A Mussuca como é

Rian Santos


  • Brincadeira é com ela, mesmo
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Um calor do inferno, 
ruas de paralelepí
pedo, bodegas de portas abertas a cada cem metros, poeira, arrocha no talo, ladeiras sem fim. Um povoado no interior sergipano, igual a todos os outros. Eu me pergunto se alguém saberia da Mussuca, em Laranjeiras, não fosse o reinado festivo de Dona Nadir.
Eu vi a influência da mulher com os meus próprios olhos. Fábio Rogério, o realizador por trás do documentário Nadir (2019), exibido no circuito de festivais, mundo afora, voltou lá, a fim de presentear a realeza do lugar com um cartaz do filme. Gabi Etinger assina a obra e resolveu ir junto. Eu acompanhei os dois, na condição de motorista, fotógrafo incidental, cronista desalmado, amigo e marido.
Dona Nadir é uma mulher de carnes duras, calos nas palmas das mãos, certezas inabaláveis na cabeça, coração repleto de alegria. Brincadeira é com ela, mesmo. Quem chega à Mussuca num domingo de sol, como fizemos, transpira baldes e bebe engradados, enquanto a anfitriã bafora um cachimbo velho, antes de abrir os trabalhos. Passear com ela, no sobe e desce do povoado, é como integrar uma comitiva. Naqueles caminhos estreitos, toda a população faz questão de lhe demonstrar carinho.
Em presença de Dona Nadir, é possível vislumbrar algo como a vigência de um matriarcado. Há, na dignidade singular de sua postura altiva, algo de materno e também de autoridade. Só ela fala alto. E, quando canta, o peito cheio de verdades verdadeiras, evoca uma força ancestral, libertadora.
"Vem ver, vem ver a Mussuca como é...".

Rian Santos

Um calor do inferno,  ruas de paralelepí pedo, bodegas de portas abertas a cada cem metros, poeira, arrocha no talo, ladeiras sem fim. Um povoado no interior sergipano, igual a todos os outros. Eu me pergunto se alguém saberia da Mussuca, em Laranjeiras, não fosse o reinado festivo de Dona Nadir.
Eu vi a influência da mulher com os meus próprios olhos. Fábio Rogério, o realizador por trás do documentário Nadir (2019), exibido no circuito de festivais, mundo afora, voltou lá, a fim de presentear a realeza do lugar com um cartaz do filme. Gabi Etinger assina a obra e resolveu ir junto. Eu acompanhei os dois, na condição de motorista, fotógrafo incidental, cronista desalmado, amigo e marido.
Dona Nadir é uma mulher de carnes duras, calos nas palmas das mãos, certezas inabaláveis na cabeça, coração repleto de alegria. Brincadeira é com ela, mesmo. Quem chega à Mussuca num domingo de sol, como fizemos, transpira baldes e bebe engradados, enquanto a anfitriã bafora um cachimbo velho, antes de abrir os trabalhos. Passear com ela, no sobe e desce do povoado, é como integrar uma comitiva. Naqueles caminhos estreitos, toda a população faz questão de lhe demonstrar carinho.
Em presença de Dona Nadir, é possível vislumbrar algo como a vigência de um matriarcado. Há, na dignidade singular de sua postura altiva, algo de materno e também de autoridade. Só ela fala alto. E, quando canta, o peito cheio de verdades verdadeiras, evoca uma força ancestral, libertadora.
"Vem ver, vem ver a Mussuca como é...".


COMPARTILHAR NAS REDES SOCIAIS