No olho do furacão

Rian Santos


  • Para "quarenteners" de fino trato
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
O jornalismo não é 
ofício para quem 
gosta de escolher as palavras. Vira e mexe, a urgência dos fatos trai o profissional ocupado nas redações. Bombas explodem todos os dias. Golpes, "revoluções" e presidentes depostos rasgam mapas na América do Sul. Enquanto o repórter corre de um lado pra outro, farejando declarações escandalosas, na cola de todo tipo de gente, a vida acontece no bar da esquina. Mas esta não é nem será nunca a matéria ordinária de um jornal.
A primeira e única concessão à vida em letra de imprensa é ainda a crônica e a crítica cúmplice, tão raras nas ruas de Ará. E, no entanto, para isso existem as páginas de Cultura encartadas nos periódicos. Quando o Duo Vieira resgata o repertório do maestro Tom Jobim, por exemplo, o profissional encarregado do assunto pode parar um pouco e considerar a própria respiração, como fazem os fumantes. Nos cinco minutos de um café, tempo de sobra para se emocionar com uma canção.
Para escrever sobre o exercício artístico é preciso colocar o coração na ponta dos dedos. É preciso perceber a vida latejando nas entrelinhas, localizar o som, o gesto, a cor e o berro no olho do furacão. Agora, mesmo, 'Pérolas para Jobim' me oferece colo e consolo. Se as palavras de ordem ecoando a torto e direito exigem posturas e engajamento nas causas mais justas, Rebeca e Ricardo Vieira respondem a seu modo, com protestos de beleza e imaginação.
Hoje, o Duo Vieira toma parte no projeto Ficar em Casa é Show, financiado pelo poder público carioca com recursos da Lei Aldir Blanc e direito a muita música e bate papo. Transmissão pelo canal da dupla no Youtube, a partir das 21 horas. Para "quarenteners" de fino trato.

Rian Santos

O jornalismo não é  ofício para quem  gosta de escolher as palavras. Vira e mexe, a urgência dos fatos trai o profissional ocupado nas redações. Bombas explodem todos os dias. Golpes, "revoluções" e presidentes depostos rasgam mapas na América do Sul. Enquanto o repórter corre de um lado pra outro, farejando declarações escandalosas, na cola de todo tipo de gente, a vida acontece no bar da esquina. Mas esta não é nem será nunca a matéria ordinária de um jornal.
A primeira e única concessão à vida em letra de imprensa é ainda a crônica e a crítica cúmplice, tão raras nas ruas de Ará. E, no entanto, para isso existem as páginas de Cultura encartadas nos periódicos. Quando o Duo Vieira resgata o repertório do maestro Tom Jobim, por exemplo, o profissional encarregado do assunto pode parar um pouco e considerar a própria respiração, como fazem os fumantes. Nos cinco minutos de um café, tempo de sobra para se emocionar com uma canção.
Para escrever sobre o exercício artístico é preciso colocar o coração na ponta dos dedos. É preciso perceber a vida latejando nas entrelinhas, localizar o som, o gesto, a cor e o berro no olho do furacão. Agora, mesmo, 'Pérolas para Jobim' me oferece colo e consolo. Se as palavras de ordem ecoando a torto e direito exigem posturas e engajamento nas causas mais justas, Rebeca e Ricardo Vieira respondem a seu modo, com protestos de beleza e imaginação.
Hoje, o Duo Vieira toma parte no projeto Ficar em Casa é Show, financiado pelo poder público carioca com recursos da Lei Aldir Blanc e direito a muita música e bate papo. Transmissão pelo canal da dupla no Youtube, a partir das 21 horas. Para "quarenteners" de fino trato.


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