hipótese também é levantada no relatório do C4NE. 
"Infelizmente, apesar das medidas tomadas por alguns Governadores e Prefeitos, houve nos últimos dois meses em todo o Nordeste um forte recrudescimento do número de novos casos de Covid-19 e dos óbitos deles decorrentes, caracterizando uma clara segunda onda da epidemia, que ainda está crescente. Projeções para o mês de março deste ano corroboram os que os dados reais coletados mostram. Para todos os Estados existe a indicação de possíveis estabilidades, mas em números muito altos tanto para casos acumulados como para óbitos", afirma o documento, que também aponta a variante britânica não apenas como mais transmissível, mas também como a mais mortal, com "capacidade de desenvolver a doença de maneira mais grave".
O Comitê aponta ainda que a situação atual da pandemia em Sergipe indica que o Estado tem se mantido estável, mas com alto risco pandêmico. "Os resultados dos modelos de evolução dinâmica mostram que após um recrudescimento de casos no fim de 2020, houve uma melhora no controle de casos em janeiro. O número de reprodução R(t) se encontra atualmente próximo de 1,0, indicando estabilização de novos casos no Estado. Na Região Metropolitana de Aracaju houve decréscimo recente de casos e no interior há certa estabilidade", diz o estudo, que no entanto, coloca Sergipe com a pandemia em "tendência de crescimento".

Gabriel Damásio

O número de casos  da Covid-19 em  Sergipe experimentou uma leve queda em Sergipe, conforme os recentes dados diários da Secretaria de Estado da Saúde (SES), mas os especialistas estão preocupados com uma terceira onda da doença, que promete ser mais violenta por causa das variantes do coronavírus. Uma dessas mutações, considerada mais resistente, surgiu a partir de Manaus (AM) e já teve casos registrados em 13 estados, incluindo Bahia e Alagoas. Já a outra cepa, a B.1.1.7, originária da Inglaterra, também se alastrou por outros quatro estados e um deles, a Bahia, confirmou nesta semana que a variante britânica entrou em fase de transmissão comunitária, ou seja, contaminou pessoas sem histórico de viagens ao exterior. 
Alguns pesquisadores sugeriram ao governo sergipano que implante barreiras sanitárias nas divisas, para controlar a entrada de pessoas vindas dos estados vizinhos. A proposta foi defendida na semana passada pelo professor Lysandro Borges, do Departamento de Farmácia da Universidade Federal de Sergipe (UFS), que explicou que ambas as variantes têm uma maior capacidade de transmissão e infecção, havendo a necessidade de isolar esses casos o mais rápido possível. "A barreira sanitária é importante quando ela é bem aplicada. Então, é interessante que haja essas barreiras, principalmente na divisa Bahia-Sergipe, para evitar a entrada de pessoas contaminadas. É com termômetro, com orientações, pegando os dados de para onde essa pessoa vai, para [em caso de contaminação] tentar isolar esses casos", disse Lysandro, em entrevista à TV Atalaia. 
Oficialmente, o governo do Estado afirma que ainda analisa essa possibilidade e vai discuti-la na próxima reunião do governador Belivaldo Chagas com o Comitê Técnico-Científico de Atividades Especiais (Ctcae), marcada para esta quinta-feira no Palácio de Despachos. Também podem serão avaliados os últimos dados da pandemia e os resultados do decreto estadual que proibiu a realização de festejos, eventos e aglomerações de carnaval, cuja vigência termina nesta segunda-feira. Entre as possibilidades, está a manutenção destas medidas de controle ou mesmo do decreto anterior, que permitia a realização de eventos, mas com a quantidade limitada de pessoas. 

Vacina e isolamento -
O aumento do controle, com aceleração da vacinação contra a Covid-19 e medidas que garantam o isolamento social, também é sugerido no último boletim técnico do Comitê Científico de Combate ao Coronavírus no Nordeste (C4NE), divulgado na semana passada. "Para que ocorra o decaimento de tais projeções, existe a necessidade de um sistema de vacinação realmente efetivo para toda a população, associado a medidas mais tradicionais como: uso de máscaras em quaisquer ambientes em que haja aglomeração de pessoas, distanciamento, higienização e uso de álcool em gel e, quando for o caso, de rígidas medidas de isolamento social", alertam os cientistas.
Apesar das medidas de controle, existe a expectativa de que uma nova onda do vírus recrudesça nas próximas semanas, pois algumas festas clandestinas e visitas de pessoas a amigos aconteceram ao longo do feriadão, o que pode ter alastrado mais o coronavírus, assim como já ocorreu após as festas de Natal e Ano Novo. Esta hipótese também é levantada no relatório do C4NE. 
"Infelizmente, apesar das medidas tomadas por alguns Governadores e Prefeitos, houve nos últimos dois meses em todo o Nordeste um forte recrudescimento do número de novos casos de Covid-19 e dos óbitos deles decorrentes, caracterizando uma clara segunda onda da epidemia, que ainda está crescente. Projeções para o mês de março deste ano corroboram os que os dados reais coletados mostram. Para todos os Estados existe a indicação de possíveis estabilidades, mas em números muito altos tanto para casos acumulados como para óbitos", afirma o documento, que também aponta a variante britânica não apenas como mais transmissível, mas também como a mais mortal, com "capacidade de desenvolver a doença de maneira mais grave".
O Comitê aponta ainda que a situação atual da pandemia em Sergipe indica que o Estado tem se mantido estável, mas com alto risco pandêmico. "Os resultados dos modelos de evolução dinâmica mostram que após um recrudescimento de casos no fim de 2020, houve uma melhora no controle de casos em janeiro. O número de reprodução R(t) se encontra atualmente próximo de 1,0, indicando estabilização de novos casos no Estado. Na Região Metropolitana de Aracaju houve decréscimo recente de casos e no interior há certa estabilidade", diz o estudo, que no entanto, coloca Sergipe com a pandemia em "tendência de crescimento".

 


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